Monday, June 18, 2007

Vou reclamar


Com a “Revolução dos Cravos” que devolveu a liberdade aos Portugueses, parece que se abriu uma tampa de um recipiente quase a rebentar. Tudo saiu cá para fora. Mesmo aquilo que não devia.

Hoje o Povo Português usa e abusa da liberdade que lhe foi dada e comete alguns (para não dizer muitos) excessos. Protesta por tudo e por nada, com ou sem razão, por coisas sérias ou por coisas mesquinhas.

Ontem e hoje assisti a comportamentos excessivos (na minha opinião) de pessoas que viveram durante a época salazarista e que pensam que agora fazem tudo e dizem o que lhes apetece.

Começamos com uma avozinha que levantou a sua voz na Piscina contra o facto de a terem mandado trocar de calçado no corredor para entrar na sala onde as crianças trocam de roupa. São regras e são para toda a gente cumprir, para que todas as condições de higiene estejam reunidas.

Pela forma como a senhora reagiu a essa imposição, até parece que a minha colega lhe teceu um insulto gravíssimo. Nem imaginam a discussão que foi. Eu pergunto: essa senhora nos anos sessenta teria aí uns vinte ou trinta anos. Como é que ela conseguia abafar o seu ímpeto reaccionário?

Pior mesmo foi o deplorável comportamento de uma senhora da mesma faixa etária numa das caixas do Pingo Doce, já perto da hora do fecho do hipermercado. Não sei qual foi o motivo da discórdia porque apanhei o confronto a meio. Só sei que a mulher estava a pedir o nome à funcionária e a ameaçar. A funcionária sempre foi dizendo que “a partir do dia 1 de Fevereiro ela não poderia protestar muito porque os sacos das compras iriam passar a ser pagos”. Depreendi que o motivo da acesa discussão fosse algo relacionado com os sacos.

Calhei a sair do Pingo Doce ao mesmo tempo que ela. Ouvi-a ainda a “rezar” e fui subindo as escadas colada a ela para tentar ouvir o que ela dizia entre dentes. A criatura tecia ameaças e rogava pragas à jovem que a atendeu no Pingo Doce. Entre outras coisas ela ia dizendo que lhe iria fazer a vida negra. Ia a bufar mesmo. Era da maneira que aquecia uma noite que se colocou bem fria.

Hoje cheguei a casa e a lâmpada do meu quarto fundiu-se. Antes de ir treinar, fui ao agente Philips que fica na minha rua comprar duas lâmpadas para colocar quando regressasse.

Não esperava demorar-me tanto como me demorei. A culpa foi de outra (eu até acho que era a mesma do Pingo Doce, mas sou toupeira) criatura que veio para lá com uma retórica por causa de um electrodoméstico que eu estou na dúvida se era um frigorífico ou se era um microondas. Tenho uma ténue ideia de que era um microondas.

Parece que a criatura tinha mandado o aparelho para reparar mas não havia peças para ele naquela altura. O conserto demorou mais. Acho que foi isso. A criatura deixou o senhor da loja passado e ameaçou fazer um protesto junto de entidades superiores. Disse que o comportamento da loja era inadmissível e por aí fora. Até a mim já doía a cabeça só de a ouvir. Tão chata! Se fosse ao senhor colocava-a na rua com um potente pontapé no traseiro. E eu ali à espera que ela acabasse o rosário que parecia equivalente a mil e um terços.

Se eu fosse à mulherzinha fazia uma carta mesmo para Eindhoven (sede-mãe da Philips) a protestar contra o comportamento de uma sua filial em Coimbra. Em Holandês Vernáculo e cheio de ameaças. Ia ser bom, ia.

A minha vontade era também a de lavrar um protesto contra os funcionário da loja pelo simples facto de estarem a aturar a criatura e não atenderem as pessoas. A demora já era considerável. Quem ia escrever para Eindhoven agora era eu a protestar contra os protestos que certa criatura teima em fazer. Tive tanta pontaria que tive a pouca sorte de a encontrar por duas vezes à minha frente em estabelecimentos comerciais. Sempre a protestar e a ameaçar os funcionários.

Mais uma manhã em que o frio e as nuvens marcaram presença. Uma manhã cujo único incidente digno de registo foi a fuga de uma criança muito pequenina que já se ia a meter à estrada, aproveitando a porta aberta. Eu corri para a ir buscar, mas já ia uma funcionária do infantário ao qual ela pertence no seu encalço.

Incidentes na cantina são o prato do dia. O prato, o copo...até tachos e panelas como hoje sucedeu. O barulho de louça a cair foi estridente. As coisas de alumínio fizeram imenso barulho e as coisas de vidro ou de barro partiram simplesmente.

Cheguei à Piscina e ouvi as notícias. No mercado de transferências Ricardo Rocha já partiu para Inglaterra rumo ao Tottenham. Fala-se de um jogador bem conhecido de Fernando Santos para o substituir: o italiano Bruno Cirilo que joga no AEK de Atenas.

Algures no Norte, o proprietário de uma loja fez um apelo curioso aos larápios que lhe assaltaram o estabelecimento: ou devolvem o material roubado, ou vão lá buscar o resto. Não entendi o que ele quer com isto.

A tarde foi calma demais. Quando saí, deparei-me com um belo pôr-do-sol que vou partilhar com todos através da foto que acompanha este texto.

Apesar da demora provocada pelo incidente que serve de mote para este texto, ainda deu para treinar. O treino já tinha de ser obrigatoriamente mais curto, logo deveria também ser mais duro. Assim aconteceu.

Afinal enganei-me! Até teve mais um quarto de hora que, por exemplo, o treino de ontem. Comecei por dar cinco voltas à pista para aquecer. Depois seguiram-se alongamentos e dez séries de sessenta metros. Os tempos registados foram os seguintes:

12.43
11.97
11.81
11.75
11.81
12.00
11-91
12.03
12.25
11.93

Depois de alguns alongamentos e de uma volta para descomprimir, acabei um dos treinos mais produtivos desta época desportiva. Estava bastante satisfeita com o meu desempenho neste treino, com a agravante de ele poder ser prejudicado pelas baixas temperaturas que se faziam sentir. Não foi.

Em casa esperava-me um servicinho daqueles que eu detesto fazer: mudar lâmpadas. Tinha de o fazer apenas com o ecrã da televisão a iluminar. Tirei tudo de cima da mesa e coloquei-me descalça lá em cima para chegar ao casquilho. Tirei também as meias para não escorregar.

A lâmpada escorregou-me das mãos e eu ia caindo. Também saltava para cima da cama repleta de todo o tipo de coisas. Por sorte a lâmpada não partiu. Nessa altura bati o meu recorde de palavrões. De certeza.

Depois de muito esforço, já tinha luz no meu quarto. Podia ir descansar, que bem merecia.

Situação do dia:
De regresso à Piscina o autocarro saltava muito. Parecia um todo-o-terreno que participava no Lisboa-Dakar. Para o ano será este um dos veículos candidatos a participar. De certeza! Estilo não lhe falta. Eu já estava a ver a hora em que o autocarro dava um salto de tal maneira que dava também duas piruetas no ar e caía direito na estrada. Já não achava tanta piada se ele caísse ao contrário. Estava a ver a cara de pânico do pessoal, especialmente dos mais velhos. Estava também a ver que o autocarro não chegaria direito ao seu destino.

Bacorada do dia:
“Os icibergues...” (Os quê??!!!!!!)



Os verdadeiros tesourinhos deprimentes


Não havia nada para fazer em mais uma noite de domingo. Para cúmulo debatia-se o Aborto, ou melhor a IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez) que é a forma politicamente correcta de designar aquilo a que (aqui na minha santa terrinha) popularmente chamam “desmancho”, “botadela de barriga” ou mais eufemisticamente “maneira mais rápida de criar um filho”.

Chamem o que chamarem ao acto de matar um Ser Humano em gestação, isso já me chateia e eu tento fugir para longe cada vez que esse circo nos é servido nos media.

Refugiei-me na escuridão do meu quarto, onde nada havia para fazer, enquanto esperava que aquele falatório acabasse e começasse o “Gato Fedorento”. O meu rádio não lê CD’s por estar com um problema. Foi então que decidi sacudir o pó a algumas cassetes áudio que tinha na estante e que continham coisas variadas. Era uma espécie de recordações de anos idos em que eu comentava algumas coisas e inventava histórias engraçadas das quais me ria profundamente. Hoje não entendo nada daquelas conversas da treta. Com os anos perderam o contexto e os protagonistas foram apagados da minha memória e substituídos por outros.

Ali estavam os instrumentais e separadores usados nesses projectos de programas cómicos que só tinham piada para mim. Desde Junho de 1995 e até Janeiro de 2000 fazia dessas gravações em que lia “Os Maias” em homenagem à minha professora de Português (criatura por quem eu não morria de amores).

Um velho tema de Leandro & Leonardo estava entre as minhas piadas acerca de um episódio passado anos antes e que conduziu à detenção do Presidente do Marselha Bernard Tapie. Esse episódio veio à baila por causa de um jogador russo que alinhava no Alverca à data da gravação. Jogou contra o Marselha naquele jogo em que Tapie ordenou que se desse um chá com efeito tranquilizante aos jogadores do CSKA de Moscovo.

Tirei outra cassete à sorte. Esta continha um debate feito entre os alunos da nossa turma sobre a co-incineração. Um assunto mais sério. Outra ainda continha uma gravação completa de 6 de Julho de 1997. Uma gravação em que eu mostrei os meus horríveis dotes musicais ao tocar uma flauta daquelas que se levam para as aulas de Educação Musical no Preparatório. Parece que a tinha encontrado e resolvi tirar-lhe o pó de dentro.

Outra cassete ainda continha, apenas e só, alguns temas musicais para um pequeno filme que fiz para o Atelier de Televisão. Tinha vários temas. Um deles era uma excelente música da espanhola Rosana intitulada “Contigo”. Não foi usada nesse filme mas é uma das minhas favoritas. Convém referir que quando entreguei o trabalho final ao professor troquei as cassetes vídeo e entreguei-lhe o filme sem músicas. Foi pena porque ele estava um espectáculo. Lembro-me que começava com o tema “Everyday I Love You” dos Boyzone e terminava com um tema do alemão Sasha cujo título não me recordo. Tinha ainda o tema da Fafá de Belém “Entre A Luz E A Escuridão” e um outro tema mais ritmado que eu não sei quem canta e que se chama “My Heart Goes Boom”. Este último tema era a banda sonora de uma cena já gravada ao anoitecer ao pé do Pingo Doce, naquela rua. Eu percorria a rua entre as luzes dos carros que já estavam acesas e ia colocar uma carta (que na vida real não passava de apontamentos) ao marco do correio que lá existe. Estava demais o filme que foi completamente idealizado e protagonizado por mim. Apenas contou com a ajuda de uma colega e do técnico de montagem da escola. Um dia ainda o passo para formato digital. Adoro aquilo!

Eu não sei ao certo quantas cassetes áudio tenho. Apenas passei algumas. O debate sobre o aborto terminava e o “Gato Fedorento” ia começar. Se eles vissem ou ouvissem os “Tesourinhos Deprimentes” que eu para aqui tenho...

Terminado o “Gato Fedorento” tratei de arranjar as coisas para rumar a Coimbra no dia seguinte. E se os meus “Tesourinhos Deprimentes” estão em cima de uma estante e não dentro de uma arca como os deles, esperem que ainda não viram nada. Nem eu!

Foi também de dentro de uma arca- de onde julgava que nada de extraordinário pudesse sair, para além de confortáveis camisolas de lã- que saíram aquilo a que eu chamo, não “Tesourinhos Deprimentes”, mas sim “Tesourinhos Lamentáveis”. Revolvi o fundo da minha arca da roupa e retirei de lá uma camisola branca. Qual não foi o meu espanto ao verificar que a camisola só tinha uma manga e vinha cheia de lã de outras cores! A outra manga estava feita em pedaços à conta dos dentes pequenos, mas destrutivos, dos ratos. Nem imaginam o quanto eu fiquei nervosa!

Dei um berro pela minha mãe que acordou sobressaltada e assustada a pensar que era outra coisa. Afinal já não era cedo e a minha vontade de ir dormir desapareceu naquele instante. Toda uma arca de camisolas quentes estava danificada.

Retirei tudo de lá de dentro a um ritmo possesso. Estava furiosa e maldizia o criador de tão prejudiciais seres como os ratos.

Como tenho estado desempregada e tenho estado em casa ao longo de dois anos e o ano de 2004 foi passado, em parte, em Miranda do Corvo (para onde não levei muita roupa porque ia comprando alguma e existia lavandaria) e no hospital onde só o pijama era preciso, não remexia no fundo daquela mala. Em casa vestia a roupa do armário que é a que já não serve para sair.

Vivo em pleno campo e os ratos são frequentes ali. Além disso, o meu quarto fica fechado durante a semana e eles fazem o que bem lhes apetece. Se eu lá estivesse todos os dias eles seriam menos ali porque se assustariam com luzes acesas até de madrugada e rádios ligados, nalgumas vezes com o volume bem elevado. Os melhores gatos que tínhamos para caçar morreram e hoje são apenas três que não fazem mais nada senão comer ração e andar à bulha.

O resultado de tudo isto é um monte de camisolas esburacadas atiradas para o chão com alguma mágoa. Como são horríveis os ratos!

Já me deitei bastante tarde por causa dessa brincadeira e tinha de me levantar bastante cedo para ir até Coimbra. Pouco dormi. A cena da roupa roída não me saía da cabeça.

O Céu estava bastante nublado. Ia na camioneta, achei as nuvens tão engraçadas e tirei a foto que acompanha este texto.

Depois de ter saído daquela selva que é o autocarro 29 à segunda-feira de manhã, submeti-me às agruras da chuva gelada que caía na rua sem dó nem piedade das pessoas que foram surpreendidas e não traziam chapéu.

Cheguei à Piscina. Ia para me sentar numa cadeira daquelas que deslizam e ela fugia-me. Ia caindo. Começava bem a semana de trabalho para a minha pessoa! E continuou sob o signo do disparate.

Enganei-me no código de uma escola. À segunda-feira as escolas que têm aulas têm nomes parecidos e que suscitam bastante confusão. Uma coincidência. Também o computador andava demais a registar os cartões. Em vez de ler os códigos de barras, escrevia uns caracteres estranhíssimos. E assim se passou mais uma manhã de segunda-feira.

Na escola havia uma circulação anormal de gente. Haveria certamente algum evento.

O Céu ameaçava desabar sobre quem andava na rua, mas escapei de molha certa.

Ao contrário do que aconteceu da parte da manhã, a tarde decorreu dentro da normalidade. Nada a dizer sobre o assunto.

Foi ainda sob a ameaça de chuva que decorreu o primeiro treino desta semana. Rolei durante meia hora. Os primeiros quinze minutos foram para aquecer e os segundos repartiram-se entre cinco minutos rápidos, cinco de corrida normal e outros cinco de corrida mais rápida. Dez voltas dadas a uma pista de fora.

Não chovia e eu pude concluir o apronto com os já indispensáveis alongamentos. Ao fim de uma hora fui tomar banho.

À porta do Pingo Doce estava um cão. Iria fazer compras? Que tipo de produtos compraria? Alimento para cães?

Quem sabe se o animal não teria mais civismo que certas pessoas que lá estavam à mesma hora e que discutiam e mandavam vir, prejudicando as pessoas que estavam atrás (ver próximo texto sobre esse assunto).

Por falar em discutir. Parece que nas imediações da minha casa havia também uma acesa discussão em que o uso frequente do vernáculo atroava os ares daquela noite fria de Janeiro. Noite em que me sentia completamente exausta e fui dormir mais cedo. O frio era muito também.

Situação do dia:
Mais uma história daquele autocarro em que eu não tenho outro remédio senão apanhá-lo para Celas. A certa altura nem conseguimos mover sequer um braço. Tive o azar de me calhar em sorte como companheiro de viagem um velhote que ia, certamente, para o hospital. O velho nada fez. Eu é que saía primeiro que ele e ele não se conseguia arredar, até porque estava muita gente encostada à porta da frente. Eu também iria sair pela frente. Impossível sair por trás. Com a minha tralha às costas, era impossível mexer-me ali. Ia então a sair, desequilibrei-me, caí para cima do velhote e agarrei-me a ele com toda a força. Vejam lá! Agarrar-me a um velhote aí de uns oitenta anos. Ainda se fosse um homem todo bonzão!C

Bacorada do dia:
“Eu gosto é quando é Alf 4.” (Eu também adorava ver o Alf. O Alf 4 já não vi.)

Eu tinha uma fé que Mantorras ia marcar

Falar de Pedro Mantorras é falar de alguém muito querido no seio da família benfiquista.

O avançado angolano sempre foi muito acarinhado pelos adeptos praticamente desde que chegou. Houve mesmo quem o comparasse com Eusébio, o “Pantera Negra” e depositasse grandes esperanças nos seus golos milagrosos.

Só que a vida pregou uma grande partida à nova pérola africana do Benfica. Uma maldita lesão num dos joelhos comprometeu bastante o seu desenvolvimento enquanto jogador e colocou mesmo em risco a continuação da sua auspiciosa carreira.

Mantorras não se deixou fintar por esse Destino cruel e lutou bastante para continuar a fazer aquilo que gostava. O prazer de jogar a bola está-lhe nas veias. Seria uma pena esse prazer ser destruído assim.

Ao fim de uma longa paragem, Mantorras regressou aos relvados. Foi aplaudido como nunca e assim passou a ser a partir dessa altura. O jogador não terá o mesmo rendimento. Muito se tem dito e escrito a esse respeito. O facto de estar no banco e entrar já com os jogos a terminar leva a pensar que é isso que acontece. Até porque o jogador, assim utilizado como “arma secreta” acaba por ser decisivo para a equipa. Os seus golos nos finais das partidas acabaram por ser de importância extrema para a conquista do título na época 2004/2005.

O jogador mortífero regressou este domingo num jogo a contar para a Taça de Portugal. A vítima foi a União de Leiria que já contava com um prolongamento. O jogo estava empatado a uma bola.

Não sei o que tinha. Estava ansiosa para que Mantorras entrasse para resolver um jogo que estava difícil. Via os minutos a passar e nada de Fernando Santos colocar o angolano em campo para trazer outro perfume ao futebol do Glorioso.

E Mantorras entrou com o jogo já a caminhar a passos largos para o final. Haveria ainda tempo para um golo que permitisse ao Benfica seguir em frente na Taça de Portugal? Com Mantorras já a bailar na área podia haver um milagre. Algo me dizia que sim. Que Mantorras iria resolver isto.

Pouco tempo passou. O jogo estava no final e o coração encarnado explodiu. Foi Mantorras, o autor do golo. Pois claro! Não podia ser outro.

Eu adivinhei que o jogador angolano iria marcar naquele jogo. Não me perguntem porquê. O meu sexto sentido dizia-me isso.

Foi um domingo marcado pela Taça de Portugal. Mas nem só de Futebol viveu este domingo. Antes andei a ver as novidades em termos de equipas holandesas de Ciclismo para 2007.

De entre inúmeras novidades destaco a transferência de Alain Van Katwijk para a Van Vliet e a passagem do nosso amigo Frank Kwanten para director desportivo da Crolstone. Equipa que já não tem nas suas fileiras Dick Dekker. Que pena! Agora onde é que o encontro?
Julian Smink (amigo do Alain) ainda não tinha arranjado equipa. A Van Vliet (equipa que costuma abastecer a Rabobank Continental) perdeu imensos ciclistas e fez uma equipa quase do zero. Ah! Sebastiaan Langeveld foi mesmo para a equipa principal da Rabobank, apesar de ainda ser bastante jovem.

Mas foi mesmo a Taça de Portugal que marcou um domingo desportivo às direitas. Num jogo que opôs a Briosa ao Leixões Dame foi expulso.

O mercado também continua agitado. Diz-se que o croata Ivan Klasnic pode ser reforço para o Benfica. Vamos a ver! Seria bom o Glorioso ser reforçado por um jogador de Leste para não ser só com brasileiros.

O Lisboa-Dakar chegou ao fim. Parece que o francês Sebastien Loeb foi o vencedor e que os portugueses se portaram lindamente. Quanto aos nossos representantes que se meteram à aventura ao volante de uma choça velha gentilmente cedida pela Transdev- Centro, o objectivo foi cumprido. O veículo foi deixado algures no deserto e os jovens regressaram a casa sãos e salvos. Tal como da primeira vez em que estiveram em África, eles chegam cheios de histórias engraçadas para contar.

Para o ano está prometida a nossa participação com cinco choças velhas da Transdev- Centro, um expresso da Rede Expressos, uma camioneta que se encontra há anos estacionada numa oficina da Moita e que já está comida pela ferrugem, dois dos piores autocarros dos SMTUC que circulam pela cidade e (novidade) uma carrinha de transporte escolar de um estabelecimento de ensino da Região Centro. Este último veículo será conduzido por duas funcionárias de escolas da região que se queiram candidatar a mais esta aventura. As interessadas só conhecerão o resultado da selecção no dia 30 de Dezembro de 2007 à boa maneira lusitana. Os pilotos dos restantes veículos serão escolhidos de entre os atletas que se portarem pessimamente ao longo do ano de 2007.

E assim foi passado mais um domingo. Novas aventuras e desventuras esperam por mim e pelos que me rodeiam ao longo de uma semana em que o mercado futebolístico volta a estar em destaque.

Situação do dia:
Durante a semana as histórias curiosas sucedem-se e eu apenas tenho conhecimento delas quando regresso a casa. Há em Janeiro uma festa chamada Santos Mártires ou Calvos (estou na dúvida). O meu vizinho faz uma excursão para lá, independentemente de o evento calhar ao domingo ou a outro dia da semana. Parece que há lá uma feira onde se vende de tudo. O meu vizinho comprou duas enormes sacas com figos secos. Ainda por cima, parece que uma delas não era para ele. Tinham-lha mandado trazer. O meu vizinho chegou a casa e colocou as duas sacas em cima da mesa do terraço. Quando foi, no dia seguinte, para ir levar uma das sacas a quem lha mandou trazer constatou com assombro que as sacas tinham desaparecido. Ainda perguntou à mãe se ela as tinha guardado. Esta respondeu que nem sequer as tinha visto. Roubaram-lhe as sacas dos figos. Terão sido os larápios dos vizinhos de cima.

Bacorada do dia:
“Faço Errar e depois?” (Winrar)

Um combustível chamado música

Fim-de-semana é sinónimo de ir até casa. A não ser que tenha provas desportivas, passeios, festas ou outro tipo de eventos que me façam ficar por Coimbra. Não foi este o caso. Lá tinha eu de colocar a mochila às costas e meter-me ao caminho.

Depois de apanhar a camioneta até Anadia, há que ir a pé até Vale de Avim. São ainda uns seis ou sete quilómetros que tenho de fazer sempre que o dia está de feição, como era o caso. Assim poupa-se algum dinheiro em viagens de táxi.

Tive naquele dia de Sol de Janeiro uma ideia luminosa...quer se dizer...sonora. E se eu fosse a ouvir música pelo caminho? Era uma boa solução para ir aproveitando o tempo, de modo a que o percurso pareça menor.

Assim fiz! O tempo realmente pareceu ter passado mais depressa. O caminho passava por mim sem que eu me desse conta que tivesse passado.

No entanto, a estrada mais estreita da Moita obrigava a precauções extraordinárias. Tinha de estar mais atenta ao trânsito para não ser surpreendida. Quando pressinto a passagem de um veículo, tenho de me encolher o mais que posso junto ao muro.

Já trazia os pés molhados de pisar nas ervas junto ao cemitério da Moita. E que importava isso? Ia na boa e nada nem ninguém me conseguiria deter.

Junto ao local onde esteve a estátua do Poeta Cavador tive de parar. A pilha chegou ao fim do seu tempo de vida. A música parou e eu também

Feita a troca de pilha, aguardava-me mais cerca de meia hora de caminho até casa. Havia combustível para isso. A música fazia-me andar.

O dia estava fantástico e convidava mesmo a dar uma volta. No meu caso era uma volta necessária porque tinha de ir a pé para casa.

Foi um dia sem história. Tal como acontece durante o fim-de-semana, aproveitei para redigir alguns textos para o blog. Nada mais!

Situação do dia:
Num dos dias desta semana a minha mãe surpreendeu o gato Mong a dormir...na estrada. Que continue que é seguro e confortável.

Bacorada do dia:
“Para simplicificar...” (Complica-se ainda mais.)

Tuesday, June 12, 2007

Alentejo 2057

Amareleja- 9 de Agosto de 2057.

São cerca de duas da tarde. Naquela paisagem amarelada pela intensa seca que se tem feito sentir não se sente um único ruído. As árvores já murchas de sede abanam as suas folhas secas através de uma brisa abafada que torna o calor ainda mais sufocante.

Nem um ser vivo passa por ali. Apenas as plantas testemunham o intenso inferno em que esta região se transformou, de há uns anos a esta parte, quando os termómetros foram estabelecendo diariamente novos recordes de temperaturas máximas.

Nesse dia, um novo recorde foi estabelecido. O termómetro registava uns incríveis 54.7 graus centígrados. Meu Deus! Onde será que isto vai parar?

O local onde, em tempos, existiu uma antiga fonte está agora transformado num buraco que os meninos desconhecem para que serve. Para eles serve para jogar ás escondidas nos poucos dias em que o calor dá tréguas.

São bem idosos, os habitantes da Amareleja dos anos 50 do século XXI. Os jovens emigraram ou deslocaram-se para oLlitoral á procura de uma vida melhor e, sobretudo, de melhores condições climatéricas.

Há muito que a terra não produz um único grão. Os animais morrem todos os anos de fome e de sede. A água chega do Norte (sobretudo do Douto Litoral) em enormes recipientes e é armazenada em divisões frescas e enormes arcas frigoríficas. Destina-se à Agricultura, á higiene e ao consumo diário de pessoas e animais.

Que dar a comer a bois, cabras e ovelhas? Chegam enormes carregamentos de cereais vindos de outras paragens. Há muito que foi decretado o estado de calamidade na região.

Não muito longe da vila alentejana, arde há seis dias um incêndio como não há memória em Portugal. O vento abafado e o calor sem tréguas alimentam aquele inferno vivo que já tirou a vida a 80 bombeiros e consumiu uma pequena aldeia. Dirige-se agora para outra e ninguém consegue fazer nada. Não existem recursos hídricos nas proximidades.

Dizem que o fogo foi provocado por uma trovoada seca que se abateu sobre a região. Tem sido normal nos últimos tempos este tipo de tempestade que tem uma curta duração, mas que destrói sem dó nem compaixão o que levou anos e trabalho a construir.

Um celeiro desapareceu sem deixar rasto naquele fatídico dia 3 de Agosto de 2057. António Estorninho era o seu proprietário e lá guardava tudo o que era necessário para fazer face à seca. Enormes recipientes com água, milho, trigo e aveia desapareceram num espaço muito curto de tempo.

Nem uma gota de chuva caiu durante o temporal. Apenas um calor abafado e um Céu anormalmente negro com um sol incrivelmente escarlate anunciavam a desgraça.

O Céu deixou de ser azul para as bandas do Alentejo. Ganhou um tom alaranjado. Um tom de fogo infernal.

A vila parece dormir a sesta naquele forno sem fim. As suas casas brancas, com as paredes comidas pela seca, albergam as poucas pessoas que ali resistem ao calor e que se procuram proteger como podem.

Dona Lurdes tenta descansar um pouco. Fazer o quê com quase cinquenta e cinco graus de temperatura? Uma ventoinha a grande velocidade irrompe no silêncio em que mergulhou a sua casa, há anos transformada num braseiro.

O telemóvel toca. É o seu filho que emigrou para a Holanda em 2021. Diz à mãe que os diques da cidade onde vive rebentaram com a força das inundações que há seis dias fustigam o País. Algumas vilas e mesmo cidades estão intransitáveis.

Acontece a mesma coisa na Hungria, Eslováquia, Polónia, Áustria e noutros mais países do Norte e Centro da Europa.

As autoridades austríacas classificaram mesmo esta inundação como sendo a pior de sempre. Não há registo de um fenómeno tão devastador no País. Contabilizam-se já 2100 mortos e milhares de pessoas continuam desaparecidas. Os prejuízos materiais são mais que muitos.

Dona Lurdes ouve estas coisas horrorizada. Se a água mata e destrói noutras paragens, ali a falta dela está a acabar com todos os seres vivos da região. A sua sementeira de trigo morreu de sede e os seus bois morreram desidratados um dia destes em que o calor não se podia aguentar. Que restava a Dona Lurdes?

Com lágrimas nos olhos, discou o número da filha que vivia em Caminha. Foi para lá porque não aguentava as altas temperaturas no Sul. Com voz de desespero implorou para que a filha a deixasse passar unis dias em sua casa, até que a temperatura baixasse,

Idalina, a filha de Dona Lurdes ouvia a mãe emocionada e imediatamente atendeu ao seu pedido. Por ela correria agora mesmo para a Amareleja e resgataria sua mãe das agruras do calor e da seca.

Imediatamente se pôs ao caminho para apanhar a temperatura mais baixa quando percorresse já as estradas do Sul, onde o alcatrão derretido pelo intenso calor dificulta a circulação. Pelas suas contas estaria de noite em pleno Alentejo.

Dona Lurdes enfiou vagarosamente os seus poucos pertences num enorme saco de viagem. Ia chorando por se ver obrigada a fugir da terra onde sempre viveu, devido ao enorme braseiro em que a incúria do Homem a transformou. Ela reflectia e ia pensando no futuro da sua terra, no futuro do Planeta inteiro. Meu Deus! O Homem está-se a destruir a si próprio e aos seus semelhantes.

Enquanto pensava, grossas e quentes lágrimas rolavam do seu rosto e caiam imóveis sobre os lençóis da cama que estava prestes a deixar feita até ao dia em que pudesse regressar. Se é que algum dia pudesse regressar à sua Amareleja do seu Alentejo amado.

Voltemos ao nosso presente. Estamos em Coimbra e é dia 19 de Janeiro de 2007. O termómetro da farmácia do centro comercial terá avariado? Andará passado da tola? Já marca quinze graus e pouco passa das oito da manhã.

O dia está agradável. O Céu até está azul e tudo. Mais uma vez, acordei a rir e não me lembro de quê. Já é a segunda vez esta semana que isto me acontece!

De manhã na Piscina fui a tirar a carteira de um aluno de um cacifo e caíram uma data de chaves com a força. A carteira estava trilhada. Lá tive eu o trabalho suplementar de arrumar todas aquelas chaves no sítio. O resto da manhã decorreu sem incidentes de monta considerável.

Tivemos sorte em Tovim. Mudámos para o autocarro que ia à frente do nosso e que estava prestes a seguir. Isso levou a que eu me despachasse. Era bom que isso acontecesse todos os dias!

Na cantina (que novidade!) voltou a haver um copo partido.

Os autocarros estavam com vontade de contribuir para que eu me despachasse. Depois de não ter demorado em Tovim, o autocarro ainda parou mais à frente de onde estava a paragem. Menos uns metros que eu tinha de andar, logo menos tempo dispendido, logo me despacharia ainda mais.

Cheguei cedo! A tarde iria ser tranquila.

De regresso a casa, outro autocarro fez questão de não parar na paragem. Se calhar porque ela não estava no sítio por causa das obras. Obras essas que eu, sem querer, boicotei. Passei por cima de um passeio acabadinho de arranjar. Os trabalhadores começaram a discutir comigo e eu segui como se nada fosse.

O treino, esse sim, foi repleto de situações rocambolescas. Para começar, esqueci-me dos calções. Apenas vesti as calças de treino sem eles por baixo. Vesti a camisola ao contrário também. Distracção a toda a prova.

Não acendem as luzes todas daqueles corredores. Umas raparigas que passavam ao mesmo tempo que eu pelo corredor escuro assustaram-se com a minha presença. Mas sou assim tão horrível?!!

O treino começou com quatro voltas de aquecimento concluídas em 11.52.10 minutos. Depois de alguns alongamentos fiz três acelerações de um minuto com cinco minutos de intervalo entre elas.

Depois de mais alguns alongamentos e de uma volta de descompressão, dei por terminado um apronto que durou uma hora e dez minutos, mais o tempo que andei á procura do cronómetro que ficou em cima do banco.

À saída avistei duas ambulâncias junto à Igreja de S. José. O que terá acontecido? Nem fiquei ali especada. Fui directamente para casa. Estava á porta mais um fim-de-semana.

Situação do dia:
Já tinha almoçado e preparava-me para arrumar o tabuleiro no carrinho. A certa altura senti o tabuleiro deslizar das minhas mãos. Era a empregada que o puxava pelo outro lado. Mais um valente susto!

Bacorada do dia.
“Antes de antigamente era um ano…” (Alguém percebeu esta frase?!!!)

Ir à farmácia com estas obras faz-nos mesmo doentes

As obras nas ruas de Coimbra irritam-me! Apesar de serem um bem necessário para a manutenção das ruas da cidade em óptimas condições, os grandes transtornos por elas causados enervam.

Na Avenida Humberto Delgado decorrem obras que nunca mais têm fim á vista. A paragem do autocarro foi desviada e existem buracos de um perigo incrível para quem vê mal e chega do trabalho ao anoitecer.

E para ir à farmácia?!! A estrada tornou-se irreconhecível e cheia de obstáculos. Volto a recordar que era de noite!

Tive de ir quase a rastejar e com as mãos no chão poeirento. Tive mesmo de me sentar no chão para saltar um degrau no passeio que eu julgava mais alto. Foi demais. É que eu arriscava-me a ir à farmácia aviar uma receita de gotas para os olhos e iria acabar por comprar qualquer coisa para as escoriações e esmurradelas se eu caísse por ali fora.

Estas obras deixam-me doente!

Se o termómetro estava certo, Coimbra já registava uma temperatura de 13 graus ás oito e um quarto da manhã. Nem parece que estamos em Janeiro. Não é nada normal registarem-se estes valores. O Céu veste-se de um cinzento claro. Nem chove, nem faz frio.

A manhã de trabalho decorreu normalmente. Parece que houve, no entanto, um problema qualquer com o computador. Nada de muito grave.

No autocarro é que havia alguém que não estava calmo. Aliás, era na rua e não dentro do autocarro. Era na paragem. Parece que uma passageira deixou ficar a carteira dentro de um autocarro. Desesperada, mandava parar todo o veículo que fosse amarelo e branco. Nada da carteira! Lá ficava ela, com o desespero estampado no rosto, à espera que outro autocarro passasse e lhe tivessem guardado a carteira. Acontece!

No Alentejo são as ambulâncias que têm acidentes graves. O resultado do sinistro saldou-se mesmo em alguns mortos entre doentes que eram transportados para consultas. Isto fez-me lembrar um acidente que eu presenciei há sensivelmente um ano atrás aqui mesmo em Coimbra.

Uma ambulância com riscas azuis vinha com toda a velocidade nas ruas da Baixa. Tinha bastante urgência em passar. Outra ambulância com uma risca vermelha vinha devagar. O seu destino era uma clínica ali perto, onde iria levar um doente de volta a sua casa.

Os dois veículos cruzaram-se na rua. Para dar passagem á ambulância da risca azul, a ambulância da risca vermelha galgou o passeio e atropelou uma rapariga que vinha a sair do trabalho. Os gritos dela chamaram-me a atenção e corri para o local, onde acorreu também imensa gente ávida de espectáculo. É assim a natureza humana! Parece que a ambulância pisou com a roda traseira o pé da moça. O curioso foi que a mesma ambulância que lhe causou o ferimento foi a mesma que a transportou ao hospital.

Vale e Azevedo também estava na ordem do dia. Deixem adivinhar o motivo: mais um processo em que o ex-presidente do Glorioso se encontra envolvido com réu. Adivinhei! Não aceito propostas para consultas. Desta vez o advogado está a ser vítima de um arresto de bens. Em causa está uma moradia adquirida na Grã-bretanha. Só falcatruagem!

A tarde de trabalho passou calma e sem nada a assinalar de relevante.

O treino também não teve grande história. Apenas andei a rolar durante trinta minutos e fiz os alongamentos da praxe durante outros trinta. Nada mais!

Nessa noite passava na televisão um programa sobre as mudanças climáticas no nosso planeta. Nem a propósito! Parece que daqui a cinquenta anos Portugal vai viver sob seca intensa, especialmente no Alentejo e Algarve onde as temperaturas quentes se vão tornar quase insuportáveis.

Por falar em altas temperaturas, em África os nossos pilotos que participam no Lisboa-Dakar continuam a percorrer o deserto naquele veículo que toda a gente que lê este blog sabe.

Situação do dia:
Sabem qual é o cúmulo da infracção ás regras da estrada? É um idoso de canadianas a atravessar lentamente a passadeira quando o semáforo ainda está vermelho. A referida criatura foi premiada com a buzinadela do dia emitida através de um táxi.

Bacorada do dia:
“O senhor ainda não pôs a gaita a tocar!” (Expressão tipicamente lusitana que quer dizer bastantes coisas, algumas delas bastante maliciosas. Neste caso apenas significava que o condutor do autocarro ainda não tinha ligado o sinal sonoro que anuncia as paragens)

Monday, June 04, 2007

Rio-me de cada coisa!

É impressionante como só nos rimos do mal. Eu então sou demais nesse capítulo. Arreganho-me toda se cai alguma coisa e parte, se alguém se estatela no chão, se alguém faz algum disparate...

Dizem os entendidos que nós rimo-nos daquilo que é estranho para nós. Eu devo então ser uma criatura do mais estranho que há. Uma criatura para quem tudo é estranho.

Rir-me de situações embaraçosas é mais forte que eu e, por mais que eu evite rir-me, sempre me vou rindo com cada vez mais intensidade. Rio-me dos outros e rio-me de mim mesma. Dos meus disparates.

E pergunta o eventual leitor que se dá ao trabalho de consultar o meu blog: a que propósito vem isto agora? Apeteceu-me. Tenho de inventar alguma coisa para preencher este texto.

O que fez com que o tema hoje fosse o riso foi, imagine-se, mais um copo que partiu na cantina. Se nos rimos do que é estranho, eu não me deveria rir já de loiça partida na cantina. Já é habitual. O que é certo é que me ri. De tal maneira que até me engasguei porque estava a beber água.

E nem pensem que fui só eu que vibrei com o som estridente do copo a partir. Houve um forte aplauso na cantina e também algumas risadas. Mas que piada tem um copo a partir? Eu também não sei. Rio-me até mais não poder e não sei explicar porque me rio.

Das coisas boas o pessoal como eu normalmente não se ri. A desgraça é o maior veículo de humor. Eu sou assim e muita gente também é.

Se eu fizer um esforço e me recordar das coisas que me fizeram rir na vida, constato que quase todas têm a ver com desgraças dos outros ou minhas. Ora reparem:

Ia a atravessar a passadeira ao pé da Residência dos Combatentes. Houve um carro azul que parou para eu passar. O motociclo que ia atrás desse carro não travou a tempo e a motoreta quase se enfiou pela traseira do automóvel. O resultado foi uma queda aparatosa do motociclista. O dono do carro perguntou ao dono da moto se ele se tinha magoado. Ri-me imenso. Quando regressei estava o dono da mota a tentar dar-lhe um jeito para prosseguir.

A situação mais insólita que vi durante uma aula e que me fez rir mais foi esta: a aula era no auditório da ESEC que estava às escuras para vermos uns diapositivos com imagens para interpretarmos. O aparelho que serve para reproduzir os diapositivos estava apoiado num tripé que, por sua vez, estava em cima de um degrau. A professora acabava de colocar mais uma imagem para analisarmos, mas o aparelho caiu no chão sem que ninguém lhe tocasse. Mais: ficou a fazer um barulho estranho. O auditório ficou completamente às escuras e a professora deu um grito bem histérico para que acendessem as luzes depressa. Eu fui às lágrimas de tanto me rir. Chegou um técnico dos recursos audiovisuais e um colega meu disse que tinha sido ele que tinha deitado aquilo tudo ao chão porque a comida lhe tinha caído mal.

No mesmo ano, na sala de computadores, uma professora que ia aos arames com os telemóveis que tocavam na aula ensinava pacientemente algo a uma colega nossa. O tom calmo dela durou até tocar um telemóvel. Ela logo se alterou radicalmente e começou aos gritos e ia para começar a dizer que destruiria o telemóvel que estava a tocar. Só que um colega meu disse-lhe que o telemóvel que tocava era o dela. Embaraçada e sem saber o que dizer, ela desculpou-se dizendo que se esqueceu de desligar o aparelho. Risada geral dos alunos e um pouco de troça.

Da ESEC passamos para uma sala de aulas, também ela com computadores. Desta vez a cena passa-se na ACAPO. A aula decorria normalmente quando ouvimos uma coisa esquisita e muito cómica. Tinha sido uma colega nossa que tinha espirrado. Parece que a aula acabou por ali. Ninguém aguentou mais de tanto rir. Eu estou em condições de garantir que nunca me ri tanto na vida. No dia seguinte fui fazer exames médicos para o Desporto e todos os músculos abdominais estavam duros e doridos. Perguntaram-me o que se passou e eu disse que foi de me rir até à exaustão.

Nos últimos Campeonatos Nacionais de Atletismo em que e estive presente ia a lançar o disco. Era mais gente a lançar e eu trazia uma camisola preta para não arrefecer. Quando era a minha vez de lançar tirava a camisola. A certa atura tirei-a e tive tanta pontaria que a coloquei logo em cima de todos os discos que eu ia para lançar. À hora de lançar não aparecia nenhum. Era estranho! Eu comecei a discutir com os juízes, a dizer que algo se passava. Fui a levantar a camisola e lá estavam os discos debaixo. Foi demais em termos de riso!

Em 2004 tínhamos uma gatinha chamada Teka. Na atura ela cabia na palma de uma mão, mas o seu efeito destruidor era impressionante. A minha mãe tinha um pano em cima de uma mesa com várias coisas que se partiam em cima. O pequeno animal prendeu uma das suas pequenas garras no pano e derrubou tudo o que lá estava que se desfez em cacos e causou um som estridente que se ouviu na rua. A minha mãe ficou pior que estragada. Eu ria porque tudo aquilo havia sido causado por um animal tão pequeno.

Por falar em gatos: outro episódio que me ocorreu agora teve como protagonista o gato Slava. Esse gato andava muito bem no terraço. Viu chegar o meu pai, assustou-se e subiu a toda a pressa pelo pau da gaiola das catatuas. Só que desequilibrou-se e mergulhou de cabeça na tigela da água que estava lá em baixo para eles beberem. Todo encharcado subiu novamente, mas as patas molhadas e escorregadias não ajudavam muito. Fui às lágrimas!

Cansada de ver as minhas molas da roupa desaparecerem e as pessoas deixarem, por vezes, a minha roupa molhada em cima do tanque para ficarem com elas, prometi vingança. Se acaso apanhasse em flagrante roupa a enxugar com as minhas molas, iria tomar medidas. Esse dia chegou a 7 de Junho de 2001. Na véspera tinha colocado umas peças de roupa interior a secar, mas adormeci de noite e não as fui apanhar. No outro dia de manhã encontrei a minha roupa espalhada pelo chão e alguma tinha mesmo voado com o vento para parte incerta. Furiosa, resolvi ir ver onde estavam as minhas molas. Para azar da criatura que mas tinha tirado, encontrei-as a segurar a roupa dela. Aí estava uma oportunidade de me vingar. Era agora ou nunca. A roupa consistia num toalhão de praia, num fato de banho, nuns óculos de piscina e em baixo estavam uns chinelos. Não fiz mais que mergulhar o toalhão no tanque que estava cheio de água. Ele ficou a escorrer e a pesar toneladas. Não o torci de propósito. Estava a ver que o cordão da roupa ia abaixo. Também não o ia torcer. A água escorria para o chão. Foi precisamente onde a água escorria que coloquei “a molhar” o fato de banho e os óculos. Os chinelos foram escondidos do lado de trás do terraço. Como se não bastasse, escrevi um bilhete que também coloquei junto à roupa que estava a “molhar”. No bilhete eu dizia que daquela vez tinha sido assim e que para a próxima fazia pior. Pior, entenda-se, era pegar na toalha molhada e andar a limpar o chão do terraço com ela. Ainda estive para fazer isso. Aconselhava a pessoa a vir falar com quem lhe emprestasse molas, ou então havia muitas à venda no Pingo Doce. Eu pensava que a destinatária da mensagem seria uma estudante. Longe de mim esperar que fosse pescar “peixe graúdo”. Estava eu no quarto muito descansada quando as...empregadas da limpeza me bateram à porta. A dona do toalhão que estava suspenso com as minhas molas veio ter comigo. Com medo trouxe companhia. Disse que eu era ruim e vingativa porque lhe molhei a roupa e lhe escondi os chinelos. Nesse dia toda a gente, inclusive a responsável pela Residência, ficou a saber que nem só as estudantes eram as responsáveis pelo desaparecimento das coisas. Toda a gente se riu só de imaginar a cara dela quando contava apanhar a sua roupa seca para ir dar mais umas braçadas na piscina e encontrou a roupa ainda mais molhada que estava. Foi o meu dia de glória e de gargalhadas também.

Haverá certamente outras situações que me fizeram rir a bandeiras despregadas. Algumas já aqui foram relatadas neste blog. Outras ainda serão relatadas num futuro não muito distante.

Talvez porque me levantei mais tarde não senti assim tanto frio. O tempo continuava cinzento. Como acontece todas as quartas-feiras fui até à ACAPO.

Ainda fui até à Piscina no tempo que ainda me restava. À ida para o almoço ainda passei por sono no autocarro.

Na ESEC a rádio da escola estava no ar com um programa de música e entrevistas. De referir que essa rádio começou com a nossa turma. Também tivemos um jornal que era o “Cem Censura”.

Não estive particularmente feliz naquela tarde de trabalho. Dois jovens tinham um cartão cada. Eu atrapalhei-me e ia a passar duas vezes o mesmo cartão e deixava o outro por passar. E assim continuei a errar. Há dias assim!

Como nos dois dias anteriores corri atrás do autocarro, o condutor admirou-se de eu estar a horas naquele dia e não ter corrido.

As obras continuavam naquela paragem que estava até fora do sítio. Andavam a soldar. A luz lilás do aparelho cortava a escuridão que já se fazia sentir.

Ainda fui ver o meu mail. Recorde-se que no passado fim-de-semana não o consegui abrir. Que susto! Lá estava tudo direitinho.

O que não estava nada direito foi o meu esquecimento do guarda-chuva. E se chovesse?

Apesar do adiantado da hora ainda deu para ir treinar. Apesar de ter tido apenas 50 minutos de duração, o treino acabou por ser mais produtivo do que o do dia anterior. Corri numa das pistas de fora durante trinta minutos. Os primeiros quinze minutos foram apenas de aquecimento. Depois os restantes 15 foram repartidos entre cinco minutos de corrida rápida, cinco de corrida normal e novamente cinco de corrida rápida. Foi cansativo mas valeu a pena. Depois de terminar o treino com os imprescindíveis alongamentos, fui tomar um banho reconfortante. De referir que fui a última a sair do balneário e, por conseguinte, tive de apagar as luzes.

Estava assim terminado mais um dia extenuante. A cama e o descanso esperavam-me.

O Lisboa-Dakar está a chegar ao fim, mas os nossos pilotos continuam algures ainda por Marrocos. Hoje avançaram alguns quilómetros e rumaram a outras paragens.

Bacorada do dia:
“É para registar este caderno?” (Cartão.)

Tempo útil

É incrível como por vezes se desperdiça o tempo tão desnecessariamente. Aprendemos aquando da nossa Formação na ACAPO que devemos gerir bem o tempo, mas uma coisa é a teoria e a outra é a prática.

Nesta sessão de treino que passo a narrar, passei mais tempo a fazer de tudo e mais alguma coisa do que a treinar. Parecia que andavam forças ocultas a impedir que treinasse em condições.

Comecei por deitar a garrafa da bebida em cima do banco e por ir dar cinco voltas de aquecimento. O aquecimento durou 15.33.53 minutos. Até foi rápido.

Acabei a corrida e andei uma eternidade à procura da minha garrafa. Não sabia já em que banco a tinha deixado. Se calhar alguém lhe tinha deitado um casaco para cima ou ficou tombada atrás de um saco de equipamento de alguém que chegou entretanto.

Não a vi e fui ao balneário ver se ela lá estava. Voltei para fora e voltei a procurá-la por alguns instantes que se prolongaram demais. Encontrei-a e fui fazer alguns alongamentos. Já estava a arrefecer e a chuva ameaçava cair.

Acabados os alongamentos tinha de mudar o calçado e fazer uns piques. Lá tive eu de voltar ao balneário para ir buscar os sapatos de bicos. Mais uns minutos que se perderam!

A garrafa sumiu outra vez. Mais tempo perdido a procurá-la. Que treino tão produtivo! Já chovia. Toca de ir novamente ao balneário buscar o casaco impermeável.

E finalmente consegui fazer o treino de velocidade debaixo de chuva. Seguiram-se mais alongamentos. Tinha de me despachar porque já estava a ficar demasiado tarde.

O treino teve uma hora de duração efectiva, mas quase que até aposto que nem 50% teve de tempo útil. O tempo que eu passei a procurar coisas e a apanhar coisas esquecidas acabou por fazer falta.

É assim! A pressa e a vontade de me despachar acabam sempre por me condenar a atrasar-me ainda mais. Foi demais naquele dia! Espero agora que tal situação não se repita, senão estou tramada com tanto tempo desperdiçado a andar de um lado para o outro.

O estado do tempo em nada diferia do dia anterior. Ameaçava chover a qualquer instante.

Ia no autocarro para mais um dia de trabalho. Desta vez parecia que nada se iria passar. Estava a pensar nisso quando um estrondo na parte traseira me fez acordar para a realidade. As coisas de uma rapariga tinham caído para o chão e andavam espalhadas por debaixo dos bancos.

A Piscina esteve encerrada da parte da manhã para tratamento. Isso significou que o trabalho não foi muito.

À tarde as coisas estiveram normais. Destaque para os alunos de uma escola que demonstravam toda a sua alegria por irem para a Piscina cantando afinadamente o tema do “Gato Fedorento”. Gostei de ouvir! Sim senhor!

Era já o segundo dia consecutivo em que corria desalmadamente atrás do autocarro. Que pontaria!

Na paragem havia obras. Todo o cuidado era pouco. Um pé num buraco ou um escorreganço em areia e era a morte da artista.

Já sei porque é que tinha pressa em treinar! Tinha de ir ainda ao Pingo Doce. Ah! Fui lá mesmo a correr.

E sem stress cheguei a casa. Agora estava nas calmas. Devo-me ter deitado cedo como sempre. O frio começava a apertar.

No Lisboa-Dakar os nossos pilotos ainda continuam de férias em Marrocos. Parece que de lá não saem tão cedo. Mal o Sol começa a aquecer, a choça velha que os transporta começa a escaldar e a deitar um fumo intenso. Assim eles não podem prosseguir.

Situação do dia:
Regressou a loiça partida à cantina. Que novidade! Desta vez eu participei activamente. Alto aí! Não pensem que fui eu que parti a louça. Eu ia partindo um copo também, mas não parti. Quando fui entregar o tabuleiro num dos carrinhos senti que a funcionária o puxava para trás. Parece que um tabuleiro tinha caído no chão e a louça que lá estava tinha partido toda.

Bacorada do dia:
“Isto hoje nem amanhã!” (Expressão típica de impaciência.)

Que ganhe o melhor




Normalmente esta frase costuma ser usada por gente que não liga a Futebol ou que não torce por nenhum dos clubes em confronto no desafio. Neste caso, eu que torço pelas duas equipas também uso e abuso dela.

Se o meu coração bate pelo Benfica, também morro de amores pela Académica e um jogo entre as duas equipas torna-se especial por isso mesmo. Esperar que ganhe o melhor é a resposta mais coerente e mais lógica que darei a quem me pergunta de que lado vou estar.

A noite nem estava muito fria. Rumei ao Estádio à procura da porta por onde deveria entrar para ter acesso a um dos lugares numa bancada por detrás de uma das balizas. Não trazia qualquer tipo de adereço que me identificasse como adepta de qualquer um dos emblemas em confronto. Vestia um casaco preto, uma camisola laranja e umas calças pretas.

Andava por ali a dar uma volta antes de entrar. O autocarro do Benfica era massacrado com fotos e mais fotos. Todos os adeptos sonhavam ter uma foto daquele autocarro encarnado. E eu que não trouxe o telemóvel! Vendo tirar da bagageira do veículo paletes de garrafas de água, um adepto gritou:
- “Então a pinga do Luisão?! Esqueceram-se?!! Coitado! É sempre descriminado.”

Continuo a vaguear em volta do Estádio. Cada vez mais pessoas circulam por aí. Acabei por comprar um cachecol do Benfica (ver foto). Não tinha nenhum. Da outra vez para o Estádio da Luz- aquando daquele Benfica-Sporting que acabaria por ser decisivo na resolução do Campeonato 2004/2005- levei um cachecol do meu pai. Ele tinha dois e emprestou-me um.

Havia um cada vez maior aglomerado de pessoas. Ainda faltava muito para o início do jogo. Vários grupos de pessoas distribuíam folhetos sobre o referendo do aborto. Se soubessem o quanto isso me irrita! Ainda mal começou e eu já ando passada com tamanha palhaçada que se faz em torno desse assunto. Eu lá quero saber disso para alguma coisa? A minha opinião sobre isso é uma só: ISTO É UMA PALHAÇADA!

O que me interessava era dar com a porta de entrada para ir cedo para as bancadas. Perguntei a um segurança e ele lá me indicou a porta que tanto procurava para aceder ao meu lugar.

Finalmente já estou no interior do Estádio. Naquele corredor que acede a diferentes zonas do Estádio. Há que procurar agora o meu lugar enquanto o Estádio ainda está vazio.

Que sorte! O meu lugar é na mesma zona onde eu estive a fazer o voluntariado aquando do jogo entre Portugal e o Kazaquistão. De modos que eu sei perfeitamente onde é. Saiu-me a sorte grande.

Depressa o Estádio ia adquirindo uma interessante moldura humana com o encarnado a sobressair do azul das cadeiras que iam sendo ocupadas.

Ivete Sangalo e outros cantores com as suas canções alegres iam fazendo a banda sonora da noite futebolística em Coimbra. Entretanto mais gente ocupava o seu lugar nas cadeiras azuis.

Cartazes a pedir camisolas a jogadores do Benfica eram mais que muitos. Bandeiras, cachecóis e cânticos davam cor e animação a um espectáculo prestes a iniciar. Estava um ambiente espectacular no Estádio Cidade de Coimbra.

Antes de se iniciar o jogo propriamente dito, havia umas atracções que consistiam em pequenas actuações de grupos musicais da cidade de Coimbra. Uma dessas atracções foi a sempre divertida e excêntrica Orxestra Pitagórica. Apesar da noite invernia de 15 de Janeiro, alguns elementos desse divertido grupo de estudantes vinham apenas vestidos com uma fralda.

Entraram as equipas em campo. A salva de palmas e os gritos de incentivo eram ensurdecedores. Daí a pouco o jogo teria início.

O árbitro soprou vigorosamente no apito e a bola começou a rolar. Os avançados falhavam golos de forma escandalosa de parte a parte. Que nervos!

E se os avançados falhavam, os defesas pareciam estar com a pontaria mais bem afinada. Ricardo Rocha e Léo acabaram por ser os autores dos golos que ditaram a derrota da Briosa em casa por 0-2. Gyano e Nuno Gomes pareciam empenhados numa competição muito particular: ver quem protagonizava o falhanço mais escandaloso. Não sei quem acabou por vencer este duelo, mas o “Rapaz da Camisola às Riscas” poderia ter marcado o tento de honra da Briosa se não enviasse a bola para as bancadas mesmo de frente para a baliza. Por pouco que essa bola não veio ter comigo.

O árbitro também foi insultado. Aliás, será que algum jogo se realize e chegue ao fim sem um insulto ao juiz da partida? Interessante esta questão. Se calhar só mesmo no Vaticano e mais não sei. O insulto que eu mais tecia ao árbitro era “portista”. Nada de nomes feios porque a mãezinha do árbitro não tem culpa dos seus erros e eu não sei se ela aceitou bem o facto de o filho ter abraçado a carreira da arbitragem.

Chegava ao fim o desafio. Os adeptos encarnados brindavam Miccoli com uma canção adaptada de uma do italiano Totó Cotugno bem conhecida. Os adeptos da Briosa também cantavam. Vencidos e vencedores estavam em perfeita harmonia

Soou o vigoroso apito final do árbitro e confirmou-se a vitória encarnada por 0-2. Tinha de sair com calma para não cair nas escadas. Era agora muita gente ali a passar. Começava a chover.

Com toda aquela confusão não vi onde tinha de atravessar e uma alma caridosa ajudou-me. E lá caminhei rumo a casa com os pés gelados. Iria ser complicado adormecer.

Coloquei o cachecol à cabeceira da minha cama e fiquei a contemplá-lo. Lá fora reinava a confusão rodoviária. Eu já estava em casa. Qualquer que fosse o desfecho daquela partida, ficaria satisfeita. Ganhou o Benfica, apesar de não ter sido a melhor equipa em campo. Afinal parece que não ganhou o melhor!

Não tinha dormido bem naquela noite devido a uma forte dor de dentes que me impediu de descansar convenientemente para carregar baterias para mais uma semana de trabalho e de emoções fortes. Nessa noite iria ao Futebol, coisa que já há muito não fazia. Há sensivelmente dois meses, para ser mais precisa.

Estava bastante frio e havia nuvens no Céu. Será que a tradição de chover quando eu me estou para ir embora se vai cumprir? Deus queira que não!

Estava a amanhecer em Vale de Avim. Esperava na rua pelo meu pai. Na ponte de Várzeas ouvi um comboio. Estava no meio da estrada e arredei-me pensando ser outro veículo. Aquele som engana muito.

Já em Coimbra...Escusado será dizer (ou escrever) que o autocarro vinha a abarrotar de gente. Parecia não aguentar nem mais um corpo humano, por mais pequeno e leve que fosse. Ameaçava rebentar a qualquer momento e a qualquer esforço suplementar que se visse obrigado a fazer. De maneira que ia pela rua a velocidade extremamente baixa. Acho que se fosse a pé chegava mais depressa.

Comecei a semana distraidamente. Desta vez esqueci-me de atravessar a rua onde devia. Coisas de uma segunda-feira de manhã!

Não tenho registos de algo que se tenha passado no trabalho. Presumo que tenha sido uma manhã tranquilíssima e rotineira.

Vou saltar aqui uma parte de propósito. Será a “Situação do dia”.

Pelos vistos a tarde também não trouxe grandes embaraços. Terá sido calma e nada fugiu à normalidade.

A confusão já se instalava no trânsito citadino em dia de visita do Glorioso ao Estádio Cidade de Coimbra. Também eu me iria preparar para assistir ao jogo.

Como acima referi, o Benfica venceu a Académica por 0-2. Os defesas Léo e Ricardo Rocha foram os autores dos golos. Já em casa depois do desafio, não conseguia dormir com os pés assim gelados. Para chamar o sono acabei a noite a ouvir música.

De referir que nada sabemos, de há dois dias a esta parte, dos nosso pilotos que participam no Lisboa-Dakar. Começa a ser preocupante.

Situação do dia:
O autocarro que me transportou para o almoço tinha um ambiente acolhedor. O veículo estava quente e apetecia não mais sair do seu interior. Um rádio tocava música calma da Grace Jones. Para quebrar toda essa harmonia, só mesmo os passageiros. Mesmo à minha frente, um idoso resmungava, praguejava, balbuciava...não entendia o que ele dizia. Se calhar nem falava com ninguém e fiquei a pensar que, provavelmente, ele não sabia onde deveria sair. Mais cómica foi a situação de um outro homem. Após várias tentativas para passar a senha na máquina e de esta tocar aquela musiqui8nha que se sabe, o homem constatou que tinha trocado as senhas. Guardou a senha velha e deitou a nova fora. Ele ainda queria ir ao local onde a deitou fora, mas dificilmente a acharia. Há sempre quem tenha lá passado antes, a tenha apanhado e tenha ficado montes de contente por ter poupado cinco euros e tal.

Bacorada do dia:
“Havia um homem...já morreu...Acabou!” (Acho bem que tenha acabado mesmo, é sinal que a alma dele descansa em paz.)

Friday, June 01, 2007

Rabobank 2oo7

Decorreu esta semana a apresentação das equipas da Rabobank para a época de 2007. Mais um ano cheio de promessas e a continuação das boas prestações a que a nossa equipa sempre nos habituou.

Tal como sempre acontece quando se inicia uma nova época desportiva, a expectativa é grande e sonha-se bastante alto. Afinal ninguém nos impede de sonhar com um triunfo colectivo no ranking da Protour e com uma ou mais vitórias em uma ou mais grandes provas por etapas.

Já sem Erik Dekker e Marc Wauters- duas das grandes referências da equipa- houve uma preocupação em fazer regressar outros ciclistas que poderão preencher estas ausências.

De facto Erik Dekker continua bem presente na estrutura da equipa, ao passar para a equipa técnica. As caras novas já não são novidade para mim e para todos os que seguem a Rabobank e o Ciclismo em geral.

Como já tive oportunidade de referir, a Rabobank fez regressar três ciclistas que no passado muito deram à equipa. Estou a falar de Leon Van Bon, Max Van Heeswijk e Koos Moerenhout.

Da equipa continental são igualmente promovidos três atletas: Dmitri, Robert Gesing e Rick Flens. Na minha opinião deveriam ter sido promovidos mais dois ou três, mas a equipa já ficou com um elemento a mais. Na altura o nosso rei da montanha tinha sofrido uma lesão grave e eu fiquei preocupada com o facto de mais um elemento reforçar a equipa. Felizmente ele já está recuperado.

A única cara nova no plantel da Rabobank é Sebastiaan Langeveld- um jovem já com provas dadas no mundo velocipédico. Recorde-se que Langeveld foi Campeão Nacional de sub-23 em 2005 e alinhava na Skil-Shimano na época passada.

A Rabobank Continental é que sofreu uma profunda alteração. Vou levar muito tempo para fixar os nomes e as caras dos jovens que vão fazer parte da equipa. Mais fácil é contar os que ficaram e que confirmarão a sua extrema qualidade. E lá vou eu ter de me habituar a nomes e caras novas que espero que sejam mais-valias para a equipa que tantos jovens tem dado ao Ciclismo mundial.

Na equipa de ciclocrosse, Sven vai abandonar a equipa e rumará à recém-criada Sunweb. Em contrapartida o Campeão do Mundo de juniores Boy Van Poppel é reforço garantido.

Entretanto Sven Nys continua na senda das vitórias que só ele sabe arrancar e ás quais já nos habituou.

Só mais para a frente é que se verá o resultado prático de todas estas mudanças. Vou sentir muito a falta do Erik Dekker na estrada, mas a vida desportiva é assim. Há que dar agora lugar aos mais novos.

Naquela madrugada tudo estava contra mim. Pelo menos parecia estar. Vejam lá que não consegui abrir o meu mail. Até pensei que ele já tivesse ido abaixo e fiquei desesperada. Mais do que isso. Fiquei mesmo passada. Possessa. Sem mail sinto-me nua, info-excluída. E eu que tinha lá todos os contactos dos meus amigos!

Como sempre acontece, fui dormir quando o dia amanheceu. A história do mail não me saía da cabeça. Iria perder tudo quanto lá estava?

O dia amanheceu com nuvens no Céu. Nada que me preocupasse mais que a porcaria do mail não abrir.

Era domingo de Futebol. Destaque para a vitória do Porto por 1-0 no terreno do Desportivo das Aves. Não apontei quem foi o autor do golo. Também não interessa aqui para nada. O que me interessa é que não consegui abrir o raças do mail.

Á noite estive a ver um pouco dos “Grades Portugueses”. No meu entender, deveria ganhar D. Afonso Henriques. Se eu votasse, era a ele que escolhia. Simplesmente porque é graças a ele que existimos enquanto estado independente. Foi ele que enfrentou tudo e todos e lutou para que fôssemos o que hoje somos.

E assim chegava ao fim um curto fim-de-semana na terrinha. Foi curto por um bom motivo, diga-se. Conseguimos colocar os lisboetas na ordem. E a semana que aí vinha? Como correria?

Situação do dia:
A humidade existente no escritório onde está o meu computador faz estragos. O principal afecta o teclado que fica sem escrever alguns caracteres e assim não faço nada. Colocando um aquecedor em cima dele resolve o problema. O pior é quando ambas as coisas aquecem demais. Apanhei um tremendo susto quando o aquecedor deixou de funcionar. Desligou-se porque o teclado já estava quente demais. A barra de espaços até derreteu!

Bacorada do dia:
“O Centro de emprego a mim já me deu muito dinheiro.” (Quando os outros lá chegaram para pedir também, já não havia mais.)

Thursday, May 24, 2007

Para os lisboetas aprenderem


Durante os últimos dias chovram apelos para que todos os associados da ACAPO comparecessem em peso nas respectivas delegações regonais para impedir que as alterações feitas aos Estatutos fossem aprovadas.

Em causa estava toda uma série de mudanças que se conjuugavam todas para retirar poder às delegações regionais e locais que já de si não possuem quase nenhum. So a presença massiva de todos e os votos contra evitaria tal atentado para a nossa associação.

Entre outras alterações, os Estatutos que estavam a votação contemplavam o fim das eleições na delegações locais e regionais, cabendo à Direcção Nacional nomear pessoas da sua confiança para esses cargos. Se isto não é uma ditadura, é uma extrema e gritante falta de democracia. Havia que comparecer mesmo na assmbleia.

As pessoas lá de baixo ainda querem ter mais poder para depalperar ainda mais as delegações do resto do País. Eles são mesmo muito espertos. Como Portugal não é só Lisboa, eles que esperem. Eles que tiram das nossas contas todo o dinheiro que é pedido para a realização de actividades. Deixam as contas a zero e casos dramáticos que são reslvidos pelos dirigentes locais. Quando lhes vamos pedir explicações, eles fogem de nós como se tivéssemos uma doença contagiosa. Isto é tiranismo!

Foram contemplados novos órgãos nos Estatutos. Estes novos órgãos permitiriam aos lisboetas controlar melhor e com rédea bastante curta toda a actividade das delegações do resto do País. Que eu saiba, o 25 de Abril já se deu há quase 33 anos.

O salão da ACAPO-Centro tinha uma moldura humana considerável. Eram os guerreiros que prometiam lutar com toda a garra contra as pretenções de Lisboa. Que eu saiba, ainda não nos foi tirado o dirteito de voto.

Lamentavelmente mais uma vez ninguém da DN se fez representar na nossa assembleia. Lá está! Que mal lhes fizemos ou que mal lhes poderemos fazer. O próprio presidente da DN da ACAPO pertence a esta Deldgação. Talvez tenha medo do confronto com as pessoas que lhe querem pedir satisfações por algumas coisas erradas que acontecem. Até terá medo que lhe batam. Só de me lembrar que ele estava na nosa sala de aulas uma vez e fugiu a sete pés assimque nos viu entrar. Principalmente de mim. Ele deve ter ouvido dizer que eu tinha muito para lhe dizer sobre o tratamento que a ACAPO dá aos associados e especialmente aos atletas da Região Centro. Não ouve o povo. Não estamos em 1936.

Ficámos indignados qunado nos informaram que já tinham sido nomerados por esses lisboetas dum raio os elementos que iriam fazer parte dos novos órgãos. Notem bem! As alterações aos Estatuos ainda não tiham sido votadas. Que dizer e que pensar disto?

O que fazer face a esta tremenda falta de consideração sabíamos nós. Se já estávamos reunidos ali para acabar com toda aquela palhaçada vinda da Capital, agora tínhamos mais motivos para nos unirmos e votar contra esses documentos tão lesivos para o futuro da nossa instituição. Nomear os elementos para os órgãos sem os Estatutos terem sido arovados era o fim!

Na Capital deste belo País a confiança em que o documento passasse nas três assembleias devia rondar os cem por cento. Já houve elementos que tomaram posse e tudo. Deixem estar meus amigos. O povo ainda tem força.

Foi com revolta que todos votámos contra o documento. Restava esperar pelos resultados de Porto e Lisboa. Havia apreensão no ar. Se os lisboetas votassem todos a favor, de nada servia todo o nosso esforço contra eles.

E finalmente chegaram os resultados. Deus foi grande e impediu os lisboetas de cantarem vitória. As alterações dos Estatutos só passaram mesmo em Lisboa. Porto e Coimbra votaram contra. O engraçado é que hove pessoas em Lisoa a votar contra. Coitadas! Devem ter sido condenadas ao ostracismo. De certeza!

Festejámos efusivamente. Estava em causa a sobrevivência da nossa associação que esteve ameaçada pela tirania de Lisboa que poderia fazer o que bem lhe apetecesse. Nós impedimos o pior e ficámo-nos a rir da cara deles que já tinham até nomeado elementos para órgãos que criaram sem que os novos Estatutos fossem aprovados.

É para eles apr3enderem a não ser tão autoritários e tão arrogantes. Eu só queria ser mosca para ver as caras de desalento deles face à derrota dos seus intentos. Que pena eu não ter o dom da omnipresença!

Era sábado. Nada justificava que me levantasse tão cedo. Sabia bem estar na cama e sonhar com coisas sem sntido.

Sonhei que viajava num pequeno avião que planava rente a um pôr do sol maravilhoso de um final de tarde primaveril. A viagem seria para uma festa que se realizava em Espanha e que tinha a ver com a ACAPO. Parece que a minha presença nessa festa chique que tinha inúmeras variedades e imeno glamour esteve ameaçada porque, alegadamente, tove um qualquer problema de saúde.

Deicdi levantar-me. O dia era de Sol e Céu azul. Fui até ao Estádio comprar um bilhete para o jogo entre a Académica e o Benfica. Lá consegui um e segunda-feira lá estarei para apoiar...as duas equipas.

A assembleia escaldante e decisiva que se realizou e que srviu de tma a este texto terminou. Juntamente com os sócios de Águeda, e com o sorriso da vitória estampaado nos lábios, fomos de comboio para depois apanharmos um outro transporte que nos devolvesse às nossas casas. Nós faríamos o resto do percurso de táxi.

No estádio do Restelo Belenenses e Sporting empataram a zero. O jogador Mancuso do Belenenses tentou imitar Ronny do Paços de Ferreira e introduziu a bola na baliza leonina com a mão. Desta vez a equipa de arbiragem viu e não deixou passar o lance em claro. O encontro ficou igualmente marcado pla indisciplina de Carlos Martins que tantas dores de cabeça deu a Paulo Bento que viu a sua equipa ficar reduzida a dez jogadores.

No Lisboa-Dakar foi dia de descanso, mas os nossos heróis não souvberam o que era isso. Tentando recuperar o tempo perdido, continuaram a percorrer as quentes areias do deserto. O GPS funcionou mal e o veículo comportou-se pessimamente. Como se não bastasse tanta falta de sorte, uma tempestade de areia reteve-os por algumas horas em peleno deserto.

Situação do dia:
Não participa no Lisboa-Dakar, mas incomoda muita gente. O automóvel aqui apresentado na oto estava estacionado à entrada da ACAPO em dia de grande afluência de cegos e ambliopes.

Bacorada do dia:
“Jogo mais de luto do que propriamente jogado.” (Quem é que morreu?!)

Ó Luisão olhó balão


Diz que eram quatro da madrugada quando Luisão foi mandado parar pela Brigada de Trânsito. Chamado a soprar no balão, o defesa do Benfica acusou excesso de álcool no sangue.

Como é procedimento normal nestas situações, o brasileiro foi presente a tribunal para dizer de sua justiça. Já no local de treino, Luisão justificou-se numa conferência de imprensa em que confirmou ter sido detido após ter sido confirmado que realmente conduzia com uma taxa de alcoolemia acima do permitido por lei.

O atleta justificou-se com um jantar de amigos, depois da longa viagem que fez desde as Arábias. Naqueles países, realmente, a religião muçulmana não permite que se beba outra coisa para além de chá e aguinha pura. A boa picanha com arroz de feijão preto que os brasileiros tanto adoram também é desconhecida para os homens de turbante.

Chegado a Lisboa, Luisão vingou-se. O repasto foi intenso. Altas quantidades de picanha com arroz do mais natural e feijão preto importado do Brasil foram devoradas por ele e sua família. O repasto foi tão intenso que se estendeu pela madrugada dentro. Depois da picanha, também houve um enorme rodízio à brasileira regado com cerveja fresquinha. Hum! De comer e chorar por mais!

De barriga cheia e sem sede nenhuma, o brasileiro pegou no seu automóvel e regressou a casa. A fria madrugada de Janeiro mostrava os seus rigores aos membros da Brigada de Transito que tinham de fazer alguma coisa para aquecer. O carro dos brasileiros foi, por isso, mandado parar e Luisão lá teve de bufar no balão. O excesso de álcool era o menos para os brasileiros. Se houvesse um detector de picanha e de feijão, acho que ele rebentava com a escala. Conduzir com a barriga cheia também pode originar acidentes e manobras perigosas. Especialmente se comeram feijão preto a acompanhar a bela da picanha.

Estava Sol, mas também estava algum frio- para não dizer mesmo que estava muito frio. Janeiro já se faz sentir com grande intensidade. Aguardem pelos próximo dias para ver que nesta manhã até estava uma temperatura de Verão, se compararmos com alguns dias que aí vêm. Dia 26, por exemplo.

É incrível! Sempre que eu me estou para ir embora, acontece sempre qualquer coisa para me atrasar. Cai alguma coisa no chão para eu me demorar a procurá-la, não sei de alguma coisa que me é precisa, entorno bolachas no chão e tenho de as apanhar, cai roupa ou livros...É demais! Parece praga que me rogaram.

Que bom! O autocarro estava quentinho. Estando lá dentro, não apetecia nada voltar à rua. Saberia bem andar nele sem destino com os pés agradavelmente quentes e sem sentir as agruras do tempo frio lá fora. Mas tenho de sair...Se eu não tivesse que trabalhar, andaria naquele autocarro durante todo o dia. Nem a noite me impediria de dar mais umas voltas pela cidade de autocarro.

Naquela manhã o computador resolveu complicar. Estava lento demais e dava uns erros esquisitos. Se demorou uma eternidade a procurar uma escola, foi anormalmente rápido a encontrar outra. Foi o fim do Mundo com ele!

Depressa chegou a hora de ir almoçar. Quando regressei, ainda ouvi parte das notícias. Uma notícia curiosa chamou-me a atenção. Uma encarregada de educação de um aluno protesta porque não queria que o filho passasse para o 5º ano. Diz que a criança não está preparada para prosseguir e não o deixa ir às aulas. Essa é boa! No tempo em que eu estudava, havia pais que iam demonstrar a sua raiva e descontentamento porque os filhos reprovavam. E posso dizer que não eram nada meigos nos insultos aos docentes, especialmente aos directores de turma. Vi uma vez uma encarregada de educação de uma miúda da minha terra a dar tamanho escândalo que nem os outros encarregados de educação- minha mãe incluída- poupou nas suas críticas. Chegou mesmo a dizer que a filha não passou de ano porque ela não tinha o hábito de oferecer presentes aos professores como, por exemplo, a minha mãe fazia para eu e a minha irmã não chumbarmos. Ora essa!

O problema com o computador foi definitivamente resolvido e não houve chatices da parte da tarde.

Depois de sair do trabalho fui até à sede da Briosa visitar o pessoal e procurar um bilhete para o jogo da próxima segunda-feira com o Benfica. Chamou-me a atenção aquele rapaz alto e magro que envergava uns jeans azuis e uma camisola às riscas. Conhecia-o. Havia lá um funcionário na Académica que era assim como ele, segundo a minha percepção de toupeira. Perguntei a esse rapaz se estava tudo bem, mas ele não me respondeu.

Instantes depois, a secretária da Académica chegou e cumprimentou-me com grande alarido. Ficou agradavelmente surpreendida de me ver por lá. Ela desculpou-se por não ter tempo para conversar comigo porque tinha uns assuntos a tratar com o Gyano. Eu perguntei-lhe onde é que ele estava e ela disse que ele estava mesmo ao pé de mim. Toupeira dum raio! Então não é que o Rapaz da Camisola às Riscas que eu cumprimentei quando entrei julgando ser o funcionário da Secretaria era, afinal, o Gyano! Como ele ainda não domina a Língua Portuguesa não me respondeu quando eu perguntei como iam as coisas. Quando lhe falei em Inglês ele já percebeu.

Minutos depois, chegava o genuíno funcionário da Académica que eu confundi com o Gyano. Vestido de ganga, ele é ligeiramente mais forte, apesar de ser praticamente da mesma altura. É, no entanto, menos jovem que o avançado húngaro da Briosa.

Sentei-me um pouco à espera da minha orientadora de estágio. Preparavam-se os jogos do fim-de-semana e os miúdos treinavam Futsal. Os cromos que a minha orientadora de estágio idealizou quando eu lá estava estão a ser um sucesso e vendem-se a ritmo alucinante. Os miúdos deliram com eles. Ainda bem! Ela trabalhou tanto neste projecto que merece o sucesso que está a ter.

A minha orientadora de estágio chegou finalmente e estivemos alguns minutos a conversar. Na sede da Briosa não havia bilhetes para o grande jogo. Havia que ir ao Estádio comprar.

Foi o que eu fiz. Era noite cerrada e o frio era intenso. Caminhava ao longo do Estádio. Nessa altura deveria estar lá dentro a treinar, mas não treinei por ter ido à sede da Académica. A bilheteira estava fechada para meu azar. Voltaria lá no dia seguinte. Não queria por nada perder aquele jogo. E eu que sou adepta dos dois emblemas!

Finalmente cheguei a casa. Para se protegerem do frio, os dois gatos pretos resolveram dormir um pouco no quentinho do sofá da sala. Se os deixassem, dormiriam lá de bom grado até de manhã.

O final do dia foi passado a ver televisão. No dia seguinte havia uma assembleia decisiva para o futuro da ACAPO. Levantar-me –ia mais tarde.

Algures em Marrocos, os nossos representantes no Lisboa-Dakar prosseguiram alguns quilómetros e continuam a percorrer esse território do Norte de África. Para sobreviverem, andam a vender por irrisórias quantias em dinheiro os produtos que os patrocinadores lhes ofereceram. Recorde-se que parte dos patrocinadores são empresas de medicamentos que aliviam os problemas digestivos, tais como: diarreia, má digestão, náuseas, vómitos, dores de estômago, prisão de ventre e acumulação de gases. E lá se vai o chá dos marroquinos!

Só agora reaprei- e não deixa de ser cómico- os nossos pilotos andam porta a porta a impingir algo aos marroquinos? Essa é boa!

Ah! Já me esquecia, os nossos jovens também transportam folhetos com o endereço deste humilde blog. Só que os marroquinos não vão entender uma única palavra porque eu não sei Árabe e traduzir estes textos enormes para Francês dá imenso trabalho.

Situação do dia:
Na paragem do autocarro um casal de idosos resolvia a sua vidinha e tentava organizar-se da melhor maneira. Diz a senhora para o marido que se movia com extrema dificuldade e com o auxílio de canadianas:
-“Eu vou a pé, que me faz melhor, e tu vais de autocarro.”
Com nítida dificuldade, o idoso entrou no autocarro. Cambaleando por força dos seus problemas físicos, vasculhava os bolsos à procura do passe ou de uma senha para poder viajar. Estava a ser difícil encontrar e o homem não se sentava. Era o Deus-nos-acuda sempre que o autocarro travava ou executava um movimento mais brusco. O homem ameaçava estatelar-se no chão ou ir contra o vidro e magoar-se imenso. Por fim, lá achou uma senha (ou comprou uma) mas não a soube passar na máquina correctamente. A máquina manifestou-se com aquela musiquinha bem engraçada a que eu já fiz referência num destes dias. Comentário do homem após várias tentativas de passar a senha sempre de forma incorrecta:
-“Logo via que a música era diferente!”
Resta dizer que o senhor saiu nos HUC. A viagem também era curta. Se a esposa chegou ou não primeiro que ele indo a pé, não sei responder.

Bacorada do dia:
“As toucas custam 10 cêntimos?!!” (Liquidação total! Venham!)

Paguem e não bufem

Na passada semana surgiu uma notícia que chama a atenção a quem, como eu, se interessa pelo mundo do Desporto, especialmente pelo Futebol. Parece que o Governo vai obrigar os futebolistas a pagarem os seus impostos como a maioria dos cidadãos que trabalham em outras actividades.

Acho inteiramente justo que os futebolistas que são, na sua maioria, bem remunerados paguem impostos. Afinal exercem o seu trabalho como outra pessoa qualquer. A desculpa de que a sua profissão é de desgaste rápido e que a actividade desportiva deve ser tratada aparte não pega.

Apesar de reconhecer que a actividade desportiva engloba um risco acrescido, também concordo que os atletas paguem impostos e tentem dar o exemplo a todos aqueles que os admiram e que vêem neles um modelo social.

Se um cidadão que trabalha de sol a sol numa exploração agrícola e é mal remunerado contribui com os seus impostos, um desportista que ganha num mês o que muitos desses trabalhadores ganham em anos não fica mais pobre se cumprir com as suas obrigações fiscais.

José Sócrates e seus pares estiveram bem ao dar igual tratamento aos futebolistas. São largos milhões de euros que serão recolhidos se essa lei for mesmo para a frente. Se o Futebol é uma das principais fontes de economia de Portugal, o país tem de tirar o melhor partido disso mesmo.

Penso que de nada vale haver uma greve de jogadores de Futebol. Se eles fazem greve porque se recusam a pagar impostos, acho que os camponeses, os pescadores, os mineiros, os bombeiros profissionais, os motoristas, os trabalhadores da construção civil e demais representantes de profissões em que o risco é elevado também deveriam fazer greve.

Resta aos jogadores que alinham no nosso Campeonato acatar as ordens impostas pelo Governo e colocar os impostos em dia.

Sei que uma carreira desportiva de alto nível acaba cedo e, por vezes, de forma abrupta mas há sempre uma alternativa para o atleta viver o resto da sua vida sem sobressaltos económicos. Por isso é que é de extrema importância conciliar os estudos com o Desporto de Alta Competição.

Outra forma de garantir o futuro depois do desgaste da carreira é investir ou poupar o dinheiro que se angariou de modo a não se temer o futuro.

Não será certamente por pagarem os seus impostos que os jogadores ficarão mis pobres. Pelo contrário. Ganham a riqueza da credibilidade e da confiança por parte dos adeptos que tanto os admiram e apoiam dentro e fora dos relvados.


Tenho andado a dormir mal e não sei a razão. Será do tempo que de repente se tornou frio e seco?

Pela manhã os pombos já percorrem a cidade. Não se importam com o frio intenso da manhã. Um deles chegou mesmo a esvoaçar por cima da minha cabeça. Apanhei um valente susto.

Na Piscina apontei o número de crianças de uma escola com um lápis vermelho. O número destoava dos outros e eu ria-me. Foi o que estava mais à mão para eu escrever.

A tarde passou de forma tranquila. O treino marcado para esse dia foi algo semelhante à última sessão. Corri trinta minutos. A alteração foi que- em vez de fazer duas séries de cinco minutos rápidos com cinco de intervalo a ritmo normal- fiz três séries de três minutos rápidos e duas igualmente de três minutos a ritmo normal. Foram mais de dez voltas dadas a uma das pistas de fora, tal como na passada terça-feira. Também completei a restante meia hora de que ainda dispunha para fazer alongamentos.

Judite de Sousa iria entrevistar naquela noite Ricardo Araújo Pereira do “Gato Fedorento”. Imperdível!

De referir que adormeci e não vi as “Paixões Proibidas”.

A etapa do dia do Lisboa-Dakar ficou marcada por cenas de pugilato entre dois pilotos franceses. Eles devem ter visto as imagens do emocionante combate entre Luiz Fabiano e Diogo no outro dia. Quiseram fazer igual, mas não resultou tão bem.

Entretanto o nosso veículo anda por aí algures. Não sabemos onde ele está desde ontem à tarde- altura em que a ligação ficou completamente cortada. Ela que já nos chegava com muitas falhas e interferências. Vamos ver se eles dão sinal e se nos informam do que andam a fazer. Se quiserem, é claro!

Situação do dia:
Na cantina fui a pegar no prato para o meter no tabuleiro e enterrei as mãos no arroz.

Bacorada do dia:
“Eu sou muito extêntrica!” (Muito quê??!!!!)

Tuesday, May 22, 2007

Autocarro fedorento


Sempre atenta a tudo o que se passa a meu redor, dou por mim a observar tudo e mais alguma coisa minuciosamente. Todos os meus sentidos estão em estado de alerta. Todos mesmo. Até a escassa visão que tenho serve para observar a realidade que eu capto na minha rotina diária.

O facto de andar muito de autocarro e de encontrar lá todo o tipo de pessoas leva a que siga ao pormenor o que se passa em cada viagem. Todos os dias tem de acontecer algo novo e engraçado.

Falei num texto anterior de uma conversa interessante sobre o vestuário de ontem e de hoje. Agora vou falar de algo menos agradável que se vê muito nos autocarros. Infelizmente.

Ah! Não se vê, sente-se. Entra-nos pelas narinas e provoca em nós sensações de repulsa, de desagrado...Enfim.

Muita gente viaja diariamente de autocarro. Não admira que os veículos cheguem ao final do dia com uma amálgama de cheiros impregnada no seu interior. Uns mais agradáveis que outros.

No fim de almoçar apanhei um dos autocarros que vai para o hospital. Vinha da cantina e o cheiro da comida apoderou-se do meu casaco. Era um cheiro agradável, sobretudo para quem ainda não tinha almoçado.

O mesmo não se pode dizer de certos odores que certas pessoas transportam para dentro dos autocarros. O que me causa ainda mais impressão é que essas pessoas têm, muitas vezes, como destino o hospital. Tenho pena dos profissionais de Saúde que têm a má sorte de atender pessoas que não cuidam da sua higiene mais elementar.

Sempre que eu sinto que alguém cheira desagradavelmente mal, a primeira paragem que eu imagino para destino final é a dos HUC. Acerto em mais de noventa por cento das vezes. Na sua maioria são pessoas de uma certa idade e que aliam a falta de higiene a outra característica- não sabem como picar as senhas e desconhecem o local onde vão parar.

Mas a família dessas criaturas deixa-as ir assim para o médico? É incrível! Coitado do médico que tivesse de atender o avozinho que vinha atrás de mim no autocarro. O intenso cheiro a urina que emanava do indivíduo não o deixaria avaliar o seu actual estado de saúde com precisão.

Mas nem só de falta de higiene pessoal vivem os autocarros fedorentos. Aconteceu também cheirar desagradavelmente a naftalina. A traça já não iria, certamente viajar naquele autocarro. A criatura até devia trazer bolas no bolso. Doses industriais delas mesmo.

Outro aroma mais habitual, mas igualmente desagradável é o cheiro a tabaco. As pessoas fumam na paragem enquanto esperam nervosamente pelo autocarro. Quando o avistam, apagam os seus cigarros à pressa e entram ainda a fumegar. É horrível.

E assim se fez mais uma viagem até aos odores sentidos no interior dos autocarros. São eles os nossos companheiros de uma viagem curta, mas intensa.

Parecia mais um dia de Primavera do que de Inverno. Estava mesmo um velo dia para se andar a passear na rua.

È incrível! Sonhei com um cão preto que tive quando era criança. Onde é que eu fui buscar essa?

Como acontece às quartas-feiras, fui até à ACAPO. Consultei os mais e consultar outras páginas da Internet que me dizem respeito.

Depois do atendimento, havia que retomar o trabalho normal. Fiquei furiosa porque o autocarro arrancou quando eu estava a chegar à paragem. Que nervos!

Tive de esperar largos minutos pelo autocarro seguinte. Foi durante esse período que passou um carro funerário com umas flores azuis-celeste sobre um caixão. Ninguém fica indiferente à passagem desses veículos da morte.

Nada houve de relevante nessa manhã. À tarde haveria mais trabalho.

Cheguei a horas. E lá fiz asneira! Tirei uma senha para uma menina que, afinal tinha cartão.

O Glorioso defrontava a Lazio no Torneio do Dobai. O jogo voltou a ser decidido através de pontapés da marca de grande penalidade. Moreira que foi titular nesse jogo defendeu 3 penalties, sendo um deles do próprio guarda-redes da Lazio.

A Lazio tem muitos jogadores que são meus velhos conhecidos. Conheço há muitos anos o albanês Tare que também foi um dos que falhou a grande penalidade. É um jogador que eu distingo bem ao longe pela sua peculiar fisionomia.

Makinwa conhecia um que jogou no Setúbal aqui há uns anos e que era conhecido, simplesmente, por Maki. Consultando a página oficial do clube romano acabo de constatar que não é o mesmo. Provalemente serão da mesma família.

A vitória encarnada no Torneio do Dobai ficou selada com o pontapé vitorioso do jovem Pedro Correia.

Infelizmente a morte de um motociclista e lutou a caravana do Lisboa- Dakar e veio relembrar a todos os participantes que todos os dias e em cada trajecto o perigo espreita.

Alheios a isso, os ossos pilotos continuam em Marrocos e de lá não sairão tão cedo. Ontem deixaram o autocarro num local e foram em busca de uma aldeia perdida num local onde uma casa é uma perfeita miragem. Apanharam um pequeno susto porque já não sabiam onde tinham deixado o veículo, mas logo o localizaram graças ao fumo que ele continua a deitar. De referir que eles afastaram-se ainda alguns quilómetros.

Bacorada do dia:
“Há muitos jogadores que têm dupla nacionalidade portuguesa.” (São os chamados portugueses de alma e coração.)

Monday, May 21, 2007

O Beira-Mar e os Espanhóis

Ventos de mudança começaram a soprar em Aveiro ainda enquanto decorria o encontro entre o Beira-Mar e o Santana a contar para a Taça de Portugal.

Vindo de Espanha, o vento anunciava que nada iria ser como dantes no clube aveirense que ocupa os últimos lugares na tabela classificativa da Superliga.

Dizia-se que Carlos Carvalhal iria deixar o comando técnico da equipa e que para o seu lugar seria colocado pelos novos investidores o ex-jogador do Maiorca Francisco Soler. Não acreditando muito em tais notícias, os repórteres correram em busca de as confirmar ou desmentir.

Tudo isso é verdade. Uma empresa de agenciamento de jogadores de Futebol com sede no País Vizinho vai investir fortemente no Beira-Mar e colocará na equipa alguns jogadores ligados à empresa.

Os sócios do Beira-Mar já ergueram as suas vozes contra a decisão tomada pela Direcção, liderada por Artur Filipe, de deixar que os espanhóis tomem conta do clube. No entanto a decisão parece ter como objectivo imediato tirar a equipa da situação aflitiva em que se encontra e ajudar a equilibrar as contas.

É uma decisão arrojada. A razão falou mais alto que o coração e a direcção do Beira-Mar achou que era necessário fazer algo para os objectivos serem atingidos. Assim é o Futebol de hoje. O coração pouco conta num mundo em que o milhão é rei.

O Futebol de hoje deixou de ser o mero pontapé numa bola e passou a ser uma indústria global, capaz de mover um elevado capital. É usual em Inglaterra grandes empresas investirem ou comprarem mesmo grandes equipas de Futebol, chegando até a custear novos recintos desportivos para as mesmas.

Portugal ainda não acordou para essa realidade que só agora com o Beira-Mar parece começar a instalar-se. Há alguns anos atrás, o clube aveirense realizou um acordo semelhante com uma empresa britânica similar a esta. Nessa época, o melhor que o Beira-Mar conseguiu foi um excelente jogador que eu ainda hoje tenho pena de não ter sido aproveitado pelos grandes do nosso Futebol que preferem ir ao Brasil abastecer. O Benfica que o diga! Esse atleta com nome de antivírus bloqueou os nossos defesas ao ponto de nem pernas terem para um outro jogador que não era muito rápido, mas que apontou dos golos em pleno Estádio da Luz.

De referir que nessa época o Beira-Mar desceu de divisão, apesar do esforço final de Augusto Inácio que entretanto tomou conta da equipa. Veremos o que acontece este ano. Costuma-se dizer que “de Espanha nem bom vento, nem bom casamento”. Os adeptos do Beira-Mar esperam que esta aliança traga, a curto prazo, os seus frutos. Veremos se a história não se repete.

Ultimamente os sonhos andam a ser um pouco estranhos. Cómicos até. Na noite anterior sonhei com uma assembleia que não havia meio de começar. Hoje sonhei que estávamos a fazer uns exames para um qualquer projecto de voluntariado Procurava uma casa de banho que tivesse uma porta que fechasse, mas todas as casas de banho iam dar a um corredor e nenhuma delas tinha porta.

Apanhei o autocarro bem cedo. Começava também mais cedo uma manhã de trabalho.

Um acidente provocado, segundo dizem, por um velho já muito idoso que ainda anda na estrada a conduzir fez com que o trânsito não circulasse com normalidade. Atrasei-me imenso. Como é bom de calcular, a fila na cantina era enorme quando finalmente cheguei à escola. Acho que nunca me atrasei tanto. Bem, valeu o facto de ter chegado mais cedo de manhã.

A tarde também passou sem incidentes. Já bastava o atraso do autocarro. Foi enorme.

Depois da gloriosa tarde de sábado eis-me de regresso aos treinos. O apronto consistiu em trinta minutos de corrida. Quinze minutos foram reservados para aquecimento e os restantes quinze para duas séries de cinco minutos de corrida mais rápida, alternados com outros cinco minutos de corrida normal. No total percorri pouco mais que dez voltas a uma pista de fora. Os alongamentos encerraram- como sempre- um apronto que decorreu dentro da normalidade. Pelo menos eu não tenho aqui qualquer coisa anormal apontada.

A noite caía. A estreia da novela “Paixões Proibidas” baseada na obra de Camilo Castelo Branco ocupou a minha noite. Eu não gosto de novelas, mas esta será diferente. Quero ver o que foi feito com essas obras.

Situação do dia:
Alguém entrou nas instalações da Piscina da parte da tarde e voltou a sair sem falar com ninguém. Visita rápida ou engano no local que procurava?

Bacorada do dia:
“É Natação ou é Piscina?” (Hidroginástica)

No meu tempo não era assim


Andar todos os dias em transportes públicos urbanos é cansativo. Porém é dentro dos autocarros amarelos que se vivem e presenciam histórias mirabolantes. E as conversas cruzadas? São do melhor e mais enriquecedor que há.

O incrível é que há determinadas conversas que começam numa ponta do veículo e percorrem-no até ao extremo oposto. Um fenómeno difícil de explicar à luz da Ciência.

As conversas mais frequentes nos autocarros são sobre a vida alheia. Falam dos vizinhos, dos filhos, dos conhecidos, dos familiares mais afastados...Tudo menos da sua vidinha que parece não padecer dos defeitos da vida dos outros.

Outro tema com muita saída nos autocarros é a desgraça. São as catástrofes, os acidentes e as tragédias. É raro o dia em que não ouça alguém a lamentar-se da sua pouca sorte ou da sorte que tem um familiar. Uma notícia que comova a sociedade também é espremida ao máximo por quem melhor sabe comentar- o povinho.

A actualidade também se discute dentro dos autocarros citadinos que percorrem as ruas de Coimbra. A crise, as novas regras e o estado do tempo têm assento em autocarros que costumam vir lotados.

Mas hoje venho falar do tema favorito das pessoas de uma certa faixa etária mais avançada- as recordações do passado e as comparações entre ele e os dias de hoje.

Tovim é um local que inspira as pessoas a dar à língua. O autocarro faz uma paragem de alguns minutos que parecem horas. Isso não tira minimamente a vontade de falar a algumas pessoas mais idosas que não estão sujeitas à correria da nossa vida.

Duas senhoras de uma certa idade trouxeram para cima da mesa, ou melhor, para cima dos assentos do autocarro, um tema deveras interessante: a indumentária usada nos dias de hoje e o vestuário usado no tempo em que aquelas duas criaturas eram jovens e tinham sonhos.

Com certo sarcasmo e com alguma ponta de inveja, as senhoras criticavam a forma arrojada como os jovens de hoje andam vestidos. Do rol das suas recordações constam as parcas peças de roupa de que dispunham e que não lhes davam alternativas para se apresentarem bonitas.

Os vestidos de chita bem prendados e em quantidade reduzida marcavam a indumentária feminina de há meio século atrás. Nem pensar em usar calças. Nem sonhar com ousadas mini-saias.

Para além de terem pouca roupa- normalmente tinham dois ou três vestidos, sendo um deles para levar à missa no domingo- as idosas lamentavam o controlo a que na altura eram sujeitas por parte dos pais que lhes impunham o que deveriam ou não vestir.

Depressa a conversa se estendeu a outros idosos que estavam sentados na parte de trás do veículo. Passados alguns minutos a conversa estendia-se e a mistura de vozes gastas pelo passar dos anos fazia-se ouvir. Os jovens olhavam sem tomar parte naquele desdobrar de memórias dos avozinhos.

Sentada ao lado das senhoras que deram o mote para a discussão, eu ia reflectindo sobre tudo o que ouvia. Concluí que não gostaria de ter vivido naquela altura. Tenho aversão a saias ou vestidos e gosto de vestir o que me apetece, de modo a ter uma aparência descontraída e desportiva.

Graças a Deus que tenho oportunidade de viver no século XXI. No meu tempo as coisas são assim e cada um veste da maneira que mais lhe agrada. Vestidos de chita só nos concursos para o efeito que todos os anos se realizam em Anadia.

Oh não! Que vida a minha! Todas as segundas-feiras a mesma coisa! Ameaça chover e eu ainda tenho de ir de motorizada apanhar a camioneta para Coimbra.

Ainda esperei longo tempo pela camioneta que se atrasou. Eu não me lembro se alguma vez ela chegou a horas decentes. Acho que nunca. Pelo menos sempre que eu tenho de a apanhar, ela nunca chega a horas.

Em Coimbra o autocarro que me transporta para Celas é o mesmo que transporta inúmeras pessoas para as unidades de Saúde mais importantes da cidade. Nem se consegue respirar dentro daquele autocarro. Se as pessoas estão doentes, mais doentes se apresentam no médico. São tantos os empurrões, puxões, apertões que dão cabo da pouca saúde que as pessoas já levam. Devia haver um desdobramento para evitar tal confusão. Mas há mais autocarros que vão para os HUC e as pessoas precipitam-se para dentro do que vem primeiro. Até se matam para entrar primeiro que a pobre velhinha apoiada em canadianas que vem lá atrás e já levou 5846155 encontrões.

Se reclamam que o autocarro vem cheio, a culpa é delas. Aposto em como o seguinte não encontra ninguém na paragem. Ainda os autocarros não chegaram e já há pessoas passadas na paragem porque a consulta estava marcada para as oito e meia e o autocarro já está atrasado. Depois é a selva nua e crua.

Dada a confusão que grassava num autocarro, que nem sei como consegue mover as rodas de tanto peso que leva, tive de sair numa paragem diferente e pela porta dianteira. Por esse facto me confundi um pouco no caminho. Mas tudo acabou por correr bem.

Do local onde me encontro a trabalhar é possível ver o que se passa na rua. Uma criatura passou por lá com um chapéu muito cómico. E se chovesse? Ia ser de morrer a rir!

A chuva caiu mesmo ao final da manhã quando eu ia a sair para almoçar depois de uma manhã normal de trabalho.

Depois do almoço apanhei um autocarro que também teve uma longa paragem junto do hospital. Reparei num cartaz que lá existia e que chamava a atenção para os problemas da Saúde em Portugal. Até tirei uma foto.

A tarde ficou marcada por uma pequena falha de luz de origem desconhecida. Depois fui para casa acabar de ver o jogo entre o Benfica e o Bayern de Munique a contar para o Torneio do Dobai.

No autocarro umas raparigas seguraram-me quando ele travou. Por falar nisso, quando fui almoçar ia para me enfiar noutro autocarro.

Para minha sorte o jogo foi para prolongamento e teve de ser decidido por penalties.
Moretto mostrou que é especialista neste tipo de lances e defendeu dois remates dos jogadores da equipa alemã.

O Desporto dominava mesmo a actualidade naquele fim de tarde. Confirma-se que o Beira-Mar vai receber forte investimento de uma empresa espanhola de agenciamento de jogadores. Isso trará profundas mudanças na estrutura do plantel profissional. Desde logo o comando técnico da equipa fica a cargo do espanhol Francisco Soler.

Também de Espanha chega a notícia de um exemplo de interdisciplinaridade no Desporto. De Futebol, os jogadores Luiz Fabiano (que teve uma ténue passagem pelo Porto) e um jogador uruguaio do Maiorca chamado Diogo passaram para um combate de boxe de fazer inveja a Mike Tyson. Os amantes das duas modalidades não deram por mal empregue o dinheiro dispendido nos ingressos. Ficaram satisfeitíssimos. Diz-se que um ferrenho adepto do Sevilha convidou um seu amigo que detesta Futebol, mas que adora lutas, para o acompanhar ao estádio. O indivíduo resistiu, mas acabou por experimentar. Ao ver o espectáculo oferecido por aqueles jogadores sul-americanos já diz que vai adquirir um bilhete de época para ele e para uns seus amigos que praticam Vale Tudo. Há muito que aprender com estes exímios desportistas vindos, precisamente, dos países onde não basta apenas saber jogar à bola, também é preciso ser bom na porrada.

Ao final da noite, questões relacionadas com a falta de água nas torneiras da casa de banho e o mau estado do autoclismo levaram a uma acesa discussão entre mim e a minha senhoria.

No Lisboa-Dakar cumpriu-se o terceiro dia de prova já em terras marroquinas. O nosso autocarro ficou retido numa pequena aldeia devido a uma avaria que não pôde ser resolvida em tempo útil. Os restantes veículos motorizados seguiram rumo a mas uma etapa.

Situação do dia:
Aquando da marcação da sua grande penalidade, Luisão chutou a bola com tanta força que deve ter feito um buraco na rede da baliza. Pelo menos a bola saiu por trás.

Bacorada do dia:
“Chupicao” (Chipicao, naturalmente.)