Saturday, March 05, 2011

O colchão da minha cama




Há sonhos tão surpreendentes que é difícil saber o que lhes deu origem. É também incrível como experimentamos algumas sensações desagradáveis tal como se elas fossem reais.

Desta vez o cenário principal era o meu quarto lá de casa. Quando me sentei em cima da cama, logo senti o colchão ir abaixo. Reparei que algumas molas estavam partidas e que havia grandes buracos na sua superfície.

E agora? Como contar aos meus pais que o colchão estava neste estado lastimoso? E fazer com que eles acreditem que não fui eu que o estraguei a saltar em cima dele? Será que tinha de comprar um novo? Era a solução encontrada e substituir o danificado sem que eles dessem conta.

Mais uma vez sonhei com o Festival da Canção só com músicas foleiras e artistas desconhecidos. Que grande seca!

Ainda sobre o texto anterior, sonhei que recebi uma chamada anónima mas a pessoa não adiantou o assunto.

Também sonhei com a versão canina dos gatos Mong e Léo, agora andam ambos em parte incerta.

Mais um dia que se iria passar sem Internet. Ela que me faz tanta falta.

Afinal alguém lê isto

É incrível! Sempre que eu imploro que me comentem os meus textos mais elaborados nada aparece. Isto levava-me a pensar que ninguém lia as minhas “obras”. Como estava enganada!

Acabo de descobrir o segredo. Sempre que escrevo um texto mais mordaz, a dizer mal de alguém, eis que chegam pessoas para dizerem algo sobre o que eu escrevo. A partir de agora vou fazer isso! Depois quando os visados me vierem pedir satisfações, eu argumento que de outra maneira ninguém leria o texto.

Fiquei espantada quando vi que certo texto, que não é dos meus “best-sellers” que eu quero a todo o custo que comentem, tinha a indicação de dois comentários. Eh lá! Dois comentários só neste texto? Deixa cá ver se estou a ver bem?!

Confirmei novamente e de facto havia dois comentários no mesmo texto. Que coisa inédita. E lá fui eu ler o que diziam sobre o post em questão. Dirigiam-me críticas e defendiam-se dos meus ataques nesse post. Que bom! Um texto meu já a causar polémica! Sempre é melhor que nada! Ao menos leram-no e comentaram-no.

Aguardo com fervor o dia em que Cristiano Ronaldo, Luís Alberto, Cardozo e outros apareçam aqui para comentar os posts em que eu demonstro á descarada que não morro de amores por eles.

Em contrapartida, não espero ver neste meu humilde espaço que afinal tem leitores qualquer comentário de pessoas de quem eu só digo maravilhas tais como Messi, Marianito, Jara, Joaquim Ritta e outros.

A partir de agora direi mal de tudo o que mexa e tenha duas mãos para teclar uns comentários sarcásticos aos meus textos. Não se admirem!

A boa da caminhada

Que bem que soube esta caminhada! Numa manhã algo nublada mas sem chuva, mesmo com uma enorme mochila às costas, meti pés ao caminho e fui até à paragem da camioneta. Há quanto tempo não fazia isto!

Nada de ir por atalhos, como acontece nos sonhos. Fui sempre a direito. Acompanhada pela música do meu mp3, fui galgando quilómetro atrás de quilómetro sem me importar com o cansaço que iria sentir por já não estar habituada a estas coisas.

Nada de cansaço. Quando finalmente cheguei ao meu destino, uma estranha sensação de felicidade invadiu-me. Senti-me realmente bem e com uma paz de espírito inabalável, pronta para enfrentar as agruras de um dia que prometia algumas preocupações.

Desde logo havia que começar por resolver o problema da Internet. Agora o cartão estava bloqueado. Tudo se iria resolver...ou talvez não.

Friday, March 04, 2011

Para uma grande assistência, um grande jogo

O Benfica venceu o Vitória de Guimarães por 3-0 numa partida com quase cinquenta e cinco mil espectadores nas bancadas da Luz e com jogadas de verdadeiro corte artístico. O resultado peca por escasso face ao domínio avassalador do Glorioso.

Desde início que o Benfica se apoderou do domínio da partida. Com jogadas impressionantes, Gaitan fazia vibrar as bancadas repletas de gente.

O golo surge apenas aos vinte e quatro minutos marcado por Sidnei que começa a ter o hábito de aparecer na área aquando da marcação de lances de bola parada. Nessa altura já o Benfica dominava o jogo e o Guimarães mostrava-se algo atordoado face á qualidade de Gaitan e seus pares.

O intervalo surgiu com um magro 1-0 no marcador. O Benfica chegou a ter uns impensáveis setenta e nove por cento de posse de bola- algo muito raro no nosso campeonato.

Aos quarenta e nove minutos Sidnei retribui a Aimar o passe para o seu golo. Com uma magnífica recepção de bola, o argentino marca um espectacular golo.

O Benfica continua a carregar fortemente. O público não se arrepende de ter respondido à chamada em largo número. É um ambiente maravilhoso.

São anulados dois golos ao Benfica. Ambos os lances suscitam algumas dúvidas. A Cardozo o golo foi anulado por presumível fora de jogo e a Saviola a equipa de arbitragem terá visto alegadamente um domínio da bola com a mão. Poderiam ser dois golos para dilatar mais a vantagem.

É assinalada grande penalidade num lance que envolve João Alves e Saviola. Chamado a converter, Cardozo falha mais uma vez. Mas para que é que o paraguaio insiste em converter estes lances? Não há lá outro jogador capaz de marcar grandes penalidades com outro resultado? É que já começa a meter nervos!

Entretanto foram feitas duas substituições no Benfica: Carlos Martins substituiu Aimar e Jara substituiu Saviola.

Poucos segundos depois de estar em campo, Jara tentou um dos seus habituais remates de longe que às vezes até acertam na baliza e dão golos monumentais. Não foi o caso desta vez.

Ainda houve tempo para Jardel entrar para permitir que Luisão fosse substituído em dia de aniversário e sentisse a experiência de ser aplaudido de pé por mais de cinquenta mil pessoas.

Carlos Martins colocou um ponto final no belo espectáculo com um impressionante chapéu ao guarda-redes Nilson. O Estádio vibrou com este lance.

Foram três mas poderiam ter sido seis ou mais. De facto o Benfica dominou o jogo e atingiu marcas inatingíveis para qualquer outra equipa do nosso Campeonato. Como é bom ser benfiquista! Que orgulho!

Castrati

Se eu não soubesse o que deu origem a este sonho, rir-me-ia a bandeiras despregadas. À partida pode parecer um pouco estranho ou curioso, mesmo para um sonho, mas é extremamente normal sonhar com isto depois de ler um pouco da história da vida de Casanova.

Num programa de detecção de talentos desses que estão em voga, um rapaz da minha terra, que andou connosco na escola, mostrava o quanto cantava bem. Na realidade ele sempre gostou de cantar. Lembro-me de numa ocasião, no recreio da escola, ele cantar à sua maneira a canção “Susana” dos Queijinhos Frescos. Só que ele substituía “quando acordas bem cedinho” por “quando acordas de manhã”. Na altura ri-me e já lá vão quase trinta anos.

Apesar de ter sofrido um grave acidente de viação há uns anos, o seu gosto por cantar até se intensificou. Dizem que ele é especialista em cantar músicas dos Irmãos Verdades nos karaokes da região e até participa em concursos.

No sonho ele tinha uma voz harmoniosa, incrivelmente infantil e aguda. A baixa estatura que na realidade tem facilmente enganaria os presentes que eram levados a crer estarem na presença de uma criança. Na verdade ele tem mais de trinta anos. Será da idade da minha irmã, por aí assim.

Apesar do seu talento, não foi ele a chegar à final. Os finalistas eram uma menina chamada Bárbara e um outro indivíduo chamado Tozé.

Como Bárbara fugiu de casa na véspera da final e se desconhecia o seu paradeiro, Tozé seguiu sozinho para o palco. Ele tinha uma voz admirável, cristalina e melodiosa, especialmente quando cantava fado.

Algo não combinava em Tozé: era homem feito e tinha uma voz incrivelmente fina? No final ele despediu-se cantando uma música que só quando acordei a pude identificar como sendo o tema “Sou Tão Feliz” cantado pelo então desconhecido Marco Paulo em finais dos anos sessenta no Festival.



O cenário do sonho muda. Ia a caminho de casa no banco traseiro de um carro onde também ia a minha mãe e dois desconhecidos. O que vinha no banco do passageiro chamava-se Samuel e a minha mãe perguntou-lhe o que tinha para comer no seu estabelecimento. E ele respondeu que só tinha sandes.

A rotunda da Moita estava algo modificada com umas casas. Numa delas funcionava o restaurante de Samuel.

Acordei. Era altura de reflectir sobre este rol de disparates. Ah, não sei se o plural de castrato é este mas passa a ser.

P.S.: Afinal eu até sei umas coisitas de Italiano. Está certíssimo, segundo fui confirmar.

Sonhos movimentados, cama em desalinho

Para animar as hostes, aqui vai mais uma empolgante viagem ao mundo mais secreto dos meus sonhos!

Acordei com a cama em desalinho. Não era para menos depois de uma noite muito activa em termos de sonhos. Resta saber em que altura dei eu esse tratamento a cobertores e lençóis.

Depois de sonhar vagamente com a azáfama rotineira do meu local de trabalho, eis que surge a acção propriamente dita. O meu subconsciente leva-me até Aveiro. Era ali que estava sedeada uma instituição para deficientes visuais de sucesso. Esta instituição tinha uma particularidade: só os deficientes visuais qualificados poderiam usufruir dos seus serviços e actividades. Pode-se dizer que era uma instituição muito à frente. Provavelmente até será algo que faz falta, uma vez que nem sempre há respostas convencionais para os problemas de um cada vez maior número de deficientes visuais com cursos superiores. A título de exemplo, a conversão dos cursos para Bolonha deveria ser uma questão a aprofundar. A mim prejudica-me imenso. Quero prosseguir com as minhas habilitações académicas e, pelos vistos, para tirar Mestrado teria de trabalhar dois anos na minha área, segundo me disseram. Ora, onde trabalharia eu, se ninguém me quer dar emprego na minha área. A procura de uma alternativa deveria ser uma das batalhas. Se calhar terei de pagar para ter mestrados e doutoramentos e isso é injusto.

Adiante, que se faz tarde! Havia uma espécie de conferência organizada por essa tal instituição onírica que fazia o impossível para atender às necessidades especiais de utentes altamente qualificados. O local era pouco iluminado, mais parecia uma enorme sala de aulas de uma universidade e as mesas eram brancas.

Confrontei a responsável pela instituição com a possibilidade de vir a tirar um curso de treinadora ali. Esse é outro dos meus sonhos: tirar um curso que me habilite a treinar Goalball. Sei que no Estrangeiro isso é possível. Aqui em Portugal é que as coisas ainda andam um pouco atrasadas.

O cenário agora é o conforto da lareira da sala de minha casa. Tinha havido uma festa (eu e as festas em casa que povoam os meus sonhos, vá-se lá saber porquê). Estávamos nós e os nossos vizinhos a conversar animadamente à lareira e eu perguntei à minha mãe se tinha sobrado leitão. A minha mãe explicou que, como eu ontem não tinha querido o leitão, o meu pai comeu as orelhas e as patas (o que eu na realidade gosto de comer no leitão). Eu disse-lhe que não me importava de comer outro bocado desde que não tivesse gordura nem pimenta.

Os sonhos são mesmo incríveis! Do aconchego de uma lareira acesa (pressupõe-se que é Inverno) para o Sol e o Céu azul numa praia (pressupõe-se que seja Verão). Continuo na companhia dos meus vizinhos. Ah, afinal não deve ser Verão. Apesar de estarmos na praia e de estar bom tempo, permanecemos vestidos a jogar a bola. Terá sido aí que me livrei da roupa da cama? Envergava umas calças cinzentas e ia a caminho da água.

Agora vem algo ainda mais disparatado. Trata-se de uns cremes ou chocolates que dão cromos de jogadores, especialmente jogadores do Guimarães e jogadores que há muito terminaram as suas carreiras.

Atenção que vou preparar a música de fundo para esta parte do sonho! Afinal terá sido aqui que a roupa da cama foi parar ao meio do chão.



Que novidade! Parece que é a primeira vez na vida que sonho com atalhos! Que sensação estranha! Será a primeira vez provavelmente que canto a plenos pulmões o “Grândola Vila Morena”. Na realidade sei a música completa. Há uns anos havia quem defendesse que o nosso Hino Nacional estava muito ultrapassado e que deveria ser esta canção tão marcante na nossa história recente que o havia de substituir. Eu na altura reflecti: se isto fosse avante, era da maneira que sabia o Hino Nacional. Hoje até sei o Hino Nacional, fruto das idas à Selecção mas naquela altura o Desporto Adaptado era para mim um sonho inatingível.

Bem, aqui vai mais um relato que cheira fortemente a deja vu! Cantando a mítica canção de Zeca Afonso, caminhava alegremente já no findo do lugar a caminho da Moita. Já era noite.

Entre duas casas que na realidade existem e que não se alteraram no sonho, atalhei pela entrada de uma delas. Enquanto me embrenhava pelos atalhos, era mais claro do que anteriormente. Os candeeiros ainda estavam ligados mas clareava em vez de escurecer cada vez mais.

O despertador tocou. A roupa da cama estava toda no chão em desalinho. Não admirava, fora uma agitada noite de sonhos.

O Desporto ainda presente

Para mal dos meus pecados, os sonhos sobre Desporto deixaram de ser tão frequentes como eram antigamente. Eu bem gostaria que nos sonhos me fosse devolvido o que eu perdi na realidade mas isso não acontece amiúde.

Este sonho é uma excepção. O Desporto está presente do início ao fim da acção onírica. A aventura desportiva começa comigo a folhear um jornal regional e a tomar conhecimento que ia decorrer em Abril uma corrida na minha terra. Um dos maiores desgostos da minha carreira foi nunca ter sido possível correr na minha terra. As pessoas de lá só ficaram a saber que eu existia por uma entrevista que dei a um jornal depois de ter ido ao Europeu de Atletismo em 2001.

Surgiu já depois de eu ter terminado a carreira uma oportunidade mas ela não se concretizou. Neste sonho era possível pagar essa dívida. O problema era o tempo que não tinha para me preparar.

A minha determinação em participar nesta prova levava-me a ir de qualquer maneira. Estava até disposta a treinar apenas subindo e descendo escadas, já que não havia tempo para mais nada.

O cenário do sonho é agora um estranho quarto de hotel com três camas e já muito degradado. A mesa-de-cabeceira estava atulhada de toda a espécie de tralha que fazia peso sobre o vidro a ponto de o estalar.

Ora entra em cena a minha adorável colega de trabalho, a tal que um dia destes era colega de quarto da minha irmã num hospital e a mesmíssima que num outro sonho não me ajudava a caminho da Moita a transportar uma débil criatura.

Desta vez ela, igual a si própria, tal como é na realidade, fazendo os mesmos gestos e tudo, ia barafustando comigo mas não era eu o foco da fúria dela. Com o calor da sua raiva, ela até me trocava o nome, substituindo-o pelo da minha irmã. Mais uma vez surge em sonho uma ligação entre ela e a minha irmã. Por que raio acontece isso? Elas nem se conhecem na realidade e será pouco provável, digo eu, algum dia virem-se a conhecer.

E qual era então o problema dela? Bem, ela estava possessa porque uma atleta de nome Rita ou Raquel havia ganho uma prova de Natação que estava de repente a ser transmitida na televisão de minha casa.

No terraço havia ainda duas bicicletas com os pneus vazios. Apesar disso, pegava numa delas para ir dar uma volta. O despertador tocou tirando-me mais um momento deliciosos em que sonho andar de bicicleta. Esse é um dos meus maiores sonhos. Gostaria imenso de aprender.

O cemitério relvado

Só quando acordei é que dei conta do horror que fora este pesadelo. A cabeça que emergia da relva e que em sonho não reconheci de repente pareceu-me a do meu vizinho- ele que anda com alguns problemas pessoais. Tudo isso deixou-me preocupada.

Sonhei que alguém tinha morrido. Não sei precisar se se tratava de alguém da minha família ou alguém que eu conhecesse.

Num cemitério de relva, tal como os que se costumam ver nos filmes ou nas novelas, duas colegas minhas de trabalho envergando umas vestes brancas abriam uma cova. Eram umas estranhas coveiras, elas as duas. O que significaria isso?

Naquele cemitério as campas eram rasas e quase imperceptíveis. As coveiras improvisadas, e minhas colegas de trabalho na realidade, continuavam a trabalhar na campa ao lado de uma que eu não sabia que existia. Eu observava-as. Parece que mediam alguma coisa e se preparavam para terminar o seu estranho trabalho.

De repente quando olhei, aquilo que não era mais do que um relvado bem verde e com bom aspecto transformou-se na mais intrigante das visões. Alguém tinha deixado parcialmente a descoberto metade de uma cabeça de um homem relativamente jovem, moreno e de cabelos escuros. No sonho não o reconheci.

Apesar de não ter identificado a quem pertencia aquele corpo parcialmente destapado, apressei-me a sair dali a todo o custo. Ao fazê-lo, tropecei num enorme ramo de flores brancas e murchas.

Já em casa, procurava uma t-shirt que tenho. Quando a encontrei verifiquei que ela não estava em condições de vestir por estar extremamente engelhada.

Na cozinha de minha casa o filho do meu vizinho misturava vinho com gasosa de uma caneca para a outra até a bebida ficar em tons rosa.

Parece que se tinha passado uma longa noite já com todas estas peripécias inquietantes. Afinal eram só duas horas da madrugada e cinquenta e dois minutos. Esperava-me um longo período de tempo em que ficaria a tremer, com o coração a bater descontrolado e com aquela imagem da cabeça a emergir da relva a assolar a minha mente, por mais que eu a tentasse apagar e tentasse pensar em algo mais agradável. Realmente estava preocupada com o meu vizinho. O rosto do sonho tinha muitos traços dele e na altura nem me apercebi. O horror demonstrado e que me levou a sair dali foi o meu estranho pavor a cadáveres que sinto nos sonhos e que não corresponde ao que se passa na vida real.

Comecei a pensar no que se terá passado na vida real para o meu subconsciente transformar algo neste intrigante pesadelo. A preocupação manifestada com o meu vizinho era um facto. O outro deverá ter sido um episódio passado no “Quem Quer Ser Milionário” em que Malato questionava uma concorrente sobre o seu medo de pisar campas em igrejas. Ela disse que andava aos saltinhos porque por vezes as campas nem se notavam, tal como as do meu sonho.

Já não é a primeira vez que tenho um sonho com estes contornos. No passado dia seis de Dezembro tive um sonho muito parecido que também está descrito neste espaço. Na altura lembro-me que o cadáver era de uma senhora idosa e que os coveiros eram uns homens com coletes reflectores. Tinha ido parar ao cemitério inadvertidamente por um atalho.

Felizmente quando voltei a adormecer, o pesadelo não teve sequelas. Aliás, o que despoletou a minha inquietação esteve sensivelmente a meio do sonho e não imediatamente ao acordar. Já estava a sonhar com coisas diferentes em cenários diferentes do cemitério antes de acordar e isso também ajudou ao facto de este sonho não ter continuação.

Curiosamente uma das protagonistas deste pesadelo apareceu no local de trabalho com umas conversas algo intrigantes sobre suicídio. Talvez por o pesadelo ainda fervilhar na minha mente, passei aquelas duas horas em que estive a trabalhar juntamente com ela a prestar atenção ao que ela fazia. Podia-lhe dar na cabeça de ir beber produtos corrosivos que servem para desinfectar. Quando ela saiu por momentos de ao pé de mim, quase entrei em pânico e desatei a chamá-la com um tom de voz excessivamente desapropriado. Afinal ela estava no balcão com a minha outra colega que me perguntou o que é que eu queria. Nem soube o que lhe responder e lá fui dizendo que não queria nada. É certo que eu não simpatizo muito com ela mas não desejava que ela fizesse qualquer disparate. Iria impedi-la se o tentasse.

Com o correr do dia, as minhas preocupações passaram a ser outras. Estou sem Internet, tudo porque alguém se enganou a preencher o raças de um número.

Nem Messi, nem Ronaldo

Portugal e Argentina mediram forças na Suiça. Esperava-se um duelo entre Messi e Cristiano Ronaldo mas quem acabou mesmo por encantar foi o antigo jogador do Benfica Di Maria.

Logo no início do jogo Milito cede um canto depois de uma jogada de Cristiano Ronaldo que já começava o seu duelo particular com o Jogador Número Dez da Argentina.

Na resposta Messi cabeceia perigosamente na direcção da baliza de Eduardo. Estávamos apenas com seis minutos e entretanto Carlos Martins já viu um cartão amarelo por protestos.

Hugo Almeida era o jogador mais perigoso da Selecção Nacional mas era quase sempre apanhado em fora de jogo.

Di Maria chega ao golo numa jogada de Messi em que Bruno Alves foi impotente para travar aquele que é o melhor jogador do Mundo.

Messi estava muito em jogo, nem que fosse para afastar os seus companheiros de eventuais confusões. Depois ainda proporcionou uma defesa de recurso a Eduardo.

Vendo que o seu oponente estava mais em jogo, Cristiano Ronaldo empatou o jogo aos vinte e um minutos. Cabia agora ao argentino responder, o que não era difícil.

A partir daquele momento Cristiano Ronaldo empenhou-se em mostrar ao argentino as suas garras. Primeiro fez mais um remate à baliza e depois decidiu ele próprio fazer falta dura sobre Messi, o que lhe valeu um aviso do árbitro.

O Jogador Número Vinte e Dois da Argentina é um jogador interessante. Agora ia marcando um golo. Só virtuosos neste país! O Benfica tem imensos argentinos e qualquer um deles podia ali estar agora. Gaitan está no banco, diga-se. Di Maria- um jogador lapidado por Jorge Jesus- está ali a jogar que se farta e é uma das referências da sua selecção e do Real Madrid. É uma fonte inesgotável de talento, a Argentina e o Benfica faz bem em se virar para essas paragens em busca de jovens com um potencial enorme. Eu nem acredito que estou a escrever isto. Há uns tempos, aquando da vinda de Jara e Gaitan, eu amaldiçoava o número elevado de argentinos no meu clube. Para que é que eram tantos? No passado fim-de-semana os golos do Glorioso foram marcados com classe por cada um dos dois só para me calar e passar a dizer maravilhas deles como estou a fazer hoje.

O defeito dos argentinos é ferverem em pouca água. O jogador Banega, que tinha rematado há pouco à baliza, cometeu a proeza de se vir meter com Bruno Alves que tinha travado Messi em falta. Sujeita-se a sofrer dissabores, atendendo ao tipo de jogador que é o antigo capitão do Porto.

Cristiano Ronaldo também tem um péssimo hábito- o de cuspir. Se calhar será aí que ele é melhor que Messi. Com o exagerado aproveitamento da imagem do jogador madeirense para a publicidade, não sei como ainda não se lembraram de um anúncio em que o Jogador Número Sete de Portugal executasse essa actividade na qual parece não ter rival. Por que não um anúncio a um dentífrico ou algo do género?

O jogo chega ao intervalo com uma igualdade a uma bola. No duelo particular entre Cristiano Ronaldo e Messe nenhum dos dois está em vantagem. Na Argentina estou a gostar bastante de Di Maria e do Jogador Número Vinte e Dois que eu não conhecia.

A segunda parte começa praticamente com ma assistência de Cristiano Ronaldo para Hugo Almeida que falha.

Messi responde e obriga Rui Patrício que entrou na segunda parte para o lugar de Eduardo a excelente intervenção.

Depois de uma falha clamorosa da equipa portuguesa, Rojo ia marcando também para a Argentina. Segundo as más-línguas, este jogador esteve com um pé (senão com os dois) no Glorioso. Era mais um. Virá o dia em que jogaremos com a espinha dorsal da selecção argentina. É mau?

Por falar nisso, chega a informação de que o Sporting tem três jogadores na Selecção Nacional. Estamos a falar de Rui Patrício, João Pereira e Hélder Postiga. Pois...a serem todos convocados, o Benfica poderia ter aí uns quatro na selecção argentina. Neste jogo só tem um e está sentado no banco. Gostava que ele entrasse, o nosso brinca na areia.

A Argentina lança mais um craque em campo (que novidade). Javier Pastore já coloca Rui Patrício à prova. A partir deste momento há que ter cuidado.

Carlos Martins tenta a sua sorte de longe enquanto Pastore acerta na barra. O passe foi de Messi.

Já nos descontos, Messi faz o segundo golo argentino de grande penalidade assinalada por falta de Fábio Coentrão sobre...Pastore.

A Argentina acabou por vencer por 1~2. Cristiano Ronaldo, à semelhança do seu companheiro no Real Madrid Di Maria, foi substituído muito cedo e Messi ficou os noventa minutos.

Na Argentina gostei particularmente do Jogador Número Vinte e Dois. Com uns retoques de Jorge Jesus ficava um senhor craque. Na ponta final Pastore foi um quebra-cabeças.

Novas funções

Numa tarde em que me preparava para trabalhar bastante, eis que sou chamada ao escritório para reunir com os chefes.

Comecei a lembrar-me da reacção de uma colega minha da última vez em que me chamaram apenas e só para me pedirem a cópia de um documento. Ela começou a erguer as mãos e a rezar. Não pude deixar de me rir.

Desta vez a minha colega estava de folga mas, se acaso ela me tivesse visto acompanhada do gerente da loja e do gerente de todas as lojas da região, acho que ia buscar velas para acender.

Quanto a mim, uma amálgama de sentimentos invadia-me. Por um lado pressentia que não era nada de mal e pensei no pedido urgente do meu currículo que haviam feito há cerca de uma semana atrás. Por outro lado, houve ali um desentendimento que não passou de uma situação normal de trabalho e, pela minha parte, até levei as coisas com calma, apesar de reconhecer ter razão na contenda. Esta segunda hipótese para ser chamada era muito remota. Como eu disse e depois foi confirmado, a razão estava do meu lado.

Foi com um nervoso miudinho que entrei na sala de reuniões. Veio a verificar-se que o assunto tinha mesmo a ver com a primeira hipótese que tinha pensado e que fez com que não encarasse a reunião com o credo na boca.

Ainda é cedo para falar sobre isto mas o meu futuro próximo passa por assumir novas funções e trocar até de local de trabalho. Confesso que me senti lisonjeada com as apreciações feitas ao meu currículo e fiquei bastante contente por me ser dada esta oportunidade de mostrar melhor o que eu sei fazer.

Aguardam-se novos desenvolvimentos brevemente.

Em resposta ao protagonista do texto anterior

Se no texto anterior relatei de forma um tanto divertida a situação de um veículo que passou por mim completamente sem os faróis ligados durante a noite, agora passo a apresentar a solução para esse flagelo.

Segundo consta, até de dia os veículos vão passar a ser obrigados a ter os mínimos ligados. Segundo os regulamentos, os novos automóveis já possuem faróis próprios para de dia. Os modelos mais antigos passarão numa primeira fase a utilizar os mínimos.

Com esta medida prevê-se a diminuição dos acidentes rodoviários, como é óbvio, principalmente aqueles que são provocados por falta de visibilidade. Mesmo assim ainda penso que vão haver muitos condutores lusitanos que não vão cumprir a lei.

Quando ontem vi durante a noite um veículo com os faróis completamente apagados, já espero tudo do ilustre povo português.

Thursday, March 03, 2011

“FAAAARÓOOIS”

Da saga “Selva de Asfalto” passada numa estrada algures em Portugal, esta é a história de um carro preto, mesmo preto como a noite escura, que não tomava as devidas precauções de segurança.

Era uma noite de Inverno, estava escuro e a luminosidade produzida pela iluminação pública não era suficiente para que se visse naquela zona da estrada.

Algumas pessoas iam num passeio muito estreito e degradado, sob a ameaça de resvalarem para a estrada e serem apanhadas por um veículo que passe nesse momento.

Há quem se prepare para atravessar uma passadeira cujas riscas também já pedem nova demão.

Um pouco antes de um peão passar na sumida passadeira, passa um veículo preto completamente sem luz. Um perigo, portanto, para a segurança rodoviária. O que anda a fazer a PSP para não ver uma aberração destas? E depois admiram-se de o índice de sinistralidade nas estradas portuguesas ser elevado. Com coisas destas...

Em sentido contrário ao do nosso protagonista, seguia outro veículo com faróis potentes. O condutor logo gritou:
- FAAAARÓOOOIS!

O nosso veículo lá seguiu como se nada fosse com ele. Enfim!

Aguardem, meus amigos, por novas e arrepiantes aventuras em exibição numa estrada portuguesa junto à sua porta.

Canibais

Devo-me ter deitado com fome nessa noite. Para dizer a verdade, o meu jantar resume-se a um pacote de leite e a umas bolachas ou barras de cereais. Não gosto de comer muito.

Para começar sonhei com a matança do porco lá em casa.

Também me lembro de uma família de brasileiros, alegadamente canibais. A mulher era cantora e chamava-se Luana. O marido chamava-se Cristiano e o filho era o Bruno e era árbitro de Futebol cá em Portugal.

Esta estranha família tinha o hábito de roer as pontas dos dedos, não só as unhas. Aquilo era impressionante para a vista.

De repente dei por mim com todos os dedos da mão direita roídos. Era impressionante e estava algo intrigada. Não sei se fui eu quem fez este serviço, se alguém o fez por mim.

Olhava para as cartilagens dos ossos e isso intrigava-me. Também me preocupava por não poder teclar no computador.

Quando acordei fui logo verificar se tinha os dedos ainda mais roídos do que habitualmente costumo ter. Na verdade eu até costumo roer os dedos mas assim também não. Credo!

Que saudades da música tradicional

Assinalo aqui com enorme agrado e satisfação o regresso daquelas habituais manhãs em que eu acordava agradavelmente ao som da música tradicional portuguesa.

A oportunidade não tem surgido porque não tenho passado muito tempo na minha terra nos últimos tempos e em Coimbra de maneira nenhuma apanho a Rádio Botaréu. Mesmo em minha casa passou a ser complicado apanhar essa rádio sem interferências.

Hoje finalmente lá consegui captar a frequência melhor e recordar músicas tão familiares para mim e que estavam tão esquecidas que até me soaram a estranhas.

Como foi bom ouvir esses sons novamente!

Porto aparentemente a descer e Benfica a subir

Nos dois jogos do final do dia, e que envolviam os dois candidatos ao título, Porto e Benfica cumpriram e venceram os seus jogos. Tudo ficou na mesma.

O Porto recebeu e venceu o Rio Ave com um golo madrugador de Silvestre Varela.

Com uma exibição que deixou muito a desejar, o Porto até fez uma primeira parte razoável. James era o elemento mais inconformado.

Na segunda parte o Porto tremeu bastante porque o Rio Ave deu mais luta. Os adeptos portistas começaram a ficar desgostosos com a fraca exibição da sua equipa e começaram também a dar mostras de alguma impaciência e preocupação face a um eventual golo do adversário que os fizesse perder pontos face ao Benfica.

Já que falamos no Glorioso, este venceu o Vitória de Setúbal por 2-0. O Vitória de Setúbal entrou em campo empenhado em pressionar o Benfica e até estava a conseguir os seus intentos. Os golos surgiram da capacidade individual dos dois jovens argentinos que toda a nação benfiquista (incluindo eu) questionou para que serviam. Estou a falar de Gaitan que marcou o primeiro golo e de Jara que marcou o segundo. Este último tem vindo, pouco a pouco, a demonstrar que poderá ser uma mais valia tremenda para nós. A julgar pelas suas declarações, Jorge Jesus deposita neste miúdo argentino grandes esperanças de vir a ser um craque.

Vamos a ver se se confirma o ascendente do Glorioso e o eventual decréscimo do Porto. O título ainda é possível para nós.

Em família

Foi um domingo em cheio, este que vivi. Estava um agradável dia de Sol e respirava-se uma atmosfera alegre. Também estava uma temperatura menos fria na rua.

Ainda no comboio encontrei a minha prima. Passámos toda a viagem a conversar, sobretudo a viver recordações de uma infância passada em comum. A minha prima foi praticamente criada lá em casa. Apesar da tenra idade, ela lembra-se quase tão bem como eu do dia em que a minha avó faleceu. Isso já foi há vinte e dois anos. Eu lembrava-me que ela esteve lá em casa nesse fatídico dia e ela também se lembra. Ainda hoje ela consegue-se lembrar da minha avó com nitidez. E só tinha seis anos de idade.

Também achei muito curiosa uma das lembranças que ela guarda desses tempos. Sensivelmente na mesma altura havia lá em minha casa um cão preto e branco chamado Dick. Ele viveu entre 1984 e 1989. Durou apenas uns meses depois de a minha avó ter morrido. Foi atropelado numa madrugada de Agosto perto de casa, quebraram-lhe a coluna vertebral e teve de ser abatido.

A minha prima era muito pequena quando esse cão ainda existia mas ela ainda hoje estremece com a lembrança dele. Lembra-se ela que ele lhe mordeu e que sempre lhe rosnava com ar ameaçador quando ela lá aparecia em casa. Eu lembro-me vagamente que ela gritava quando via o cão mas é uma lembrança muito ténue. O cão nem era muito grande, andava à solta e aparentemente era menos feroz que o nosso actual cão- o Chalana. Lembro-me que uma vez ele estava a comer a comida dos gatos e eu lhe mandei um palmadão nas costas que ele até saltou. Se eu fizesse isso ao Chalana, iria parar ao hospital toda mordida.

Quando cheguei a casa a minha mãe informou-me que a nossa tia (única irmã sobrevivente da minha avó, mãe da minha madrinha- uma espécie de matriarca da família) vinha passar a tarde connosco. Tal como nos velhos tempos, agora a minha madrinha vai todos os domingos lá a casa buscar hortaliça que a minha mãe lhe dá. Desta vez combinou em trazer a minha tia para ela vir espairecer um pouco e conversar com a minha mãe e a minha vizinha essencialmente sobre assuntos de outros tempos que ela gosta de recordar.

Para o almoço houve carne à portuguesa. A minha tia chegou por volta do meio-dia com um vistoso chapéu de palha na cabeça que mais parecia um sombrero. O meu pai já tinha a lareira acesa.

A tia esteve até ao final da tarde sentada à lareira com uma improvável companhia. A gata Feijoa esteve grande parte do tempo enroscada no seu colo. Ela estava encantada com aquela gata.

Quando a minha madrinha chegou, a minha mãe estava a fazer uma dose quase industrial de filhozes. Eu tencionava não lhes tocar e foi o que fiz. É uma coisa que causa desconforto digestivo. Não sei se ela as levou todas.

A minha tia estava radiante pela bela tarde que passou e todos nós estávamos contentes por a ter ali naquele dia solarengo de domingo.

Foi, sem dúvida o dia que precisava de ter depois de acontecimentos menos agradáveis que se passaram nos últimos dias. A moral fica mais em cima e as baterias ficam carregadas para o que eu tiver de enfrentar em mais uma semana de trabalho.

O comboio amarelo e o comboio vermelho



Esta é mais uma pequena história das muitas que eu aqui coloco de forma a ilustrar bem de que é feito o meu mundo.

Por vezes torna-se extremamente complicado entender as pessoas e elas entenderem-me a mim, sobretudo no que toca a orientações. É incrível como as pessoas passam todos os dias na rua por certo local e não sabem a cor das casas, de alguma placa que lá esteja ou mesmo de uma porta. Assim torna-se muito difícil falarem a minha linguagem que é essencialmente a das cores.

Ainda no outro dia se fartaram (sem qualquer êxito) de me explicar onde era um certo edifício. Davam-me nomes de ruas, números, viragens à esquerda e à direita e isso comigo não funciona de maneira nenhuma. Depois eu perguntei de que cor era a casa. Depois de muito pensar lá me disseram que era verde.

Neste pequeno episódio passado na Estação Nova estavam dois comboios estacionados um em cada linha, como a foto que tive oportunidade de tirar demonstra. Deve lá estar assinalado algures o número das linhas mas isso a mim não me diz nada.

Tal como acontece sempre que vou tirar o bilhete, perguntei ao senhor qual era o comboio. Ele disse-me naturalmente em que linha é que ele estava. Como eu não conheço as linhas perguntei-lhe se era o comboio amarelo ou o vermelho. Se vissem a cara de espanto com que ele me olhou!

Voltei-lhe a fazer a mesma pergunta. Ainda embasbacado, o senhor saiu da bilheteira e foi verificar provavelmente de que cor era o comboio, pois ele conhece as linhas. Olhando ainda para mim com ar de espanto, indicou-me que era o vermelho e desculpou-se com o facto de não ter reparado na cor dos comboios, algo que não constitui admiração para mim.

Futebol, pão e músicas holandesas

Tinha escrito nas primeiras linhas deste meu caderno (que agora é preto e não azul como outrora) que quase não me lembrava dos sonhos que tinha tido nesta noite. Imaginem se eu me tivesse lembrado, certamente estaríamos aqui na presença do texto mais longo deste meu humilde espaço. É que eu prevejo que saia daqui um texto com mais de duas páginas só a relata este sonho bem agitado.

Escrevo mais abaixo: “De 6-2 ontem para 3-3 na realidade vai uma grande diferença”. Alguns dias desfasada do contexto, tive de puxar bastante pela cabeça para decifrar o que isto queria dizer. Parece que tinha sonhado que o Sporting tinha perdido com a Naval por 6-2 e afinal empatou a três bolas. Foi o jogo de despedida de Liedson que é tão português, tão português, tão português que não continua a exercer a sua actividade profissional na sua “pátria” e “emigra” para o Brasil- país pelo qual ele sempre nutriu uma paixão especial e, inclusive, demorava-se por lá mais do que devia sempre que a sua entidade patronal lhe concedia umas feriazinhas para ir “viajar”. Paulo Bento fez o que devia fazer: não o convocou mais para a Selecção Nacional. Há avançados de qualidade nascidos em Portugal.

Voltemos então aos sonhos depois deste aparte para nos despedirmos apressadamente de alguém que penosamente tem de abandonar o seu país. Desejamos-lhe muita sorte porque a vida de emigrante não é nada fácil, mesmo se o país de acolhimento tiver o Português como língua oficial. Boa viagem!

Agora sim, vamos ao sonho que inicialmente se passa algures numa representação onírica da sala de jantar de minha casa. Consta que havia muito pão para preparar para pão ralado. Achando que esse pão estava fofinho demais e, portanto, seria mal empregado esmigalhar, aproveitei parte dele para o jantar nessa noite lá em casa. Como se isso fosse possível realmente mas toda a gente sabe que para os sonhos não há limites.

Como nos velhos tempos, a transmissão do jogo da jornada fazia-se no Canal 2. Foi nesse canal televisivo que comecei a ver os primeiros jogos de Futebol. Só que na altura davam aos três e quatro jogos por jornada. Ainda não havia TV Cabo e eu acompanhava tudo o que havia para acompanhar. Como agora eu sou pobre e não tenho TV Cabo não estou tão bem informada. Que saudades do tempo em que os jogos davam todos em sinal aberto! Agora só em sonhos posso voltar a esses tempos.

Não me lembro se os jogos começavam a horas tão tardias como este entre o Benfica e o Rio Ave que estava marcado para as dez da noite. Provavelmente os jogos não davam tão tarde mas lembro-me de jogos a começar às nove e meia, se não estou em erro.

A preparar os pães brasileiros para o jantar, não dei pelo tempo a passar e o jogo já ia com sensivelmente vinte minutos quando o comecei a acompanhar. O Benfica vencia o Rio Ave por 2~0.

A minha mãe tinha comprado uns pitos...romenos há dias e tinha-os na sala de jantar. Eu não suportava ouvi-los e fui para o meu quarto. O jogo entretanto tinha chegado ao intervalo e eu ouvia os comentários pela Antena 1, tal como sempre faço na vida real.

No início da segunda parte o Rio Ave entrou com tudo e fez dois golos de rajada. Fiquei extremamente desolada com este resultado. Jara- jogador do Benfica em quem eu depositava grandes esperanças de poder alterar o rumo dos acontecimentos ficou subitamente impossibilitado de entrar em jogo. Apesar de estar sentado no banco de suplentes, o jovem argentino tinha algum problema físico que o punha de fora desse desafio. Todo estava a correr mal ao Glorioso.

Sem acordar, o sonho passa repentinamente para um contexto bem diferente. O cenário é uma representação onírica dos nossos vestiários. Eu recolhia um monte enorme de roupa que havia acumulado numa das casas de banho. Parte dela estava pendurada na porta, imagine-se. Como se isso fosse possível!

Na casa de banho ao lado, uma colega minha que recentemente esteve na Holanda entoava canções holandesas que me eram bastante familiares. Consta que também comecei a trautear algumas.

Para quem não se lembrava do que tinha sonhado, o resultado até foi excelente. Afinal o documento nem duas páginas tem e ainda eu divaguei aqui um pouquito.

Miminhos a mais e peripécias quanto baste

Mais uma viagem um tanto ou quanto conturbada ao sempre magnífico mundo dos sonhos. Desta vez a protagonista principal é a minha irmã, mas não só.

Devido à falta de tempo, houve parte deste sonho que ficou por apontar mas vou fazer os possíveis por tentar arranjar isto da forma a que se perceba.

Devido a problemas digestivos dos quais uma colega minha parece padecer cronicamente, a minha irmã baixou ao hospital e esteve lá cerca de uma semana. Curiosamente ela até foi mesmo colega de quarto dessa minha colega- criatura que ultimamente tem feito parte de sonhos já aqui relatados. Quem não se lembra daquele em que ela caminhava à minha frente a caminho da Moita enquanto que eu carregava alguém ao colo que não estava em boas condições de saúde?

A minha amiga influenciou negativamente a minha irmã que tudo passou a fazer contra mim. Que influências tão maléficas! Para meu azar, a minha irmã era mimada ao máximo nesse período.

Paulo Adriano levou a minha irmã a uma consulta ou foi visitá-la depois de um jogo do Anadia em que se assistiu a uma batalha campal.

Estava encostada a um edifício com uns portões brancos. Veículos de enormes dimensões aproximavam-se do local onde eu estava. Eram autocarros enormes que passavam mesmo encostados a mim sem eu ter a mínima hipótese de fugir dali. Lá fui repelindo os veículos com os meus braços para impedir que eles viessem mesmo para cima de mim. Surpreendentemente eu conseguia afastá-los. Quem dera ser tão forte na realidade!

Acordei ainda não eram seis da manhã com duas criaturas que discutiam acaloradamente na rua sem o mínimo respeito por quem estava a descansar e que ia trabalhar dali a algumas horas. É demais!

Voltei a adormecer e sonhei que a minha mãe se tinha levantado mais cedo para prestar assistência à minha irmã. Eu levantei-me logo a seguir e constatei que o gato Léo (que tem andado desaparecido) estava em cima do muro.

Acordei quando o despertador tocou ainda a saborear o facto de ter reencontrado o meu gato. Pena tudo ter sido um sonho!

Tuesday, February 22, 2011

Desempregada mas bonita

Um dos maiores desafios que me proponho a realizar, e um dos que mais me diverte, é ouvir uma notícia curiosa na rádio e tentar imaginar como seria cá pelo nosso burgo se acaso copiassem a ideia original.

Para hoje trago algo que acontece em França onde as mulheres desempregadas de longa duração têm direito a cuidar da beleza gratuitamente. A finalidade deve ser a boa apresentação das candidatas a um emprego quando são apresentadas a potenciais empregadores.

E se aqui em Portugal se copiasse esta ideia? Como seria? Para começar, nos dias conturbados em termos económicos que estamos a atravessar, tal ideia está completamente fora de hipótese. Segundo alguns rumores, tomara o Estado pagar os subsídios de desemprego a tempo e horas, quanto mais cabeleireiro e esteticista para as mulheres portuguesas.

Depois havia também um certo aproveitamento da situação, como sempre acontece por aqui. Para além de se acomodarem ao subsídio de desemprego e só procurarem trabalho quando o subsídio está prestes a expirar, não faltariam portuguesas a prolongar ainda mais a situação só para receberem benefícios nos cuidados de beleza. Não me admirava nada que isto acontecesse. Há gente por aí que quase anda a pedir mas para pinturas para o cabelo e produtos caros para a pele há dinheiro. Se fosse o Estado a pagar essas extravagâncias, seria ouro sobre azul. Era da maneira também que o parco subsídio de desemprego chegava para mais algum vício que esta beneficiária tivesse.

Quando finalmente a beneficiária do subsídio de desemprego se decidisse a comparecer numa entrevista de emprego, apareceria lá uma autêntica boneca de porcelana, com a cara exageradamente pintada, sem um sinal de rugas e com os cabelos incrivelmente cuidados. Como todas as candidatas apareceriam bem produzidas na entrevista, o responsável pelo recrutamento de novos funcionários teria uma enorme dificuldade em escolher. Quase parecia o concurso da Miss Portugal ou o casting de uma agência de modelos.

Ah, já sei onde gastariam as portuguesas o dinheiro que iriam ter a mais por já não gastarem na beleza. Comprariam roupas chiques e acessórios a condizer. Aí estariam perfeitas quando fossem chamadas a uma entrevista de emprego.

Para já não se pensa em importar a ideia do Instituto de Emprego e Formação Profissional de frança para Portugal. Seria um desastre se isso um dia acontecesse. Para além de arrombar de vez com o frágil orçamento do Estado, ainda causaria grandes transtornos. Um dos mais visíveis seria talvez o número de casos de assédio sexual nas empresas e a falência de muitas porque os patrões andariam a pensar noutras coisas que não os negócios.

Estamos em Portugal.