Sunday, April 24, 2011

Calor que até parece mentira

Bem dizem os especialistas que cada vez menos teremos dias amenos. Já se começa a notar que os dias, ou estão muito frios, ou estão insuportavelmente quentes.

Ainda há coisa de dois ou três dias estavam autênticos dias de Inverno, com chuva e até neve. Hoje o dia promete uma temperatura a roçar os trinta graus. Mas haverá corpo humano que aguente isto sem se ressentir?

Onde isto irá parar? Num dia tiramos as roupas de Inverno dos armários e saímos à rua bem agasalhados a tiritar de frio. No dia seguinte já temos de arrumar as roupas de Inverno e dormir por cima das roupas da cama porque o calor já não se aguenta.

Enfim, é a Natureza a vingar-se no Homem por tanto a querer modificar.

Desabafo depois de discussão

Começo a ficar farta! Farta que me magoem como se eu fosse um ser abaixo de cão, como se alguém tivesse o direito de me magoar por prazer.

Deve dar um gosto especial a certas pessoas magoarem-me até a minha dor ser tão forte que sinto a alma em carne viva e a sangrar.

Eu achava que as pessoas não me magoavam por mal, que diziam certas coisas sem pensar o quão profundamente me dilaceravam mas agora começo a ter dúvidas. Apenas tenho a certeza da mágoa, do sofrimento e da angústia que me causam. Magoar-me passou a ser para algumas pessoas uma espécie de desporto que lhes dá um prazer infindável. Só assim se explica a frequência com que me deixam completamente destroçada.

Começo a perder a paciência. Toda a minha força de espírito há muito que deixou de pertencer a esta luta. Quando sinto que um ciclo está a chegar ao fim, não adianta estar com o mesmo empenho. Pelos vistos as pessoas fazem o mesmo comigo quando sentem que eu já há muito que deveria ter-me afastado delas e das suas palavras ditas uma e outra vez sem pensar.

Alguém com o mínimo de bom senso devia pensar que não deve dizer certas coisas a certo tipo de pessoas que tanto se esforçaram por dar o melhor e só não deram mais porque tal foi impossível. Por vezes cheguei mesmo ao linear do esgotamento e da exaustão porque ninguém faz ideia do quão árduo é para nós cada dia da nossa existência. Se mal conseguem imaginar sequer o quão frustrada me sinto por me ver impedida de fazer o que gostaria, por que estão indirectamente e constantemente a passar-me um atesado de inútil?
Nunca mais me vou embora? Não podem desejar a minha partida mais do que eu. Isto está a dar comigo em doida. As discussões repetem-se porque simplesmente deixou de haver tolerância de parte a parte. Estou farta de fingir ser alguém que não sou só para não criar problemas com quem mos tem criado constantemente. Simplesmente agora não permito que certas coisas fiquem em claro. Acabou o jogo das escondidas nos cantos a chorar por causa de algo que ouvi e me tocou bem no fundo. Agora passo a responder da mesma moeda. Comigo e com as minhas dificuldades inerentes a situações que não escolhi ninguém se atreve mais a gozar!

Da pessoa que hoje me começou a mandar indirectas quando eu estava quieta e calada no meu canto tenho a dizer o seguinte: Se a ela lhe faz tanta impressão a forma como eu executo as tarefas práticas, já a mim me mete uma impressão gritante a forma como ela pensa. Enfim, não se pode ser bom a tudo. Ela não compreende que eu, se não tivesse oitenta por cento de incapacidade…repito, oitenta por cento, aliando a minha qualidade de raciocínio á componente prática seria melhor do que ela. Não haja dúvidas mas não nasci para isto.

Se ela se rege pelo medo ou pela inveja, não tem nada a temer porque eu quero continuar a agarrar-me ao que ainda ficou do meu sonho desfeito há sensivelmente seis anos atrás. Se algum dia lhe passaram pela cabeça tais ideias que eu penso que estão na origem das indirectas de hoje, isso só demonstra o quão limitado é o seu pensamento e o quão infeliz ela é.

De referir que a pessoa em questão, quando outra colega quis saber o que se estava a passar, lhe respondeu que eu estava a chorar porque quis assim. Isso não é assim. Foi ela que começou a conversa e a levou para um ponto que eu não estava a levar e não foi minha intensão levá-la para aí. Por ela me magoar a cada palavra que dizia é que as coisas descambaram.

Sinceramente não sei lidar com certo tipo de pessoas. Por sempre me ter afastado o mais possível da convivência, agora tenho uma certa dificuldade em reconhecer a falsidade e a hipocrisia em quem me rodeia. A minha dificuldade em me relacionar faz com que as pessoas se aproveitem da minha ingenuidade como querem.Tudo isto leva a que eu cada vez mais dê razão aos meus medos de me aproximar dos outros. Fechada no meu refúgio é que eu estava bem. Evitava de estar assim tão magoada.

É com profunda tristeza que escrevo estas linhas. Continuo a não confiar nas outras pessoas. Cada vez tenho mais a sensação que não as compreendo a elas nem elas a mim. A solução para descarregar tudo o que sinto é escrever o que me vai na alma. Tal como sempre aconteceu ao longo destes cinco anos, o meu blog é o meu confidente.

Saturday, April 23, 2011

Fogo em casa da Ti Matilde

Sonhei que eu, a minha mãe, a minha vizinha e mais uma idosa vestida de preto que não conheci íamos nos bancos dianteiros de um amplo autocarro.

As três mulheres conversavam e só com o decorrer da conversa percebi que a outra idosa que não conheci de início era a irmã da minha vizinha. Subitamente a conversa foi interrompida por um grande burburinho e por um barulho intenso de sirenes de carros de bombeiros.

A mulher de negro virou-se e exclamou que a casa da Ti Matilde estava a arder. A casa onírica da Ti Matilde ficava ao pé da casa da irmã da minha vizinha já perto dos pinhais.

Saímos do autocarro aos repelões. Toda a gente estava apreensiva só de pensar na possibilidade de a dona da casa estar lá dentro com a casa em chamas. A casa tinha mesmo explodido. Provavelmente a origem do incêndio teve a ver com fuga de gás e a botija terá rebentado.

Descia os Combatentes em Coimbra. Olhando para cima, podia ver que a altura das chamas era impressionante. O Céu explodia todo em tons de fogo que se misturavam com o seu azul original.

Lembro-me vagamente de sonhar que alguém dormia lá em casa. Era a minha tia ou a minha vizinha por medo de dormir na dela por qualquer motivo.

Lembro-me que sonhei, para não variar, com grande movimento à minha porta a que assistia junto à eira.

Lembro-me também de ter acordado em sobressalto e com um ligeiro mal-estar. Não tinha bem a certeza de estar acordada ou a dormir. Pensei em ver as horas mas presumi que ainda fosse cedo.

Para finalizar, lembro-me de ter sonhado com uma cena cómica em que estava a ler um livro ou uma revista com fundo amarelo e letras azuis sentada numa representação onírica do nosso café. Duas colegas minhas que estavam nas caixas começaram a imitar os bocejos de uma outra colega mas ao mesmo tempo. Tive de me rir com um despropósito incrível.

P.S: Ti Matilde na realidade já morreu há anos. Era a avó do Paulo Adriano e a casa onde viveu fica no fundo do lugar e não onde se situava no sonho.

Preparativos para algo

O ambiente nas imediações de minha casa era especial. Algum tipo de festividade se aproximava.

O pai do meu vizinho ainda era vivo e também andava atarefado a preparar tudo. O tempo estava agradável. Seria Primavera ou Verão.

Ia até Coimbra. O meu pai levou-me até à paragem e parece que também ia. Aqui não tenho a certeza.

Uma inadiável vontade de urinar invadiu-me e procurava desesperadamente uma casa de banho. A camioneta vinha por volta das três e um quarto da tarde e só tinha aí uns vinte minutos para satisfazer essa necessidade fisiológica.

Fomos a uma espécie de loja onde se vendia de tudo. O interior era algo escuro e por isso andava a medo tacteando com os pés no chão.

Então não é que para frequentar a casa de banho tive de preencher três impressos e, ainda por cima, acho que tive de pagar! Portugal é, na realidade, um país burocrático mas se fosse como eu sonhei era do piorio. De referir que estava atrasada e aflita.

Na primeira porta era a casa de banho dos homens. Quando finalmente encontrei a casa de banho das mulheres fiquei aliviada.

De volta ao palco preferencial dos meus sonhos, passou na estrada enlameada um cão. Eu contava a aventura da casa de banho. Deram-me a ideia de arranjar uma tenda insuflável que podia ser montada em qualquer sítio para assim me poder aliviar à vontade. Nem era nada má ideia!

O meu vizinho veio ter connosco desesperado por não ter umas calças novas para vestir. Eu disse-lhe que tinha comprado umas mas eram para o trabalho.

Resolvi então meter-me a pé até Anadia para lhe comprar umas calças, imagine-se! Fui dar ao mesmo sítio das casas de banho que atrás mencionei. Havia lá calças iguais às minhas mas não lhe serviam.

Havia lá imensa roupa mas não cheguei a encontrar o que procurava, apesar de ter mexido em tudo. Havia lá umas calças com a bandeira finlandesa, imagine-se. A maioria da roupa era de mulher e acabei por fazer umas compritas para mim.

De volta às imediações de minha casa, tocavam os Sitiados na televisão em jeito de recordação. Na rua caía a noite e o Céu apresentava estranhas tonalidades de vermelho. A sensação de algo estar para acontecer invadia-me. O que seria?

Agora os Sitiados tocavam dentro de minha casa, na sala ao lado do meu quarto. Estavam a ensaiar. Acompanhando os acordes da música “o Baile” eles faziam uma espécie de espiritismo. João Aguardela andaria por ali. Tinha medo de pôr a mão à porta.



A minha mãe encontrou as minhas compras e ia para meter a roupa ainda com as etiquetas na máquina de lavar.

Acordei com uma vontade de urinar incrível. Começava mais um dia.

P.S: Que engraçado! Por falar em vontade de urinar, ontem vim a pé de Anadia com a bexiga quase a estoirar. Já me tinha esquecido deste sonho. Agora que o passo a limpo, há que realçar a coincidência. No sonho era ao contrário. Ia para lá. Que curioso!

Estreia memorável de Ruben Micael

Em mais um jogo particular realizado desta vez em Aveiro, Portugal derrotou a Finlândia por 2-0. Os dois golos foram ambos apontados pelo estreante Ruben Micael que tão cedo não esquecerá este jogo.

O jogo começa com uma falha clamorosa de Hugo Almeida. O passe de Danny é soberbo.

Quem é o Jogador Número Seis da Finlândia? Que pedaço de mau caminho! Ele não me é estranho. Conheço-o de algures.

Estávamos com dez minutos de jogo quando apareceu o golo de Portugal. Fruto de uma jogada colectiva, o jogador madeirense estreia-se da melhor maneira com a camisola da Selecção de Todos Nós.

O Jogador Número Oito da Finlândia remata rasteiro e com força mas Eduardo estava atento e agarrou a bola com segurança.

Pepe cede o primeiro canto para os finlandeses. Eles têm sido uma nulidade em termos ofensivos. Até dá dó. O Chile no passado Sábado deu mais luta. Também o que se deve esperar de uma equipa que praticamente tem perdido os jogos todos e só ganha a San Marino porque esses são aquilo que toda a gente sabe em termos futebolísticos. São ainda abaixo de maus, os jogadores dessas paragens. Pena que Portugal nunca jogou com eles nem um particular para amostra. Muito eu me queria rir!

A bola chega a entrar na baliza da Finlândia mas Hugo Almeida está fora de jogo. Depois há um lance um pouco confuso que poderia ter tido outro resultado. Na marcação de um livre, primeiro o guarda-redes defende e depois o remate de ressaca sai por cima.

Eduardo agora ia comprometendo. Fossem de outra qualidade os adversários e já Portugal sofria dissabores.

Agora Carlos Martins excede-se nos protestos, no uso de vernáculo e no volume de voz. Um cartãozinho amarelo, apesar de o jogo ser particular, não lhe ficava nada mal. Em vez do cartão amarelo sugeria-se pimenta naquela língua mas tal não vem contemplado nas leis de jogo implementadas pela International Board e é pena. Provavelmente o árbitro não lhe mostrou cartão porque é suíço, coitado, e não entende o que ele diz mesmo ele quase gritando para ele.

Sugere-se aos finlandeses que naturalizem uns brasileiritos, já que Paulo Bento não quer mais que naturalizem nenhuns. É que os nativos são mesmo muito fraquinhos. Há que encontrar brasileiros que estejam interessados em enfrentar o frio. Se bem me recordo, o HJK de Helsínquia, que jogou com o Benfica há uns anos, tinha uns poucos de brasileiros. O Manduca que viria a jogar no Benfica era um deles. Houve um que até disse que o Benfica, na altura treinado pelo mítico Greame Souness, não se entendia e que os jogadores passavam mais tempo a discutir uns com os outros do que a jogar. Era o tempo em que o Benfica alinhava aí com uns cinco ou seis britânicos e nada jogava. Hoje alinha com uns cinco ou seis argentinos e é uma máquina.

Já que estamos em maré de recordações, só me lembro de um jogador finlandês que alinhou no nosso campeonato, mais propriamente no Chaves. Isso aconteceu na longínqua época 92/93. Era um avançado louro chamado Tarkkio que eu me lembro de ter marcado três golos ao Estoril numa bela tarde. Esse parece que tinha alguma qualidade. Golos marcava ele. Parece que ele vinha para cá no Inverno quando o campeonato parava. Não sei como é que ele conseguia isso porque em Maio ou Junho, ainda antes de o nosso campeonato terminar, ele regressava ao clube dele ainda a tempo do início do campeonato de lá. Resumindo: parece que ele não tinha férias. Ouvi dizer mais tarde que o mesmíssimo jogador veio jogar no ano seguinte para uma equipa que, curiosamente até envergava um equipamento igual ao do Chaves. Era aquela saudosa agremiação desportiva que infelizmente já não está entre nós e cujo nome curiosamente é o mesmo da localidade onde estava sedeada e onde governava uma Presidente de Câmara também com o mesmo apelido da terra e da equipa de Futebol que fugiu um dia para o Brasil acusada de possuir um saco azul. Era o tempo em que o Futebol na Escandinávia não era profissional e era um desporto de mulheres. Se os jogadores queriam singrar na profissão tinham de emigrar. Ainda hoje estou para saber por que raio esse Tarkkio chegava aí a meados de Outubro e trocava a terrinha aqui por Portugal para depois regressar em Maio. É que mais ninguém fazia isso.

Cansados das minhas divagações? Também eu. E destes jogadores finlandeses a não jogarem nada, já agora. Eles limitam-se a mandar aquilo que em bom português se chamam biqueiros nas bolas para as afastarem para mais longe possível da sua área. Construção de jogo dá trabalhito.

O tal do Jogador Número Seis, como quem não quer a coisa, lá conseguiu um remate perigoso que por pouco não dava golo. Seria um golo de belo efeito caso a bola entrasse. Já estou a ver quem é ele! Se joga no Heerenveen é um que me lembro vagamente de se ter andado a armar um jogo contra o Benfica. Já foi há umas épocas valentes.

Alexei remata mas Eduardo defende. O mesmo jogador é responsável pelo cartão amarelo mostrado a Nelson no seu regresso após longa ausência à Selecção Nacional. A falta do antigo lateral-direito do Benfica foi bastante perigosa.

E insistem em jogar pelo ar, os nossos jogadores que sabem que os finlandeses são mais altos e estão de frente para a bola. Se jogassem pelo chão, eles teriam de olhar para baixo e jogar com os pés, coisa que para eles é difícil, senão vejamos: este lance agora merecia golo só para castigar o Jogador Número Dois da Finlândia que ainda por cima é o capitão de equipa. É de bradar aos céus a forma completamente desastrada como abordou o lance. Se eu fosse treinador dele já não regressava para a segunda parte. Ficava de castigo a tomar banho em água fria....ooops...isso para finlandês não é castigo porque consta que eles tomam banho em pleno Inverno em lagos gelados. Tomar banho em água a ferver até não se poder mais também era canja para finlandês. Eles que são os malucos que colocam a sauna a cento e dez graus a ver se aguentam. Enfim...E como é que se castiga lá na Finlândia um falhanço clamoroso destes então? Não estou bem a ver.

O intervalo chega com um magro 1-0 para as cores nacionais. Não se podem falhar tantos golos nos jogos a doer e Portugal tem de construir mais. Eles são piores que fracos a jogar. A Noruega está muito melhor com o conjunto de jogadores que agora possui.

O jogo está na mesma toada e dali não promete sair. É que Hugo Almeida perde mais uma oportunidade para marcar. O guarda-redes ainda defende.

Olhem uma jogada com cabeça, tronco e membros da Finlândia! Saliente-se que já estamos na segunda parte.

Entretanto há o registo de mais uma oportunidade falhada por Portugal. Começa a ser demais. Já devíamos estar a ganhar aí por uns cinco ou seis de diferença sem exagero.

Desculpem lá mas sempre que vejo o Pepe tenho de me rir. Aquela da chupeta amarela e verde foi demais. Imagino uma chupeta com aquelas duas cores na boca do Jogador Número Três de Portugal.

Agora Raul Meireles tenta a sorte num dos seus habituais remates de longe a que vulgarmente se chamam ameixas em linguagem futebolística. A bola vai por cima.

Aqueles dois jogadores da Finlândia que entraram ao intervalo parecem ter um pouquito mais de qualidade do que as duas autênnticas nulidades que saíram. Já para os nossos lados, de pouco vale haver substituições. É que os que entram demonstram exactamente a mesma falta de pontaria dos que já lá estavam. Mal entrou, Paulo Machado falhou uma grande oportunidade de golo. Ainda o mesmo protagonista pegou pessimamente na bola depois de uma defesa incompleta do guarda-redes da Finlândia. E incrivelmente ganhamos apenas por 1-0.

Nelson também remata forte mas o guarda-redes finlandês defende.

Ruben Micael poderia ter feito o segundo golo no jogo mas o remate sai para fora. Noutra tentativa do madeirense, ele consegue finalmente marcar a cruzamento de Nani que tinha entrado momentos antes e parece ter entrado com uma disposição diferente dos demais. Agora é que vai ser!

Quem entrou também foi o Jogador Número Nove da Finlândia que é ponta de lança mas está a dar sucessivos cantos para Portugal que resultam em jogadas perigosas.

João Moutinho vê amarelo e Ruben Micael sai para também proporcionar a estreia de André Santos. O madeirense é fortemente aplaudido pelos adeptos. Não é sempre que se marcam dois golos no jogo de estreia com a camisola das Quinas.

O jogo caiu numa profunda monotonia nos últimos minutos e o final chega assim que o Jogador Número Nove da Finlândia acaba de rematar á baliza. Desta vez estava junto à baliza certa, o artista.

O resultado de 2-0 para Portugal é quase uma derrota porque as oportunidades falhadas foram imensas e se falharmos assim nos jogos que se seguem iremos ter muitas dificuldades. Para já nem metade das oportunidades vamos ter e depois temos de concretizar a maior parte possível dessas escassas oportunidades. Treino de finalização precisa-se!

Cinzento e frio como o tempo

Em Taveiro, debaixo de uma chuva intensa, Portugal empatou com a Dinamarca a uma bola num jogo particular das selecções sub-21.

Diogo Amado, jogador da União de Leiria anula uma jogada de perigo que os dinamarqueses já criam. O jogo está monótono. Só não digo que está uma seca porque chove imenso.

Apesar de a partida estar algo desinteressante, é a Dinamarca (talvez porque este terreno pesado os beneficia) que está mais perigosa. O guarda-redes Cristiano e o defesa Vítor Bastos têm de se aplicar a fundo para anular o perigo dos nórdicos.

Ricardo Martins é o autor do primeiro remate dos nossos jovens numa boa jogada colectiva da nossa selecção. Logo de seguida é assinalada uma grande penalidade a nosso favor. O lance de perigo é protagonizado por dois jogadores do Belenenses. Fredy remata para defesa do guarda-redes da Dinamarca mas Abel Camará é carregado em falta dentro da área. Chamado a converter a falta, Fredey faz o primeiro golo.

E diz luís Freitas Lobo para apimentar um jogo que está muito pouco emotivo:
- O David Simão é que precisava de um treinador ao pé dele a berrar noventa minutos. Parece ser o jogador com mais sono em campo.
Se calhar o jogo está tão fraco, tão morno, tão desinteressante que algum jogador que sofra de apneia do sono, narcolepsia ou que simplesmente tenha dormido menos bem durante a noite é capaz de adormecer sobre o relvado. Não me admirava nada.

Portugal quase chegava novamente ao golo mas foi assinalada uma falta ofensiva.

Aos quarenta e dois minutos, a Dinamarca empata o jogo. O autor do golo parece ter sido o Jogador Número Oito. Foi com este empate a uma bola que se chegou ao intervalo.

Foram efectuadas muitas alterações para o início da segunda parte. É este o mal dos jogos particulares mas compreende-se. Estes jogos existem, acima de tudo, para os treinadores testarem jogadores novos e experimentarem novos sistemas de jogo. A qualidade pode deixar muito a desejar mas este trabalho é necessário tendo em vista os jogos a sério.

Há quem defenda que nos jogos particulares os árbitros não devem mostrar cartões. Carlos Xistra não quis saber disso para nada e sacou do cartão amarelo para mostrar a Diogo Amado.

Bebé- uma das atracções deste conjunto de jovens portugueses- remata de forma desajeitada e Diogo Viana remata também por cima da baliza dinamarquesa. O mesmo jogador protagoniza mais uma jogada perigosa que o guarda-redes dinamarquês defende.

O empate subsistiu até final da partida. O jogo foi um dos mais desinteressantes a que assisti nos últimos tempos. Foi para condizer com o estado do tempo.

“Os Dois Irmãos” (impressões pessoais)



Pensava à partida que a leitura desta obra da autoria do cabo -verdiano Germano Almeida iria ser monótona e enfadonha. Sendo um homem formado em Direito, julguei que o autor utilizaria uma linguagem muito complexa e formal mas enganei-me.

A leitura deste livro acabou por me levar numa viagem até à sociedade rural de Cabo Verde ainda nos primeiros anos de independência. A história verídica de um fratricídio levou o escritor a elaborar este romance com uma riqueza de conteúdos notável sobre as normas do meio rural que não estão escritas em nenhum tratado mas que são mais fortes do que qualquer lei instituída e são mais facilmente assimiladas por todos os membros.

Ao longo da leitura deste livro não deixei de tirar apontamentos de assuntos que gostaria de abordar aquando das minhas apreciações pessoais.

É incrível como nos anos setenta, ainda se valorizava a honra do homem e por ela ainda se incentivavam ou praticamente obrigavam a cometer o chamado crime de lavagem de honra como foi este. Aliás, mesmo aqui em Portugal, nos meios rurais, ainda hoje muitas pequenas comunidades se regem por normas completamente desajeitadas como esta. Numa sociedade com esses valores machistas e retrógrados, a mulher é pertença do seu marido ou do seu pai, não tem vida própria e jamais lhe é permitido trocar de parceiro, mesmo que este esteja longe, como é o caso do protagonista desta história.

Se a mulher é apanhada com outro, cabe ao marido fazer o que quiser com o amante da esposa e mesmo com esta, visto que ela é propriedade sua. Incrivelmente, estas normas lamentáveis tardam em desaparecer dos nossos meios rurais. Estão tão enraizadas que serão precisos muitos mais séculos até para as refutar completamente e para que finalmente as mulheres usufruam dos mesmos direitos que os homens.

Embrenhemos então em André- um inocente rapaz que saiu da sua pequena aldeia em Cabo Verde e emigrou para Lisboa onde praticamente começou uma vida nova. André era casado. Foi obrigado a casar porque o pai da sua mulher persuadiu o pai de André a obrigá-lo a casar com a sua filha porque se haviam envolvido sexualmente. Desonrando a rapariga, havia que casar com ela. Ora então pois. Nem outra coisa seria de esperar.

André conheceu uma outra companheira em Lisboa e estava a esquecer a mulher a pouco e pouco quando chegou uma carta do pai a informá-lo que apanhou o seu irmão no palheiro envolvido com a sua mulher. Na mesma carta, o pai de André pedia ao filho que viesse a Cabo Verde resolver o problema. André deslocou-se à sua terra natal com a intenção apenas e só de se divorciar e deixar a mulher e o irmão em paz mas a pressão dos seus familiares e amigos foi mais forte. Praticamente o obrigaram a assassinar barbaramente o seu irmão- coisa que ele não tinha ideias de fazer.

Ao contrário do que acontece com qualquer assassino, eu não senti raiva de André por ter cometido o crime. No meu entender, André é tão vítima como o seu irmão que morreu assassinado por ele. Chega até a dar pena. Analisando a personagem, André é até um pouco inocente, facilmente influenciável e bastante apegado à sua família e às suas raízes.

O episódio delicioso de André a relatar em tribunal as incidências da sua chegada a Cabo Verde é simplesmente fantástico. Parecia a minha mãe ou eu a relatar alguma coisa. Só faltou mencionar quantas vezes foi à casa de banho nesse dia e de que cor eram as toalhas do quarto da pensão onde dormiu.

Chegado á sua aldeia que tanto sonhou rever, André ficou extremamente desiludido porque algo tinha mudado. O seu pai recebeu-o com ar hostil e sua mãe era obrigada a afastar-se do filho por pressentir de antemão que iria ocorrer algo de ruim.

O pai de André e João era uma pessoa bastante autoritária, hostil, retrógrada e machista. Estava sempre preocupado com as aparências e jamais poderia compreender qualquer manifestação de amor ou carinho genuíno de outra pessoa por alguém. Desde sempre que o pai de André demonstrou o seu mal-estar pela afectividade que ele nutria pela mãe e pelo irmão. Por tudo isto, André- um homem de sentimentos nobres- sempre foi desprezado pelo pai que até desconfiava que ele não fosse cem por cento macho.

Para além da hostilidade que André notou em casa, quando saiu à rua também reparou no comportamento estranho das pessoas. Tendo ele passado três anos em Lisboa sem visitar a sua terra, o natural era as pessoas saírem de suas casas e correrem para o saudar. Acontecia exactamente o contrário. Sempre que alguém se cruzava com André, passava para a berma da estrada contrária e não lhe falava. André não compreendia por que tinha de ser assim. Realmente!

O pai evitava André e incitou-o a fazer o que quisesse ao irmão. A vergonha do pai era tanta que, para evitar que as pessoas de fora vissem o filho, corria a fechar todas as portas e janelas sempre que André estava em casa. É por essas e outras que eu compreendo André. Uma situação destas não é nada fácil. Ele que esperava ser recebido de braços abertos depois de tanto tempo fora e é tratado como um bicho peçonhento ou algo assim pelos seus familiares e amigos.

Eu, que me estava a preocupar de antemão antes de ler este livro com o excesso de linguagem complexa e cuidada por parte de um homem das leis, assinalo com curiosidade o facto de, precisamente neste livro, se fazer uma alusão ao excesso de complexidade e cuidado na linguagem que os advogados e juízes empregam e que por vezes leva o povo a não compreender as coisas. O recurso excessivo ao Latim também é criticado. Isto vem a propósito de uma pergunta que alguém que estava a ser interrogado não percebeu. Curioso também é que se recorre neste capítulo que visava criticar os excessos dos homens das leis ao Latim e á linguagem complexa.

Outra situação curiosa tem a ver com o facto de, também os homens das leis, estarem preocupados com o que o povo vai dizer se eles despem as becas e as togas devido ao calor. O povo da aldeia não ia tomar como válido um julgamento efectuado por juízes e advogados sem becas e togas vestidas. Eles que estão a julgar, relembre-se, um caso em que o indivíduo foi pressionado por todo um contexto de normas sociais a cometer um crime.

Também destaco o capítulo em que se descreve o almoço dos homens das leis. Para quem é apreciador de cabeças de animais, este é uma boa fonte para se aprender a apreciar a arte de comer cabeças de cabrito e afins.

Voltando ao enquadramento do crime, André sentia-se cada vez mais só e foi com grande tristeza e revolta que viu que o seu tio Domenico também se afastou dele como se ele fosse um demónio ou algo assim. André sempre tivera no seu tio a referência que talvez não tinha do seu pai. Respeitava imenso este familiar e o desprezo deste causou-lhe uma dor insuportável. Para esta sociedade, a mulher era a coisa mais sagrada que um homem poderia ter. Se acaso alguém se apoderasse indevidamente dela e o marido nada fizesse, era como se ele não tivesse honra ou vergonha. Era natural que toda a gente se afastasse dele. Repare-se que aqui as vontades e sentimentos da mulher não são tidos nem achados.

Desprezado e abandonado por todos os que amava, mal recebido pelos seus amigos e vizinhos, foi durante uma festa de boas-vindas de um seu amigo que também regressou de Lisboa que André se lembrou de confrontar o seu irmão João e daí resultou a sua morte. Assim que a notícia correu, André foi aclamado e o seu pai e restantes familiares tomaram-no nos braços.

Pela justiça, André foi condenado por fratricídio mas quem devia pagar a pena deveria ter sido toda uma comunidade que o influenciou fortemente a pôr termo á vida do irmão que tanto amava.

Segue-se então a leitura de mais uma obra de uma escritora americana que promete ser interessante e me promete prender e viciar da primeira à última página.

Que dia terrível de chuva



Olhem-me só para isto! Que tempinho bom para se andar na rua! Vou já para casa. Deixa vir o autocarro!

Discussão

Sonhei que cheguei um dia ao meu local de trabalho e as coisas estavam desagradavelmente diferentes, o que me deixou completamente desorientada.

No lugar do pão, vendiam-se umas comidas estranhas que eu tinha as minhas dúvidas se aquilo era comestível a cem por cento. O pão ficava definitivamente para trás e isso desagradava-me.

Sem pão, nada tinha que fazer. Completamente furiosa com a situação, não me fardei e encontrava-me sentada a uma mesa num local de trabalho irreconhecível por ter sido modificado pelo meu subconsciente e também pelo próprio enquadramento do sonho.

Estava nervosa porque odeio estar sem fazer nada e nada havia ali que eu pudesse fazer. O patrão chegou. Em vez de discutir por eu não estar fardada e por estar ali sem fazer nada, pegou-me na mão esquerda e reparou que eu trazia uma daquelas pulseiras em que se costumam dar nós e pedir desejos. A pulseira já estava um pouco molhada de lavar loiça.

Ele perguntou o que era aquilo e tentou puxar com força. Até estava a contrair as minhas veias. Por mais que ele se esforçasse, a pulseira não cedeu e eu ainda comecei a gozar com a situação e a dizer que não a tirava.

Foi aí que estalou a discussão com o patrão a acusar-me de incompetência, de mau profissionalismo, de falta de educação, de tudo e mais alguma coisa.

Eu ripostei começando a enumerar as faltas que tinha dado até à data e os motivos porque foram essas ausências ao trabalho. Também lhe sugeri que fosse perguntar nos sítios onde estive anteriormente se acaso faltava muito ou chegava constantemente atrasada.

Também numerei situações em que fui trabalhar doente ou depois de ter feito tratamento aos olhos.

No final, ainda com a voz afectava pela discussão, proferi o seguinte:
- Eu não sei representar, nem ser dissimulada. O meu comportamento é autêntico e não sei ser doutra maneira.

Acordei, os meus gritos a discutir com o patrão ainda ecoavam na minha cabeça. Constatei que me sentia bem. Nada de dores nos joelhos ou de indisposição.

O despertador tocou pouco depois mas ainda estava ensonada. A hora tinha mudado para o horário de Verão. Havia que levantar uma hora mais cedo.

Grassa a desunião e a balbúrdia para os lados de Alvalade



Logo que o jogo terminou, coloquei a televisão na RTPN e enfiei-me debaixo das cobertas. Como passei o dia um pouco adoentada e o joelho me doía, tinha a esperança de passar por sonho enquanto não surgiam os resultados da noite eleitoral do Sporting.

Era mais de meia-noite quando acordei com a festa dos apoiantes de Bruno de Carvalho que foi anunciado como sendo o próximo presidente do Sporting.

Voltei a adormecer mas não deixei de ouvir vagamente os ecos da festa. Só que algo mudou. Já a madrugada ia alta, acordei com barulho de estilhaços, arremesso de algo semelhante a grades de ferro e insultos. O que se teria passado?

Ainda mal acordada, foi com espanto que ouvi pela televisão que o novo presidente do Sporting ia ser Godinho Lopes. Daí resultou toda aquela confusão.

Desliguei a televisão e fui dormir descansada ainda a pensar que os sportinguistas são mais violentos uns com os outros do que com os adeptos dos clubes rivais. Imediatamente me veio à memória o que aconteceu no jogo entre o Benfica e o Sporting em que os adeptos leoninos se envolveram primeiro em confronto uns com os outros e depois acabaram por se envolver com a Polícia.

Adaptemos pois o ditado da ACAPO para a realidade sportinguista:
“O maior inimigo de um sportinguista é outro sportinguista

A traição de Matias

Se acaso algum clube português ficou impressionado com a excelente exibição do Jogador Número Catorze da selecção chilena e acaso o queira contratar, convém lembrar que, por incrível que pareça, o referido jogador já alinha numa equipa portuguesa. Só não se sabe é por que é que passa tão despercebido.

Foi algo adoentada e com a habitual dor no joelho esquerdo que me lancei a fazer a habitual crónica sempre que há um jogo em que esteja sossegada a tirar apontamentos. Por incrível que pareça, o remédio para todas as minhas maleitas foi...uma goma. Estas gomas de feitio de ovos estrelados têm quase o efeito dos placebos nos indivíduos que participam nas experiências de teste a novos medicamentos. É incrível!

Vamos ao jogo, que se faz tarde! Antes ainda das incidências do jogo, há a sublinhar a presença de quatro jogadores do Sporting em campo. Matias alinha pelo Chile e há a destacar a titularidade de Rui Patrício na sua terra natal que é Leiria.

Os jogadores chilenos cantam o seu hino com ganas, com sentimento e carregados de patriotismo. O hino do Chile nunca mais acaba, deve ser um dos mais compridos do Mundo.

Depois de escutados os hinos nacionais, destaque para um minuto de silêncio em memória dessa ilustre figura do Desporto e da Comunicação Social portuguesa que foi Artur Agostinho que nos deixou na passada terça-feira. O minuto de silêncio foi merecidamente sublinhado com um monumental aplauso.

Começa então o jogo e já Nani dá nas vistas com uma excelente jogada que termina com um remate de Carlos Martins. Os dois jogadores estão a entender-se na perfeição e já constroem outra jogada perigosa. Isto promete e o jogo ainda mal começou.

Divaguemos agora um pouco! É que o Chile também tem um jogador de apelido Jara. Se a memória não me falha, penso que Victor Jara (o genuíno) era chileno mas tenho de ir confirmar.

Matias ensaia a cobrança de um livre que o seu colega de equipa Rui Patrício tentará deter. No Chile alinha também Pablo Contreras que também é bastante conhecido das lides futebolísticas portuguesas. Este defesa alinhou no Sporting e no Braga.

Matias está responsável por todas as bolas paradas das hostes chilenas mas a jogada perigosa que se segue é protagonizada por João Moutinho. A bola ainda desvia em alguém da selecção do Chile e é assinalado um canto. É na sequência desse canto que Portugal chega ao golo por intermédio de Varela que cabeceia para o fundo das redes adversárias. Estávamos com um quarto de hora da primeira parte, mais coisa, menos coisa.

As eleições no Sporting também marcam inevitavelmente a actualidade desta noite. Posso estar confundida mas penso que Paulo Futre prometeu que o jogador chileno Alexis Sanchez seria contratado se Dias Ferreira ganhasse as eleições. É um belíssimo jogador. Na selecção jogam todos bem, inclusive aquele que já é jogador do Sporting, que para o Campeonato passa jogos em que não se dá por ele e na selecção esta a ser um craque. Já lá vamos falar desse daqui por mais um bocado!

É reclamada uma grande penalidade mas sem razão. O jogador ia para cabecear e simplesmente mergulhou no relvado.

Em que clube joga o tal do Jara chileno? Gonzalo Jara alinha com a camisola oito do Chile e ia agora marcando um autogolo.

E Contreras coloca a bola redondinha nos pés de Varela que a passa a Carlos Martins e assim se cria uma jogada perigosa.

Esta mania tão latina de se protestar quando não se tem razão é incrível! Agora o Jogador Número Sete do Chile- o tal do Alexis Sanchez- parecia um basquetebolista a bater a bola. O árbitro assinalou falta, só não lhe mostrou amarelo porque era um jogo particular e mesmo assim o artista protesta desalmadamente.

Varela está a fazer uma magnífica exibição. O golo que marcou é o culminar deste dia em que tudo corre bem ao Drogba da Caparica.

O Jogador Número Quinze do Chile quase marcava numa oferta de João Pereira que sai lesionado no braço direito que já vai esticado por elementos que o transportam para fora do terreno de jogo.

Estávamos a cinco minutos do intervalo quando Matias de livre bateu de forma irrepreensível o seu colega de equipa Rui Patrício. É o empate para os sul-americanos. Nestes últimos minutos o Chile tem vindo a apoderar-se da área defendida por Portugal.

Já é a segunda grande penalidade que Ricardo Carvalho reclama hoje! Desta vez parece que Vidal lhe carregou nas costas.

O intervalo chega com um empate a uma bola no marcador. Vamos a ver se a segunda parte é tão animada como a primeira!

Pepe entra para a segunda parte no lugar do seu companheiro no Real Madrid Ricardo Carvalho. Novamente se nota aqui o excesso de zelo da parte da estrutura do clube espanhol que só não proíbe os seus jogadores de participar nos jogos particulares de selecções porque parece que a FIFA os proíbe. De certa forma eu até entendo a postura deles. Se um jogador acaso contrai uma lesão grave num jogo destes, é um avultado prejuízo para o clube que investiu milhões nele a pensar no retorno que surge com os jogos que vai fazendo, mas as selecções também têm interesses em jogo e a presença desses jogadores também é importante. É um assunto a ser amplamente discutido nas altas instâncias que regem o Futebol mundial. É um assunto polémico e complicado de resolver.

Voltando ao jogo, há um remate de Carlos Martins que Bravo defende sem problemas. Do outro lado, Rui Patrício tem de se aplicar e ter coragem de sair aos pés de um jogador chileno para impedir que ele fizesse o segundo golo.

Bela jogada individual de Nani! A bola vai parar às mãos do guarda-redes chileno.

Apesar de o jogo ser particular, o árbitro mostra um cartão amarelo a Fábio Coentrão por recorrer à falta para travar Sanchez.

Afinal este Jara já joga em Inglaterra. É também por terras de Sua Majestade que joga Nani que agora remata para fora.

Assim que entrou, Quaresma não fez outra coisa que não fosse dar espectáculo.

Ah, afinal o Jara é o dezoito. Há pouco disse que ele era o oito mas o oito é o Vidal.

À terceira tentativa, aparecendo para cabecear sempre que há cantos a favor de Portugal, Rolando cria ainda mais perigo do que das outras duas vezes.

Ainda há uma oportunidade para Quaresma alvejar a baliza chilena de livre mas o resultado não se alterou. Este desafio acabou empatado a uma bola. Foi um jogo agradável de se assistir e Portugal até nem jogou mal. Realce também para a equipa chilena que também contribuiu para que o espectáculo fosse de alta qualidade.

P.S: Em relação à minha dúvida sobre a proveniência de Victor Jara, de facto eu tinha razão. Victor Jara foi um homem importante da música e da cultura em geral do Chile de Salvador Allende. Foi, digamos assim, uma espécie de Zeca Afonso lá do sítio mas mais multifacetado e com maior intervenção política. Quando a 11 de Setembro de 1973 se deu o golpe militar que afastou o presidente eleito democraticamente Salvador Allende do Poder e se instalou a ditadura (precisamente o contrário do que viria a acontecer por cá uns meses depois, é curioso) Jara foi preso e assassinado. A sua morte ocorreu cinco dias depois do golpe militar. É por isso que Victor Jara, tal como Pablo Neruda e outras referências chilenas, são tão homenageadas no Mundo. Aqui em Coimbra existe a Brigada Victor Jara que mais tarde vim a perceber que tinha origem nesta figura mítica da cultura e da política chilena. Sempre a aprender e a dar a conhecer ao Mundo o que eu vou aprendendo com as dúvidas que me vão surgindo. É assim o meu modo de estar na vida.

Monday, April 18, 2011

Ainda a Serra da Estrela a povoar os meus sonhos

A viagem foi há uma semana atrás e ainda sonho com a Serra da Estrela. É incrível!

A visita à Serra da Estrela foi feita por um misto de colegas de trabalho e amigos da ACAPO. Havia uma espécie de balneários repletos de tralha variada que estava no meio do caminho e estorvava os nossos movimentos. De entre a desordeem destacavam-se uma espécie de livros que se podiam comer.

As conversas giravam em torno de um surto de uma virose do género de uma gastroenterite. Muitas pessoas padeciam dessa maleita. Enquanto não éramos acometidos de qualquer perturbação digestiva, comíamos num restaurante enquanto ouvíamos as notícias do estado do tempo numa enorme televisão com a imagem da Serra da Estrela como fundo.

Da ementa ao nosso dispor fazia parte frango assado no forno com batatas assadas e arroz. Também se podia optar por comer…gato. Imediatamente eu gritei que não queria gato. Por via das dúvidas, fui tirando os pedaços não identificados de “frango” para o prato da Formadora de Braille e escolhi as coxas que me eram mais familiares.

Entretanto mais dois formadores do nosso grupo foram acometidos da virose. Eu também tinha medo de adoecer.

Mais uma vez, a minha adorada colega de trabalho de estimação que teima em sempre povoar o meu subconsciente aparece também aqui. Foi no carro dela que foi feita a viagem de regresso a casa. Ela conduzia a alta velocidade. Outra das minhas colegas que também aparece imenso nos meus sonhos ia no banco de trás. Ia, portanto, com as duas detectives lá do meu local de trabalho.

O cenário do sonho passa agora a ser a sala junto ao meu quarto num final de tarde que se aproximava rapidamente do ocaso. Estava junto à porta do meu quarto, pronta para entrar, quando ouvi o meu pai saudar o melhor amigo da minha irmã que entrava pela outra porta porque ela o tinha chamado por qualquer motivo.

A minha irmã questionou-o sobre o facto de ele agora namorar. Ele disse que a namorada dele era alemã e que já não namorava com ela.

De referir que trabalhei acometida de perturbações digestivas. Um efeito retardado do excesso de comida de há dois dias atrás?

A chupeta amarela e verde

Depois de ter sido afastado do cargo de Seleccionador Nacional, e depois de ter sido confirmada a sua falta de jeito para treinar uma equipa de Futebol, Carlos Queirós tem vindo a demonstrar ter um futuro bem auspicioso na área do Humor.

Depois do estrondoso sucesso gastronómico conseguido com a sua receita de porco à lagareiro, Queirós continua a demonstrar uma enorme criatividade e sentido de humor de fazer inveja a muitos cómicos da nossa praça.

Desta vez o alvo do seu sarcasmo é o também nosso amigo Pepe, aquele jogador extremamente correcto em campo, incapaz de abrir um crânio a um adversário. Oh sim!

Durante o estágio que a Selecção Nacional está a efectuar tendo em vista os jogos particulares com o Chile e com a Finlândia, Pepe queixou-se do facto do antigo Seleccionador Nacional ainda estar a tecer declarações com o objectivo de perturbar o actual grupo de trabalho.

A resposta de Queirós ao luso-brasileiro não se fez esperar e arrancou rasgados sorrisos a quem teve a sorte que eu tive de o ouvir.

Falando com sotaque brasileiro, porque só assim Pepe entendia, Queirós disse que Pepe era um actor com um papel muito secundário de uma novela brasileira de muito baixa qualidade. As referências depreciativas de Queirós ao país de origem de Pepe continuaram. Muitos brasileiros até poderão ter ficado ofendidos com tantas referências depreciativas ao seu país. Queirós terá arrastado os símbolos e valores do Brasil na lama. Como não sou brasileira e sempre me mostrei contra a naturalização destes jogadores, até achei piada e até lhe dou razão em alguns aspectos. Paulo Bento também parece ser da mesma opinião e já não convocou Liedson para esta dupla operação da Selecção Nacional.

E continua Queirós no seu registo que escolheu para melhor ser compreendido pelo destinatário das suas palavras: Segundo ele, Pepe arrisca-se a vencer o Prémio Nobel do Puxa-Saco devido a não haver razão nas queixas do central do Real Madrid, aquele que recentemente quase enviou o seu antigo colega Lisandro Lopez para a clínica de tratamento maxilo-facial.

Agora vem a parte saborosa deste discurso de Carlos Queirós, aquela parte que meteu imensa piada e que pode ser aproveitada para qualquer apontamento humorístico que não seja este que eu estou a tentar fazer neste blog.

Recorda Queirós a Pepe que, em 1991, andava ainda o Jogador Número Três do Real Madrid com a chupeta amarela e verde na boca a pensar que selecção nacional devia representar e já Carlos Queirós dava títulos ao Futebol Português.

Como não podia deixar de ser, e já que o objectivo era colocar a moral de Pepe para baixo, nada melhor do que reforçar aquilo que mais caracteriza este defesa- a excessiva agressividade que o jogador emprega em certos lances que, para além de magoarem seriamente os adversários, também prejudicam a própria equipa com os cartões que ele vê na sequência desses lances. Os exemplos são inúmeros mas Queirós recordou uma ocasião em que Pepe pontapeou barbaramente um adversário na cabeça no Campeonato Espanhol.

Queirós até pode ter razão em tudo o que diz. Escusava de ofender todo um povo para apenas atingir uma pessoa. Apesar de ter metido piada, era escusado Queirós ter rebaixado tanto o povo brasileiro.

Almoço abundante

Temi uma indigestão devido à grande quantidade de comida que tive de ingerir ao almoço. Toupeira Dum Raio, que nem viu que aquela sopa era sopa à camponesa, uma espécie de sopa de pedra ou lá o que era.

Para além dos legumes e da imensa quantidade de feijão, a sopa tinha imensa carne (alguma dela com gordura) e toda a espécie de enchidos. Aquelas morcelas enfastiaram-me imenso.

Depois ainda me colocaram uma imensa quantidade de arroz branco para acompanhar com as fatias de bife de peru. Como os tempos não estão para desperdícios, tive de fazer um enorme esforço e comer o arroz todo, bem como as tiras de peru

Terminei o almoço com uma gelatina e com o indispensável café. Esperava passar um mau bocado mas tal não se verificou para já.

Peca por tardia a demissão do Governo

O dia prometia ser agitado em termos políticos e veio a confirmar-se o cenário traçado de antemão que previa a demissão do Governo liderado por José Sócrates.

Tudo começou com a apresentação do quarto pacote de medias de austeridade que vão penalizar ainda mais a vida já de si depauperada dos cidadãos nacionais.

Depois de ter prometido não mais penalizar os portugueses com mais cortes nos salários e nas pensões e com mais subidas de impostos, José Sócrates esqueceu-se das promessas anteriores e apresentou no final da passada semana mais um pacote de medidas de austeridade.

Questionado sobre as promessas feitas e não cumpridas, o Primeiro-Ministro desculpou-se com a pressão exigida por Bruxelas para tomar novas medidas. A oposição é que não acredita em uma única palavra de Sócrates e logo o abandonou. Hoje o novo pacote de medidas de austeridade ia a votos e os partidos da oposição logo apregoaram que iam votar contra.

Sem as medidas aprovadas, não restava outra alternativa a Sócrates que não a de colocar a viola no saco e sair de mansinho do Governo.

Segundo um estudo, apesar de terem sido implementados três pacotes de medidas de austeridade, a dívida pública não se alterou, o que tornou estas medidas num rotundo fracasso. As famílias têm cada vez menor poder de compra e estão cada vez mais endividadas. As empresas também não aguentam as despesas e a falta de poder económico para esgotar o que produzem. Isso gera desemprego e, por conseguinte, menor poder de compra e ainda mais desemprego.

A oposição culpa o Governo de estar a empobrecer os cidadãos em vez de cortar nas despesas supérfluas dos políticos, das obras públicas sem utilidade e nos salários e pensões de valores astronómicos de alguns administradores de empresas do Estado. Aí é que o Governo devia ter cortado e não nos parcos meios dos cidadãos que estão cada vez mais pobres e endividados.

Dias difíceis se avizinham aqui em Portugal. Esta crise económica veio para durar e a crise política, apesar de já há muito se estar a movimentar silenciosamente, entrou hoje finalmente em erupção. Que vai ser de nós nos próximos tempos? Aguardam-se desenvolvimentos nos próximos meses.

Morreu Artur Agostinho

Portugal perdeu esta manhã mais uma figura emblemática da Cultura nacional. Aos noventa anos de idade, o grande comunicador Artur Agostinho teve de partir levando consigo toda a alegria de viver de boa disposição que o caracterizavam.

Quando as pessoas que nós admiramos atingem uma idade considerável, já nos começamos a mentalizar que, mais dia, menos dia, essas pessoas vão ter de partir porque, apesar do seu inegável valor, as leis da vida e da morte são mais fortes.

Contentemo-nos com as magníficas recordações e momentos que este multifacetado senhor da Cultura nos deixou. Há que lhe agradecer pelo excelente Ser Humano que foi e pelo que teve oportunidade de fazer enquanto andou nesta vida.

Para Artur Agostinho, um bem-haja por tudo o que nos deixou e que descanse em

Sunday, April 17, 2011

Bolas

Esta é mais uma aventura onírica toda ela passada em torno de umas saborosas bolas de Berlim que eu não devia comer.

Por incrível que pareça, estas bolas de Berlim estiveram enterradas largas centenas de anos numa igreja onde também existiam túmulos com ossadas antigas. Mas isto é lá possível? É, porque se trata de um sonho e nos sonhos tudo é possível.

A minha mãe pegava naquelas bolas de Berlim poeirentas, colocava-as num enorme tacho de alumínio com água e fervia-as no fogão. Elas ficavam bem saborosas e eu comia sempre mais do que uma. As pessoas ficavam impressionadas porque eu fartava-me de comer daquelas bolas e elas não me faziam mal.

Depois de fervidas, elas ficavam amarelinhas e cremosas como se tivessem acabado de sair do forno de uma qualquer pastelaria.

Deixemos as bolas de Berlim bem cremosas e saborosas para relatarmos um pequeno episódio desta intensa noite de sonhos. Regressava ao trabalho depois das folgas e logo me puseram ao corrente da morte súbita da minha antiga chefe da fruta.

Nova mudança de rumo nesta aventura. Este é um sonho recorrente mas eu até gosto, regra geral, deste tipo de sonhos. Saí de casa ao anoitecer e ia cantando a plenos pulmões pela rua fora.

Mais uma reviravolta nesta viagem onírica. Regressava de Coimbra para casa num Sábado. Tinha comboio por volta das onze e meia mas vi pessoal equipado e preparado para jogar Futebol e resolvi ficar.

Eles convidaram-me para jogar pela sua turma. Apesar de ser a única rapariga ali, fiquei lisonjeada com o convite. Ainda argumentei que só ia atrapalhar.

Tive de me equipar à pressa. A nossa equipa tinha de usar equipamentos azuis porque a outra formação equipava com vestes vermelhas.

O jogo decorria. Eu jogava na faixa lateral direita e lá demonstrava toda a minha nabice em termos futebolísticos.

À medida que o tempo ia passando e eu ia ganhando mais confiança, ia ficando cada vez mais craque com jogadas de fino recorte técnico. Era uma brinca-na-areia autêntica de fazer inveja a qualquer craque da nossa praça. Os meus colegas e até os adversários aplaudiam-me e incentivavam-me a continuar. Era inconclusiva com a bola nos pés. Era bonito para a vista mas em nada resultava em termos práticos.

De referir que o jogo decorria no velho campo da Escola Secundária de Anadia um pouco alterado oniricamente.

Penso que não joguei o jogo todo. Cheguei a casa era já tarde. Fui tomar banho mas a banheira estava imunda. Até espinhas de peixe boiavam na água e espetavam-se na minha pele. Era por isso que estava a demorar tanto.

Através da porta fechada da casa de banho, enquanto eu me limpava com uma toalha colorida que na realidade existe lá em casa, o filho do meu vizinho chamou-me. Disse que havíamos ganho por 14-0 e que estava convidada a participar no próximo jogo que estava marcado para a semana seguinte por volta das cinco e meia da tarde.

Com muita pena minha tive de recusar o convite por depois não ter transporte para casa.

O meu despertador não despertou mas para alguma coisa coloco também o telemóvel a despertar. Acordei ainda antes de o telemóvel tocar.

“A Festa Das Bruxas” (impressões pessoais)



Mais uma empolgante obra de Agatha Christie que me prendeu do início ao fim da história. Apesar de a trama ser complexa, desde início que acertei no desenlace.

Tudo começou numa inofensiva festa da noite das bruxas para a qual Judith convidou a sua amiga Ariadne Oliver. No meu entender, Ariadne Oliver foi uma personagem criada por Agatha Christie para ela própria entrar na história de forma original. São muitas as semelhanças entre Ariadne e a própria criadora. Ambas são escritoras de romances policiais de sucesso e ambas criaram um singular detective. O detective finlandês alegadamente criado por Ariadne tem paralelo com Poirot que é belga e é o mais marcante personagem criado por Agatha Christie.

Na festa a que Ariadne assistiu, uma miúda conhecida como sendo uma mentirosa e exibicionista de nome Joyce apregoou para quem a quisesse ouvir, ainda durante os preparativos, que assistira pessoalmente a um assassinato. Ela profere estas declarações para impressionar Ariadne.

No decorrer da festa há um jogo em que se tem de tirar maçãs com a boca de um balde cheio de água, bem como outras interessantes actividades. No final da festa nota-se a ausência de Joyce. Uma busca mais minuciosa pela adolescente de treze anos leva à descoberta macabra do seu corpo com a cabeça afogada num enorme balde com água e maçãs.

Inicialmente pensou tratar-se de uma brincadeira com consequências graves ou de um crime de natureza passional mas Ariadne, com o seu instinto de detective, imediatamente associou a morte de Joyce ao comentário que lançou para o ar. Foi por isso que recorreu a Poirot que logo se colocou no terreno para averiguar o que tinha acontecido.

Poirot por sua vez contacta um seu amigo que é polícia para averiguar eventuais mortes duvidosas ocorridas nos últimos anos. Depois desta informação, havia que indagar se acaso Joyce teria assistido a algum desses presumíveis crimes.

A lista de mortes era pouco extensa mas a Poirot chamou a atenção, por acaso, uma ocorrência que se veio a verificar não ser crime mas que viria a despoletar dois outros crimes. A senhora que falecera de causas naturais fez inicialmente um testamento a favorecer a sua sobrinha Rowena Drake (a anfitriã da festa onde decorreu a morte de Joyce). Depois o testamento foi alterado e a senhora deixou parte da sua fortuna à sua empregada Olga que foi acusada por Rowena Drake e seus familiares de ter falsificado o testamento. Passados dias Olga desapareceu. Toda a gente depreendeu que regressara à Checoslováquia (seu país natal).

Poirot também se deparou com a morte violenta de um jovem advogado que ficou conhecido pela sua arte de falsificar. A versão oficial da morte deste jovem apontava para uma rixa com origem na sua vida amorosa que acabou mal.

Depois ainda havia a morte de uma professora mas essa foi só para despistar. Fiquei com a convicção de que as mesmas pessoas seriam as autoras de algumas destas tragédias. Não me enganei.

Entretanto o irmão de Joyce também é morto. Poirot continua a trabalhar para desvendar o mistério que se afigura complicado.

A casa da parente de Rowena Drake ficava junto a uma antiga pedreira que foi brilhantemente convertida num misterioso jardim por um ambicioso e estranho arquitecto chamado Michael Garfield.

Sempre desconfiei de Rowena Drake desde praticamente o primeiro capítulo. Não me escapou o facto de ela sugerir um balde de zinco para o jogo das maçãs em vez de um de plástico. O facto de ser a beneficiária inicial do testamento da sua tia também reforçava essa ideia.

A partir do capítulo vinte também passei a desconfiar de Michael quando ele se negou a mostrar a Miranda (filha de Judith- a amiga de Ariadne) onde era o poço dos desejos. Além disso, ele foi bastante ríspido com Poirot e escorraçou-o do seu jardim. Poirot depreendeu que ali se escondia alguma coisa e que o arquitecto se preparava para ir embora.

Poirot compreendeu que a pequena Miranda e sua mãe corriam perigo e pediu a Ariadne que as acolhesse em sua casa. Entretanto foi dada ordem para que se fizessem buscas na pedreira para procurar presumivelmente o corpo de Olga.

O corpo foi encontrado dentro do poço que Michael se recusava a mostrar a Miranda. O cadáver denotava vestígios de recurso a arma branca. Tudo estava claro. Olga fora morta por quem falsificou o testamento.

Foi à morte de Olga que Miranda assistiu alguns anos antes. Rowena e Michael carregavam a checa já morta para a introduzir no poço. Como amiga íntima de Joyce, Miranda contou – lhe que vira o crime. Na festa Joyce tomou a história como sua para se exibir perante Ariadne. Rowena, que no dia do crime ficara com a ideia que alguém a observava, ficou preocupada e resolveu silenciar Joyce. O irmão de Joyce também exigia dinheiro aos criminosos para não contar que também ele sabia da história. Não admirava que ele tivesse sempre dinheiro.

Quando Ariadne e Poirot fugiam a toda a pressa com Judith e Miranda rumo à casa da escritora, a jovem implorou que parassem para comer alguma coisa. Como tinha grande cumplicidade com Michael, ela logo combinou encontrar-se com ele para a resgatar para juntos realizarem um ritual de sacrifício que culminaria com a morte de Miranda. Ela sentia-se culpada pelo que aconteceu à amiga.

Dois dos primeiros suspeitos do crime acabaram por encontrá-los no cume da montanha. Michael preparava-se para envenenar Miranda e esta aceitava pacificamente por se sentir culpada pela morte de Joyce. Sem saída, Michael acabou por beber o veneno.

A obsessão de Michael por fazer obras estrondosas nos pedregulhos das ilhas gregas e a sede de dinheiro de Rowena fizeram deles uma dupla mortífera que cometeu todos aqueles crimes. A sua tia morreu, de facto, de morte natural mas eles eliminaram Olga e o advogado para apagarem os indícios da sua estratégia. Joyce e o irmão foram mortos porque eram presumíveis testemunhas dos seus actos criminosos.

No final surge a revelação de que Miranda era filha de Michael. Sem saberem dos laços de sangue que os uniam, ambos demonstravam uma cumplicidade incrível. Judith escondeu da filha e de Michael esse facto.

Finda esta interessante obra, mergulho na sociedade cabo-verdiana dos anos setenta.

Serra da Estrela/Museu do Pão (as fotos)












Sol e neve



O dia estava esplêndido. O Sol brilhava com grande intensidade e a temperatura estava agradável quando saímos de Coimbra rumo ao ponto mais alto de Portugal.

Havia que apanhar um autocarro a tempo de estar nas instalações da ACAPO às oito horas. Na paragem encontrei um amigo meu que vinha acompanhado por uma amiga sua e fomos dos primeiros a chegar ao local do embarque.

Os autocarros dos SMTUC foram parando e largando outros passageiros que também iriam na excursão. Já estava quase toda a gente quando o autocarro que nos levaria rumo ao Interior chegou.

A viagem foi animada. Foram divulgados os grupos que foram criados para melhor organização das pessoas. Por acaso eu não estava inserida em nenhum grupo e podia andar com quem me apetecesse.

A informação que chegou fez-nos pular de contentamento. Segundo as previsões, havia neve na Serra. A diversão estava garantida. À medida que subíamos, foi lida informação sobre o local que iríamos visitar.

Ia olhando para a paisagem através da janela do autocarro ansiando por ver os primeiros indícios de neve. Já se sentia o arrefecimento gradual da temperatura.

Uma alegria imensa e uma enorme paz de espírito invadiram-me quando os primeiros indícios de neve começaram a pintar a paisagem de branco. Que emoção! Já não via neve ao vivo há bastantes anos.

Continuámos a subir e o branco foi dominando a paisagem. Ia registando aquelas emoções da paisagem através das fotografias que tirei com o meu telemóvel. Não há palavras para descrever o que sentia a olhar para um Céu luminoso e para a neve que cobria a paisagem. Simplesmente brutal!

Chegou a hora de sairmos. Havia que procurar casas de banho para aliviar as bexigas. O incómodo era ter de esperar longo tempo na fila. E eu que estava ansiosa por ir para a neve. Já tinha apanhado um punhado dela e constatei que ela era fofa e maleável. Acho que foi a primeira vez que agarrei neve verdadeiramente.

É inadmissível um local visitado por tantos turistas só ter uma casa de banho para senhoras e outra para homens. Havia que esperar.

Alguém de dentro da casa de banho aparentava padecer de diarreia. O nosso grupo logo esboçou um coro de gargalhadas que saiu de forma instintiva. Há comportamentos por parte dos seres humanos que saem assim sem pensar. Sabemos que não são correctos mas, quando damos conta, já nos rimos e já gozamos com a infelicidade dos outros. É que enquanto nos ríamos das tropelias da desconhecida na casa de banho, íamos debatendo o quão embaraçoso é estar numa casa de banho pública a padecer de desarranjo intestinal. Rindo imenso, a minha habitual companheira desta jornada e de algumas colónias de férias (uma expert em assuntos íntimos das entranhas) ia começando a contar uma das mil e uma histórias das inúmeras vezes em que lhe deu a “caganeira”. Calámo-nos. A responsável por esta autêntica conversa de merda acabava de sair de fininho da casa de banho. Era uma senhora de cabelos brancos e que envergava um casaco castanho. Não a conhecíamos.

E chegou finalmente a altura de virmos para fora para desfrutar da neve que nos tinha trazido até ali. Ao longo de alguns minutos brincámos, tirámos fotos, fizemos vídeos e, claro, eu fazia questão de ser fotografada sempre com as mãos a abarrotar de neve branca, fofa e fria que ia moldando. Era até eu não poder mais de frio nas mãos.

Chegou a hora de abandonarmos a Serra da Estela com o Sol a reflectir na neve. Outras paragens esperavam por nós.

O próximo destino foi o Sabugueiro onde fizemos compras e onde almoçámos. Havia imensas lojas onde podíamos adquirir recordações. Havia que escolher. Lá procurámos uma loja onde comprámos o que queríamos. Eu comprei um salpicão, um queijo da Serra, uma garrafa de licor serrano para o meu pai e um cão de peluche para mim. Foi o primeiro a que deitei a mão. Um dia não são dias.

À hora do almoço toda a gente sofreu do mesmo mal- o calor. Toda a gente veio tremendamente agasalhada para a neve mas estava um calor quase tórrido. Ou então era de termos muita roupa vestida. Em instantes passei do gorro, do casaco e das duas camisolas de lã para a manga curta. Parecia Verão.

Em Seia esperava-nos uma tarde bem divertida. Era um dos pontos altos da nossa viagem- a visita ao Museu do Pão. Depois do almoço, o comboio turístico da cidade levou-nos até ao museu. Acho que nunca lá tinha ido.

Toda a gente ansiava por café. Foi ali que tomei o primeiro e único café do dia. A seguir houve que esperar numa fila para uma outra casa de banho. Mais um local visitado por tanta gente apenas com uma casa de banho. Desta vez fomos nós a rirmos da nossa colega. Não foi por lhe ter dado uma dor de barriga, foi porque lhe caiu uma quantidade imensa de moedas dos bolsos das calças. A sinfonia das moedas a bater no chão da casa de banho meteu piada. E ela apanhou-as todas.

Tivemos de esperar longamente que um grupo enorme de pessoas terminasse também a sua visita. Foi a maior seca que apanhámos. Os de Aveiro já se preocupavam com os transportes e o resto do grupo desesperava.

Finalmente começámos o nosso percurso no museu. Havia lá uma exposição curiosa em que estavam representados os presidentes da República em massa pão. Mais uma iniciativa inserida nas comemorações dos cem anos da República.

Como trabalho com pão todos os dias, abordei esta visita como sendo uma espécie de visita de estudo. Toda a história do pão estava ali representada. Achei particularmente interessante o facto de algumas das representações serem feitas com figuras em tamanho real. Eu até coloquei dúvidas, num primeiro olhar, se aquele padeiro que se movimentava com a pá na direcção do forno era real. Depois de uma maior atenção é que reparei que não era mas enganou-me bem.

A visita foi bastante interessante e divertida. Todo o nosso grupo estava feliz por tudo ter corrido bem. Assim foi demonstrado na viagem de regresso no comboio em que já se cantava e tudo.

O dia chegou ao fim. Pela janela do autocarro assistia ao cair da noite e reflectia no quão divertida e revitalizante para o espírito foi a viagem.

Consta que nessa noite dormi como há muito não dormia. A neve trouxe-me uma paz de espírito incrível.