Friday, January 17, 2014

O jogo da vida de Eusébio e de todos os Portugueses

Ainda no decurso das inúmeras e sentidas homenagens a Eusébio, a TVI 24 voltou a exibir aquele que foi indubitavelmente o jogo da vida de Eusébio e um dos mais épicos jogos da Selecção de Todos Nós em toda a história. Tratou-se do Portugal-Coreia do Norte do Mundial de 1966.

Assim que soube que ia dar esse jogo, fiquei logo curiosa para assistir. Não podia perder essa maravilha futebolística a que, obviamente, não assisti mas de que tanto ouvi falar, especialmente sempre que Portugal marcava presença num Mundial.

Também estava curiosa para ver o que tinha mudado no Futebol desde esses gloriosos tempos. Muita coisa mudou, difícil é dizer o que ainda se mantém. A bola (maior e mais pesada, ou é impressão minha?), as balizas (parece que nesse tempo eram de madeira) e onze jogadores empenhados (naquele tempo eles não ganhavam milhões, o que faz deles uns autênticos heróis).

Admirei-me de o Futebol já ser jogado a um bom ritmo, apesar de a preparação atlética dos jogadores ser escassa ou quase nula. Hoje complementa-se o treino com bola com ginásio, corrida ou outros exercícios e dão-se suplementos alimentares para o bem-estar e desenvolvimento do atleta. Os coreanos só corriam e eram tão pequenos, que nenhum hoje vingaria num treino de captação de qualquer clube por não terem altura suficiente.

Uma coisa que regrediu na minha opinião foram os equipamentos. Naquele tempo os jogadores jogavam de perna completamente ao léu. Hoje jogam completamente tapados, o que e uma chatice para se observarem os seus atributos físicos. Se os jogadores de hoje jogassem com aqueles equipamentos (desenvolvidos com as fibras e as novas invenções de hoje) mais público feminino frequentaria os estádios. Aqui em Portugal estava resolvido o problema das fracas assistências, fosse à sexta-feira à noite, fosse ao Domingo à tarde, fosse à segunda-feira às três da tarde, quando o cidadão se encontra alegremente a trabalhar para o seu sustento.

Bem, para o nosso craque de hoje, Cristiano Ronaldo, jogar com tais calções não seria problema. Eu curtia ver era esse tipo de indumentária mais sexy implementada no Campeonato cá do burgo. Bem, ouvi alguém dizer (penso que foi Pelé) que esses calções curtos davam azo a que mais manobras rasteiras houvesse na marcação dos cantos, por exemplo, havia o hábito de puxar pelos pêlos das pernas aos adversários para os distrair. E aquilo devia doer. Também contaram que houve um jogador lá da América do Sul que trazia sempre uma pedra bem afiada na mão para magoar os adversários aquando desses lances de bola parada em que os jogadores andam à molhada junto a uma das balizas.

Bem, naquela época o Futebol era algo cruel, especialmente por não haver substituições. Quer-se dizer, podia-se jogar com uma lesão nos ligamentos ou com uma ruptura muscular até ao fim…ou com uma perna partida. O importante era a equipa não ficar reduzida a dez elementos. E eu pergunto: e se um jogador sofresse de um desarranjo intestinal daqueles mesmo fortes? Certamente se pararia o jogo e se faria como, não há muitos anos, se fez na Argentina, parando-se o jogo para que o guarda-redes de uma das equipas se fosse aliviar ao balneário. Mas…eu continuo com a minha. E se o jogador tivesse mesmo um daqueles desarranjos bem fortes em que tivesse de se deslocar à casa de banho de cinco em cinco minutos?

Foi insistentemente falado que antigamente se podia atrasar a bola com os pés ao guarda-redes e ele podia agarrá-la com as mãos. Eu ainda me lembro de isso acontecer. Creio que essa alteração se implementou no Mundial 98 ou 2002. Julgo não ser mais antiga do que isso.

O que de positivo se perdeu de esses tempos para hoje? A garra, a entrega, a determinação. Hoje parece haver mais calculismo, mais gestão, não se joga com aquela alegria e aquele prazer de outrora. Isto é a minha opinião vendo como se jogava noutros tempos, especialmente na Selecção. Seria impensável alguém renunciar vestir a camisola da sua Pátria como acontece hoje, independentemente da idade do jogador ou do clube em que joga. Jaime Graça era do Vitória de Setúbal e foi ao Mundial 66. Talvez o Vitória de Setúbal naquela época fosse um clube de dimensão maior do que é hoje mas, mesmo assim, qual e o jogador de um clube sem ser o Benfica, o Porto, o Sporting ou o Braga que vai à Selecção? Daqui a uns anos, se virem um jogo deste tempo de agora, também deverão perguntar porque é que os jogadores do Braga envergavam a camisola de Portugal, não sei.

Quanto a Eusébio, faltam adjectivos para classificar a sua entrega e a sua determinação neste encontro. Foi graças a ele que passámos de uma derrota humilhante para uma vitória memorável. Chega a ser comovente e isto não tem a ver com o facto de ele nos ter deixado, tem a ver com os autênticos milagres que operava em campo e que neste jogo em concreto fizeram a diferença.

Para quem não teve oportunidade de ver este jogo (e também para quem adormeceu a vê-lo) aqui ficam os links. Não quero que vos falte nada, muito menos o que nos encha de orgulho como foi esta partida de Futebol.





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