Foi com choque e consternação que soube que o meu amigo Carlos Simões havia falecido. Confesso que fiquei sem chão. Ainda há um mês atrás estava todo animado com os seus projetos musicais, com um novo computador que lhe permitiria trabalhar na música. Também manifestava preocupação com a saúde precária dos seus pais já com idade avançada. “Se os meus velhos me faltarem, não sei o que será de mim” – manifestou ele a sua apreensão numa altura em que a saúde do pai estava mais precária.
A morte foi súbita e apanhou todos de surpresa. A última imagem que guardo dele foi quando há sensivelmente um mês atrás esteve presente com o seu acordeão a animar o nosso magusto. Ele tinha-me pedido que lhe mostrasse a mesa de Showdown e o ensinasse. Quando a festa terminou, levei-o onde estava a mesa. Ele trazia as mangas arregaçadas, peguei-lhe no braço e ensinei-o a fazer serviços. Ele mandava as bolas para fora e isso proporcionou momentos divertidos. Estava longe de imaginar que seria a última vez que iríamos rir juntos. Depois chamaram-no para o levar a casa e assim nos despedimos. Não sabia que seria para sempre.
Costumava-lhe enviar o link para os vídeos que faço para o Youtube e ele não deixava de comentar. Nesse dia em que estivemos juntos pela última vez, eu pedi-lhe desculpa por não lhe responder ás mensagens mas eu sou assim. E não ouvi as últimas que ele me deixou. Também não sabia e nem tinha forma de saber que iria deixar de ouvir a sua voz, a não ser nos registos que foi deixando.
Ficam na memória momentos divertidos, recordarei o excelente contador de histórias que era. Tinha sempre uma aventura para contar bem ao seu jeito. Recordo-me de uma vez ele ter contado com graça que tinha tentado conduzir uma carrinha. Nunca mais me esqueci.
Custou-me a adormecer nesta noite e, quando adormeci, os sonhos foram inquietantes.
Num primeiro sonho, estavam á minha espera para ir a um convívio onde haveria comida. Eu não me pude despachar porque havia uma pessoa a ocupar a casa de banho e nunca mais de lá saía.
Eu pedi para esperarem por mim mas disseram que não podia ser, que eu estava muito atrasada. Fiquei desesperada.
Ainda mais inquietante foi o outro sonho.
A minha avó, que faleceu em 1989 ainda era viva. A minha mãe tinha ido com ela de urgência para o hospital. Era noite e nada de notícias.
Eu e a minha irmã já estávamos preocupadas. Nada de elas chegarem a casa e nada de notícias.
Estava junto à rotunda e vi chegar um táxi. Seriam elas?
Corri para casa. A minha mãe estava devastada e disse-nos que a nossa avó iria morrer. Nada havia a fazer.
Foi aí que acordei.
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