Thursday, June 25, 2020

Falava pelos cotovelos



Por vezes nem sei onde raios o meu subconsciente vai buscar certos personagens que simplesmente povoam os meus sonhos e nem pedem licença para entrar.

Pouco me lembro do contexto deste sonho mas vale pela descrição do personagem, pelo menos da sua característica mais visível…ou mais audível neste caso.

Lembro-me apenas que havia um evento qualquer ao ar livre. Até o meu subconsciente sabe que agora, como as coisas andam, não nos podemos reunir muito em espaços fechados.

Estávamos num parque de merendas ou outro lugar parecido onde existem daquelas mesas de madeira de piquenique.

O evento tinha a particularidade de abranger pessoas de várias nacionalidades. Esta criatura era da Europa de Leste, da Eslovénia ou da Croácia.

Não o conhecia mas sentou-se na mesa ao meu lado. A sua pele era delicada e o seu cabelo era de um castanho muito claro. Parecia muito jovem. Nem um sinal de barba havia na sua cara.

Desde que se sentou, não parou de falar. Muitas vezes não o entendia e ia acenando. Noutras vezes falava muito alto, não deixando os outros conversar. Todo o espaço era dele. Era dele o palco. Ninguém mais falava.

De vez em quando lá se ouviam sussurros noutras mesas mas já eram de enfado.

Ele falava, e falava, e falava. O azar é que toda aquela interminável verborreia se destinava á minha pessoa que também estava morta por o ver calado e a comer.

E assim continuou até eu acordar. Mesmo assim, parecia-me ouvir a sua voz ecoando na minha cabeça.

Paciência olímpica de Bruno Lage



O Benfica está em crise. Não adianta negar. Por mais que custe a nós, adeptos, já damos esta época como perdida.

Muitas são as causas para este momento mais negro. Como sempre, o treinador é sempre o lado mais frágil de uma corda, pelo qual ela sempre se parte.

Talvez Bruno Lage se tenha excedido um pouco na conferência de imprensa após a derrota com o Santa Clara. Talvez estas declarações um pouco a quente sejam o culminar de dias a fio a roer, a remoer o que ia ouvindo através de quase toda a comunicação social. Desportiva e não desportiva.

Praticamente desde o primeiro dia de entrada no comando técnico do Benfica que Bruno Lage se depara com notícias e insinuações do iminente regresso de Jorge Jesus ao comando técnico do Benfica.

Há órgãos de comunicação social que todos os dias ou quase relatam telefonemas entre Luís Filipe Vieira e o atual técnico do Flamengo. O presidente do Benfica já veio dizer que é natural falar com o técnico ao telefone, uma vez que continuam a ser amigos. Muitas das vezes nem falam do regresso ao Benfica. Qualquer declaração que o presidente faça, logo essa comunicação social interpreta como a preparação do regresso de Jorge Jesus. Qualquer coisa que o técnico diga, por exemplo que quer regressar a Portugal para estar mais perto da família, logo é interpretado por esses jornalistas como uma deixa para o regresso ao Glorioso SLB.

Nas conferências de imprensa, quase todos os dias confrontaram Bruno Lage com o regresso de Jorge Jesus, mesmo quando estávamos a ganhar e a fazer boas exibições. Quem é que aguenta?

Muitas vezes eu ouvia essas conferências de imprensa, essas notícias e esses comentários que por vezes se estendiam para lá do razoável e pensava no quão paciente seria Bruno Lage para aguentar tudo isto todos os dias.

O saco tanto encheu, que um dia transbordou e esse transbordo já deveria ter acontecido há mais tempo. Se tal se tivesse verificado, talvez o fantasma de Jorge Jesus não seria tão nítido. Não é fácil trabalhar com o passado ao virar da esquina. É que mesmo com a recente renovação de Jorge Jesus pelo Flamengo não deixaram de se calar os sussurros fantasmagóricos do seu regresso.

Se até eu já perdia a paciência com estas notícias sempre iguais todos os dias, como se sentiria Bruno Lage com o seu lugar ameaçado constantemente?

Talvez o treinador tenha a sua quota parte no que se está a passar mas a culpa também e de terceiros. Estes jornalistas que sempre plantam rumores também têm alguma responsabilidade porque não dão tranquilidade a um jovem técnico para trabalhar.

Tuesday, June 23, 2020

“Zoom” – Fat Larry’s Band (Música Com Memórias)




Falava eu há dias em gatos. Gatos que tivemos no passado. Hoje volto a falar de um gato em particular. É a ele que me leva esta música.

Estávamos em dois mil e quatro ou dois mil e cinco, não me lembro bem. Nessa altura havia a rádio Clube Português e esta música passava com frequência.

Eu estava em casa a recuperar de mais uma operação aos olhos. Em casa dos meus pais há uma arca congeladora antiga que serve para arrumar algumas coisas. Nos tínhamos um gato que era irmão da Feijoa mas de outra ninhada. Era o Jú.

Esse gato tinha a particularidade de ser um pouco bravo. O estado normal dele era andar a correr, a olhar para um lado e para o outro e a bufar. Muitas vezes ele encontrava-se em cima dessa arca, sempre a olhar para tudo o que o rodeava com o ar mais desconfiado deste Mundo. Para o chatear, eu cantava-lhe esta música substituindo Zoom por Jú.

De referir que este gato morreu em dois mil e sete devido a uma infeção provocada por uma mordidela de um outro gato.

Na altura dei amplo destaque a isso neste meu blog. Quem quiser ver como ele era, basta ver esses posts dessa época.