Wednesday, July 29, 2026

“E Por fim” (impressões pessoais)

 

Ouvi dizer durante a minha convivência com médicos a contexto de trabalho que são eles, os médicos, os piores pacientes. A  minha teoria era a de que, eles, seres humanos que são, por mais que por vezes pareçam insensíveis, convivem diariamente com a doença, a morte, o sofrimento, veem vidas a mudar drasticamente por problemas de saúde, sonhos que se desfazem, planos que ficam por cumprir, famílias que perdem tudo ou se têm de adaptar…

 

O conceituado neurocirurgião britânico henry March, após se reformar, resolve, ele próprio, fazer exames. Começa logo pela sua área, o cérebro, descobre que está a envelhecer e reflete sobre a sua vida, a sua profissão, a sua família…

 

Algum tempo depois, ele torna-se um paciente ao ser-lhe diagnosticado cancro da próstata. Tal como acontece nestas doenças, há dias positivos e negativos, ao ritmo de consultas e tratamentos. O médico vai apontando as suas reflexões enquanto paciente. Ele que passou toda a sua vida do outro lado a dar más notícias, a ver pessoas aparentemente saudáveis a perderem a dignidade, a terem extremo sofrimento…E se a doença progride e, em pouco tempo, ele, por exemplo, deixar de andar por saber que frequentemente o cancro da próstata irradiar para a coluna?

 

Henry fica finalmente curado do cancro. Aparentemente o pior já passou porque ninguém se cura totalmente de tal doença que cada vez mais tem estatuto de doença crónica.  

 

Ele encara a vida agora com bastante otimismo. Pensa no que resta da sua vida ao lado da sua família e agradece tudo o que ainda tem.

 

Um livro que nos leva a refletir que não somos eternos, imortais ou inquebráveis. Somos apenas frágeis criaturas á mercê dos caprichos até das células que compõem o nosso corpo.

 

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