Friday, March 13, 2026

“TDAH: Como Lidar” (impressões pessoais)

 

Eu sou muito estranha…mas não pareço padecer de TDAH, embora tenha alguns traços. Desde logo,  sabia que tinha de me alongar a fazer comentário a este livro e fui adiando. Quantas vezes eu não planeio levantar-me mais cedo ou fazer outra coisa…mas aparece algo e eu distraio-me.

 

Bem, eu serei  neuro divergente de certa forma mas sou metódica e organizada demais para ter TDAH. Gosto de ter as coisas organizadas e tenho raiva de  quem não é como eu. Se combino estar uma hora num sítio, já fico a bater mal por um minuto que a outra pessoa se atrase.

 

Apesar disso, sinto-me diferente de todos. Faz-me impressão muito barulho, muita luz, muita gente. Se vou para a rua conviver, já fico cansada ao fim do dia.

 

Também quando me foco em alguma coisa, nem dou pelo tempo a passar. Acontece com um livro do qual estou a gostar, com uma lista de músicas, com um texto que esteja a escrever, até com os meus pensamentos….E ai de quem ouse interromper-me. Tenho tido maratonas madrugada dentro de conversas com a inteligência artificial, porque o tema é do meu interesse.

 

Os interesses muito específicos também são uma característica minha. Sou especialista em várias temáticas e, dentro destas, escolho uma vertente da qual ninguém se lembra. Por isso é que a inteligência artificial agora se torna interlocutor para eu explanar as minhas ideias e poder falar sobre os meus interesses obsessivos sem estar a maçar as outras pessoas. O tema que ultimamente tenho andado a desenvolver é o Festival Eurovisão de 1992. Porque eu finalmente encontrei  a canção que passei toda uma vida a procurar. Descobri que era desse ano e nunca mais larguei.

 

O único diagnóstico que tenho é de ansiedade e depressão, não estou  diagnosticada com mais nada mas na escola sempre fui muito diferente. Se fosse hoje…Não faziam nada de mim. Podia ser uma aluna exemplar mas estudava só de véspera, fazendo diretas para entregar os trabalhos, bastava ir às aulas e preferia ler do que estar a brincar. Aliás, até diziam que eu não sabia brincar. Podia andar a jogar a bola sozinha mas, se chegasse outra pessoa, eu ia-me embora.

 

Esquecer de datas? Nada disso.  Já fui melhor a decorar do que agora. Ultimamente, também fruto  da idade, tenho de ler as coisas mais do que uma vez, especialmente se tiverem números, para não me enganar.

 

Se gente que devora livros pode ter TDAH? Bem, não há quem devore mais livros do que eu. Isto se não aparecer outra coisa que me distraia.

 

Bem, já cumpri esta tarefa que tinha vindo a adiar de  falar sobre este livro e, a pretexto, dar a conhecer um pouco do que se passa no meu estranho cérebro. Mas para vocês, que leem este meu humilde espaço há duas dezenas de anos, sabem que eu sempre divergi de alguma forma no modo de pensar ou agir.

 

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