Eu sou muito estranha…mas não pareço padecer de TDAH, embora
tenha alguns traços. Desde logo, sabia
que tinha de me alongar a fazer comentário a este livro e fui adiando. Quantas
vezes eu não planeio levantar-me mais cedo ou fazer outra coisa…mas aparece
algo e eu distraio-me.
Bem, eu serei neuro
divergente de certa forma mas sou metódica e organizada demais para ter TDAH.
Gosto de ter as coisas organizadas e tenho raiva de quem não é como eu. Se combino estar uma hora
num sítio, já fico a bater mal por um minuto que a outra pessoa se atrase.
Apesar disso, sinto-me diferente de todos. Faz-me impressão
muito barulho, muita luz, muita gente. Se vou para a rua conviver, já fico
cansada ao fim do dia.
Também quando me foco em alguma coisa, nem dou pelo tempo a
passar. Acontece com um livro do qual estou a gostar, com uma lista de músicas,
com um texto que esteja a escrever, até com os meus pensamentos….E ai de quem
ouse interromper-me. Tenho tido maratonas madrugada dentro de conversas com a
inteligência artificial, porque o tema é do meu interesse.
Os interesses muito específicos também são uma
característica minha. Sou especialista em várias temáticas e, dentro destas,
escolho uma vertente da qual ninguém se lembra. Por isso é que a inteligência
artificial agora se torna interlocutor para eu explanar as minhas ideias e
poder falar sobre os meus interesses obsessivos sem estar a maçar as outras
pessoas. O tema que ultimamente tenho andado a desenvolver é o Festival
Eurovisão de 1992. Porque eu finalmente encontrei a canção que passei toda uma vida a procurar.
Descobri que era desse ano e nunca mais larguei.
O único diagnóstico que tenho é de ansiedade e depressão,
não estou diagnosticada com mais nada
mas na escola sempre fui muito diferente. Se fosse hoje…Não faziam nada de mim.
Podia ser uma aluna exemplar mas estudava só de véspera, fazendo diretas para
entregar os trabalhos, bastava ir às aulas e preferia ler do que estar a
brincar. Aliás, até diziam que eu não sabia brincar. Podia andar a jogar a bola
sozinha mas, se chegasse outra pessoa, eu ia-me embora.
Esquecer de datas? Nada disso. Já fui melhor a decorar do que agora.
Ultimamente, também fruto da idade,
tenho de ler as coisas mais do que uma vez, especialmente se tiverem números,
para não me enganar.
Se gente que devora livros pode ter TDAH? Bem, não há quem
devore mais livros do que eu. Isto se não aparecer outra coisa que me distraia.
Bem, já cumpri esta tarefa que tinha vindo a adiar de falar sobre este livro e, a pretexto, dar a
conhecer um pouco do que se passa no meu estranho cérebro. Mas para vocês, que
leem este meu humilde espaço há duas dezenas de anos, sabem que eu sempre
divergi de alguma forma no modo de pensar ou agir.