Austin Kleon traz-nos esta obra indispensável para desenvolver a criatividade. Eu acho que a criatividade já é algo que nasceu connosco, no meu caso, comecei a ter criatividade e imaginação, ainda mal andava.
Normalmente lemos um livro, ouvimos uma música, vemos um quadro e pensamos: de onde é que eu conheço isto? Já têm havido acusações de plágio de obras que muitas vezes os autores nem sequer conheciam as originais. Isto porque a arte vem de todo o lado e não vem de lado nenhum ao mesmo tempo.
O indivíduo, vivendo em sociedade, está sempre sujeito ao que o rodeia. Como criativo que é, serve-se do quotidiano para criar arte. Uma música vem de um simples som aleatório, de outra musica que ouviu, de alguém que cantarolava á toa enquanto apanhava o metro…
Um conto ou um livro, que para o meu caso é o que interessa, pode vir de uma simples frase, de uma ideia, de uma imagem física ou mental, de um sonho, de outro livro, uma ideia que se queira ver mais desenvolvida…Stephen King, que para mim, é uma das minhas grandes referências, nos seus livros, especialmente os de contos, explica como surgiram as ideias para os escrever. Se alguns tiveram origem em ideias e acontecimentos simples, outros tiveram origem em algo mais rebuscado e profundo. Eu já escrevi um conto baseado numa imagem que criei enquanto ouvia uma música de Ana Moura. A cena que tinha à minha frente era de conforto, de calma, de relaxamento. Então eu pensei: como desmontar isto e criar o caos e o sofrimento a partir daqui?
Já aconteceu também eu criar um conto a partir de uma imagem num sonho. Já escrevi a partir de personagens de outros livros e, recentemente, fiquei a saber que isso é um género literário aparte. Não estava a fazer excentricidade nenhuma. Sou fã do Flagg criado por Stephen King e que aparece em algumas das suas obras, resolvi pedi-lo emprestado.
O mais comum que eu faço é pegar num acontecimento que tenha presenciado e desmontar aquilo de tal forma que, se eu for a ler o conto anos depois, tenho de fazer algum esforço para me lembrar de onde aquilo saiu. Muitas vezes esse conto é código secreto para uma situação que me deixou sensações desagradáveis ou menos positivas.
Ainda não vi um livro ou um conto parecido com o que eu escrevo mas, se escrevesse mais, mais tarde ou mais cedo, isso acabaria por acontecer.
Termino esta minha reflexão com esta frase: “copiar de uma só fonte é plágio, copiar de várias fontes é pesquisa”.
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