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Thursday, June 25, 2026

“Roube Como Um Artista” (impressões pessoais)

Austin Kleon traz-nos esta obra indispensável para desenvolver a criatividade. Eu acho que a criatividade já é algo que nasceu connosco, no meu caso, comecei a ter criatividade e imaginação, ainda mal andava.

 

Normalmente lemos um livro, ouvimos uma música, vemos um quadro e pensamos: de onde é que eu conheço isto? Já têm havido acusações de plágio de obras que muitas vezes os autores nem sequer conheciam as originais. Isto porque a arte vem de todo o lado e não vem de lado nenhum ao mesmo tempo.

 

O  indivíduo, vivendo em sociedade, está sempre sujeito ao que o rodeia. Como criativo que é, serve-se do quotidiano para criar arte. Uma música vem de um simples som aleatório, de outra musica que ouviu, de alguém que cantarolava á toa enquanto apanhava o metro…

 

Um conto ou um livro, que para o meu caso é o que interessa, pode vir de uma simples frase, de uma ideia, de uma imagem física ou mental, de um sonho, de outro livro, uma ideia que se queira ver mais desenvolvida…Stephen King, que para mim, é uma das minhas grandes referências, nos seus livros, especialmente os de contos, explica como surgiram as ideias para os escrever. Se alguns tiveram origem em ideias e acontecimentos simples, outros tiveram origem em algo mais rebuscado e profundo. Eu  já escrevi um conto baseado numa imagem que criei enquanto ouvia uma música de Ana Moura. A cena que tinha à minha frente era de conforto, de calma, de relaxamento. Então eu pensei: como desmontar isto e criar o caos e o sofrimento a partir daqui?

 

Já aconteceu também eu criar um conto a partir de uma imagem num sonho. Já escrevi a partir de personagens de outros livros e, recentemente, fiquei a saber que isso é um género literário aparte. Não estava a fazer excentricidade nenhuma. Sou fã do Flagg criado por Stephen King e que aparece em algumas das suas obras, resolvi pedi-lo emprestado.

 

O mais comum que eu faço é pegar num acontecimento que tenha presenciado e desmontar aquilo de tal forma que, se eu for a ler o conto anos depois, tenho de fazer algum esforço para me lembrar de onde aquilo saiu. Muitas vezes esse conto é código secreto para uma situação que me deixou sensações desagradáveis ou menos positivas.

 

Ainda não vi um livro ou um conto parecido com o que eu escrevo mas, se escrevesse mais, mais tarde ou mais cedo, isso acabaria por acontecer.

 

Termino esta minha reflexão com esta frase: “copiar de uma só fonte é plágio, copiar de várias fontes é pesquisa”.

 

Friday, September 13, 2024

“A Flor Da rosa” (impressões pessoais)

 

Mais uma proposta diferente, esta de João Miguel Fernandes Jorge.

 

Trata-se de uma compilação de textos ou crónicas escritos a partir da visualização de quadros, fotografias, edifícios ou filmes. Em suma, a Arte que pode ser apreciada.

 

A partir da visualização das obras artísticas, o autor escreve estes textos, divagando sobre o que os seus olhos veem. Não há nada mais subjetivo do que a Arte. Vendo um mesmo quadro, uma mesma escultura, uma mesma foto, cada um de nós tem uma visão diferente. Se estivessem cem pessoas a olhar para o mesmo quadro, outros tantos textos semelhantes a estes surgiriam, cada um o mais diferente possível do outro.

 

O espírito crítico e a capacidade de interpretar estão mais presentes numas pessoas que noutras, dependendo da sensibilidade. Enquanto que uma pessoa vê um cesto de uvas numa pintura, outra vê ali um símbolo de prosperidade ou de renovação.

 

Não sei se estes textos eram escritos para alguma publicação mas estão aqui reunidos.

 

Muito curioso, este livro.

 

Tuesday, September 05, 2023

“Manual De Pintura E Caligrafia” (impressões pessoais)

 

Dizem que as Artes se  complementam.

 

Este romance de saramago, passado ás portas do 25 de Abril, conta a história de um pintor que resolve também começar a escrever e descobre que através da escrita consegue ainda comunicar mais do que através da pintura.

 

Bem ao seu jeito, Saramago conta-nos as tropelias deste pintor, a quem encomendam retratos. Isso é pretexto para ele começar a dissertar e a refletir sobre as relações humanas e sobre a sua própria vida.


este livro também deu para eu própria refletir na incapacidade de agora, na minha condição de não ver para pintar ou desenhar, me socorrer da escrita para pintar o que me rodeia. Posso descrever uma paisagem ou uma fotografia quando antes ainda desenhava e sempre gostei também de desenhar, não tanto quanto gosto de escrever, mas era algo do meu agrado.

 

A escrita e a pintura não são assim tão diferentes. Ambas fornecem o ponto de vista de quem escreveu ou pintou. Talvez a vantagem da escrita seja a maior capacidade de quem lê criar imagem a partir do que está a ser descrito, algo que não acontece tanto ao olhar para um quadro ou desenho.

 

Não foi um dos melhores livros de Saramago que li mas até gostei desta reflexão sobre a Arte e a vida.