Tuesday, June 02, 2026

As moedas de dois euros

 

Será este sonho a  continuação de um outro que tive há dias? Vamos  fingir que sim.

 

A excursão era composta por gente lá da terra e dentro do autocarro as conversas eram as normais para ocasiões como esta. A música ouvia-se de fundo.

 

Foi anunciado que íamos parar numa área de serviço perto de Leiria. Eu preparava-me para sair e tomar qualquer coisa, ao menos um café.

 

Comecei a contar o dinheiro e deparei-me com duas moedas iguais muito enferrujadas. Elas tinham o mesmo diâmetro das moedas de dois euros mas eram mais pesadas. Eu estava na dúvida.

 

Que moedas eram aquelas e por que carga de água  foram parar á minha carteira. Eu ia mostrando as moedas a outras pessoas e  toda a gente estava de acordo. Eram mesmo moedas de dois euros.

 

Saí para a rua. Acordei porque o despertador tocou. Não sei se  aceitaram que eu pagasse o café com aquelas moedas.

 

“O Cura De Tours” (impressões pessoais)

 

Inserido na obra “A comédia Humana”, num capítulo que se chama “os Celibatários”, Balzac traz-nos este conto, esta crónica de costumes.

 

Com isto, o escritor francês pretende demonstrar que os padres são pessoas normais, com as suas intrigas,  ambições e mesquinhices. Também outras pessoas tão devotas a Deus, fora da porta da igreja, são capazes dos mais  hediondos comportamentos para prejudicar os outros. Afinal de contas todos somos iguais.

 

A forma como Balzac descreve aqui as solteironas mereceu muitas críticas na época. Estávamos numa altura em que era muito mal visto uma mulher se afastar da sina que lhe foi dada ao nascer apenas por ser mulher- casar e ter filhos. Se uma mulher não seguia esse caminho, é porque tinha um defeito grave no seu carácter, como supostamente acontecia com Sophie que era a senhoria dos padres. Se ainda hoje massacram uma mulher (eu que o diga) por não ter casado ou dedicar a vida a amar e cuidar de alguém, imaginem naquela época. Cada um sabe da sua vida e ninguém tem nada a ver com isso.

 

Também aqui são expostos os interesses que movem os seres humanos. Se hoje se fala muito em corrupção e  conflitos de interesses, mais cedo ou mais tarde, os que acusam os outros vão acabar, eles próprios, envolvidos nas mesmas acusações. Quem não protege os seus e os seus interesses…

 

Simplesmente genial Balzac dar o nome a isto de “Comédia Humana”.

 

Monday, June 01, 2026

“O Rapaz De Bronze” (impressões pessoais)

 

Antes de dormir, que já se faz tarde, leio agora mais um conto da autoria de Sophia De Mello Breyner Andresen.

 

Desta vez ela coloca as flores de um jardim como  protagonistas. São atribuídas qualidades humanas ás diferentes flores consoante a espécie e o perfume. Mediante a observação do comportamento humano, as flores do jardim, que só á noite vagueiam pela terra, resolvem dar uma festa, colocando Florinda- a filha do jardineiro- numa jarra. Já que os humanos têm flores nas jarras, as flores enfeitam as jarras com pessoas.

 

A estátua do rapaz de bronze desempenha aqui um papel importante na vida das flores.

 

Apesar de eu detestar flores, achei este conto engraçado.