Tuesday, April 14, 2026

Ahmed ou António

 

Diz Freud que os desconhecidos com quem sonhamos são uma mistura de todas as pessoas que se cruzaram connosco ao longo da nossa vida.

 

Os protagonistas deste sonho são dois desconhecidos que me acompanharam no final da jornada onírica numa caminhada alegadamente até casa dos meus pais. Este sonho é algo recorrente.

 

Aqui os factos são confusos. Este indivíduo apareceu nas imediações de minha casa primeiramente á procura do meu  vizinho. Acabou a travar conversa com a minha irmã. De referir que no sonho ainda éramos jovens e vivíamos todos por ali.

 

Foi uma parca vermelha que despoletou esta situação. Não sei  porquê, a minha irmã tinha trazido essa parca vestida de casa desse indivíduo. Ele chamava-se Ahmed mas era português. Que estranho!

 

Nós acabámos por voltar a casa dele. De referir que ele tinha carro. Como explicar o que se passou a seguir?

 

Já era final de tarde e eu resolvi regressar a casa. Volto a lembrar que fomos para lá de carro. Agora quem vestia a parca vermelha era eu e estava muito admirada de ver claramente. Nos meus sonhos eu ainda vejo. Talvez por ser tarde, o tal do Ahmed acompanhou-me. Não estava sozinho. Outra mulher que eu não conhecia acompanhou-nos. Ela chamava-se Luísa. Conheço muitas   Luís as mas nenhuma era aquela.

 

Pelo caminho fomos conversando. Estava a gostar da companhia. Inicialmente fiquei de pé atrás com o tal do Ahmed mas depois fui conhecendo melhor. Era um tipo simpático. A sua amiga também era.

 

Ele foi contando que, na verdade, nasceu António mas converteu-se ao islamismo e passou a chamar-se Ahmed. Estava desfeito o mistério. Ele era bem português.

 

Houve uma altura em que o Ahmed ficou para traz para urinar e eu e a Luísa seguimos á frente. Já andávamos perdidos. Eu conhecia o caminho, e ao mesmo tempo,  não conhecia. Eu dizia que, se cortasse algures, ia dar ao caminho certo mas não era isso que acontecia.

 

Estava já a ficar noite e nós sem encontrarmos o caminho  certo.

 

Estávamos a decidir por onde ir desta vez quando o despertador tocou.

 

Sem deslizes

 

A jornada 29 ficou marcada por nada se ter passado de relevante. Cada vez  mais o Porto é candidato ao título.

 

Comecemos pelo Sporting que, com um remate certeiro de Daniel Bragança, conseguiu derrotar o Estrela da Amadora na Reboleira. O médio dos verdes é mesmo o destaque da semana.

 

Também o Braga venceu pela margem mínima, consolidando cada vez mais o quarto lugar, beneficiando de empates de Gil Vicente e Famalicão.

 

O Benfica ainda persegue o segundo lugar. Perante o nacional, os encarnados marcaram os golos bem cedo. Mais uma vez a exibição deixou muito a desejar.

 

Cada vez mais com a mão  no título, o Porto venceu o Estoril por 1-3.

 

Mais uma semana Europeia para Sporting, Porto e Braga. Os resultados não foram bons mas não é impossível mudar o rumo destas eliminatórias.

 

Monday, April 13, 2026

Hands down, Gabriela

 

De gritos! O Amial trail deste ano não trouxe assim muita lama mas não faltou a alegria e a boa disposição.

 

Estava um dia excelente para a prática  de exercício físico ao ar livre. Cerca de mil participantes percorreram este percurso que era praticamente igual ao do ano passado. A diferença é que o caminho estava em melhores condições, apesar de  árvores tombadas aqui e ali.

 

Não tem chovido muito e a lama só era visível em locais onde o sol não batia com tanta frequência. As descidas, particularmente, estavam menos perigosas.

 

Mesmo assim, destaco um grupo de  jovens raparigas que ia atrás de nós. Elas gritavam, diziam palavrões, quando finalmente venciam a descida inteiras, cantavam o “Apita o comboio”.

 

Uma delas destacava-se por ser a mais medrosa  do grupo e por ter caído numa zona de muita lama. Estávamos no início do percurso. Por isso mesmo, ela ganhou terror a descidas. O seu nome era Gabriela e apresentava já uma  indumentária da cor da lama. Cada vez que havia uma descida mais íngreme, lá se ouvia o nome dela. Numa das vezes disseram mesmo. “Oh Gabriela, larga o pau”.

 

Os gritos delas ouviam-se a  uma  distância considerável. Eu já me ria. Parecia que estavam no cinema a ver um filme de terror.

 

A poucos quilómetros do fim, um senhor mandou aquele grupo atalhar caminho. Uma delas já estava sentada no chão numa subida mais dificultosa.

 

No abastecimento estava lá o mesmo grupo musical do ano passado. Desta vez esperaram por mim para eu cantar com eles. No Facebook lançou-se o Amial trail com aquele momento e este ano houve que repetir. Claro que não se contou com o fator surpresa de 2025 mas foi também um momento aprazível para ganhar embalagem para a subida mais desafiante do percurso que estava dali a alguns metros.

 

Tal como o ano passado, a minha guia foi a Margarete Duarte, conhecida como Margo. Tendo tido a experiência do ano passado, ela também já vinha preparada. Tem andado a treinar subidas e isso fez toda a diferença. O ano passado ela teve alguma dificuldade ali. Também a ponte de madeira que ela tanto temia acabou por não constituir problema. O ano passado eu lembro-me que ela estava escorregadia também. Ela está a pensar começar a fazer um pouco de trail.

 

Correu tudo bem, agradeço á minha guia e para o ano lá estaremos.