Friday, September 04, 2026

“Esquizofrenia” (impressões pessoais)

 

Jamila Mafra destaca-se sobretudo em contos com finais desconcertantes.

 

Este conto tem a particularidade de eu me identificar de certa forma com a personagem. Também eu era assim e ainda sou. Prefiro ler e escrever a socializar. Aqui a diferença é que eu não escrevo e não tenho jeito nenhum para romances, que era o que esta jovem escrevia. Gosto mais de Terror e sobrenatural.

 

Os estados alterados da mente também são a minha praia em termos de escrita, como de resto o são para Jamila Mafra, a julgar por alguns contos que li dela.

 

Neste conto, a personagem vive tão obcecada com a sua obra, que desenvolve uma paranoia de medo que alguém a roube e a publique. Ela vai parar ao hospital psiquiátrico e aí conhece um jovem jornalista. Já curada da paranoia, até porque existia, de facto, alguém com inveja dela, ela é bem sucedida mas algo acontece.

 

Tenho mais alguns contos de  Jamila Mafra ainda. Sempre que surgir a oportunidade, vou ler. Acho-os bem interessantes.

 

Thursday, September 03, 2026

“A ciência De ser Feliz” (impressões pessoais)

 

Um livro de autoajuda enquanto se pedala um pouco, que isto não é vida.

 

Susan Andrews traz-nos aqui este pequeno livro que nos leva a refletir sobre o que realmente nos faz feliz. Será a Saúde? Será o dinheiro? Será o Amor? O contacto com as pessoas? O sucesso profissional…

 

Não existe propriamente uma fórmula mágica para a felicidade. Há pessoas pobres e felizes, há pessoas doentes e felizes, há pessoas bem sucedidas nos negócios extremamente infelizes…

 

Sobre o dinheiro trazer felicidade, um estudo revelou que, satisfazendo as necessidades básicas de conforto, o  dinheiro não traz felicidade. A tendência é para a pessoa acumular mais e mais mas…de que é que isso serve. No meu entender, corroborando esta ideia, ter muito dinheiro vem trazer burocracias, invejas, insegurança, falsos amigos…Pessoas com muito dinheiro também se deprimem, por mais acesso que tenham aos melhores especialistas de Saúde. Costuma-se dizer que a  pessoa não leva o dinheiro para a cova.

 

Chega-se á conclusão que são os afetos que contribuem mais para a felicidade. Não estou de acordo. Consigo realizar-me mais sozinha com um bom livro, a ouvir música, a escrever, do que a confraternizar. Mas  isso não é a norma para os restantes seres humanos. O Ser Humano é um ser social. A estranha aqui sou eu.

 

Susan Andrews chega aqui a uma conclusão: a felicidade é uma questão química do nosso cérebro. São os fatores internos do indivíduo e não os externos que determinam se uma pessoa é ou não feliz.

 

Aí sou obrigada a concordar.

 

Wednesday, September 02, 2026

“Memórias De Um Craque” (impressões pessoais)

 

De volta à escrita desconcertante do jornalista Fernando Assis Pacheco. Eu nem sabia que ele tinha nascido e passado a infância em Coimbra. Também foi especial ler este livro por causa disso.

 

Em forma de crónicas, Assis Pacheco, escreveu estes textos no jornal “record” por volta de 1972. Pelo que me dá a perceber, ele viveu a infância nos anos quarenta. É toda uma outra cidade de Coimbra que ele descreve, com os carris do elétrico. Agora, se ele fosse vivo, presenciava o canal do metro sem carris. É a  loucura!

 

Todos temos peripécias da nossa infância. Com bolas então eu também tenho muitas. Acertei com as bolas em antenas de carros quando as bolas iam no sentido descendente, acertei num ninho de vespas lá em casa, tendo de fechar a porta á pressa para nenhuma entrar, que elas estavam furiosas…

 

Há sempre aquela pessoa que não gosta que joguemos a bola. No caso de Assis Pacheco era o senhor do talho que escondia as bolas. No meu caso era o meu primo policarpo, mais conhecido por “Pitá”. Ele não gostava de ver raparigas a jogar a bola e, para azar dele, era o que eu mais gostava de fazer. Um dia chegou a cortar uma bola de borracha. Depois teve de me dar uma da minha prima Ângela, sobrinha dele.

 

Também ainda no nosso tempo havia rebuçados com jogadores de Futebol, cujo prémio era  uma bola. No nosso caso, os rebuçados tinham figuras de jogadores de plástico em várias posições de remate. Eram também bons para jogar com berlindes…ou com botões, como Assis Pacheco fazia também. Naquela altura tinha de se inventar tudo. Não havia PES  nem FIFA.

 

A bola calhou á minha irmã. era grande e colorida. Claro que eu fui jogar com ela e ela furou logo nas silvas. A minha irmã ficou desolada. Ficou uma bola muito mais pequena. Não ficou inutilizada de todo. Eu ainda jogava com ela.

 

Brincadeiras com fisgas, a atirar a gatos, era normal nessa época. Eu é que não acho piada a esse tipo de brincadeiras. A minha variação disso era fazer pontaria a objetos ou, no nosso caso quando íamos para o campo com os nossos pais, atirar as pedras para o poço, ouvindo o barulho que elas faziam a cair na água. Passavam-se assim tardes inteiras. Quanto maiores fossem as pedras, mais barulho faziam, obviamente.

 

Outros tempos.