Sunday, February 15, 2026

Ia escurecer

 

Sonhei que havia uma festa daquelas que habitualmente há em casa dos meus pais com a família reunida e muita comida.

 

Depois desse prolongado almoço, eu e uma prima minha fomos dar uma volta. Ela disse que tinha começado a correr e eu fui com ela. Fomos até Anadia mas…vimos que estava a escurecer e resolvemos voltar.

 

Ela começou a dizer que tinha medo de andar de noite. Ainda não estava escuro mas ia ficar antes de estarmos em casa, por mais que corrêssemos.

 

Chegámos á rotunda e eu sugeri cantarmos canções pimba ou contar anedotas para passar o tempo. Ela reparou com horror que vinha um carro vermelho muito devagar atrás de nós. A solução foi nos irmos esconder num terreno ali perto. Havia lá um enorme monte de pedras que nos ocultava.

 

Quando vimos que já era seguro, retomámos o caminho. Em sentido contrário vinha a minha irmã e mais outras pessoas de carro ao nosso encontro.

 

Já não fomos para casa com o dia a chegar ao fim.

 

“Jogo Perigoso” (impressões pessoais)

 

Stephen King traz-nos desta vez um livro simples, apenas com uma personagem.

 

A história conta-se em poucas palavras: Jessie e o seu marido tarado, obeso, em risco de ataque cardíaco   vão para uma casa de férias fazer sexo louco. Inicialmente Jessie concorda que o marido a amarre á cama com umas  algemas.  Só que a certa altura, Jessie começa a ter medo e dá um pontapé no marido. Para seu azar, ele tem um ataque cardíaco e morre ali mesmo. E agora para se desamarrar á cama?

 

A partir daqui encontramos Jessie com os seus pensamentos, anseios e memórias, bem como as tentativas para se libertar. Enquanto isso, ela assiste com horror a um cão abandonado se banquetear com a carne morta do seu marido.

 

São longas e angustiantes horas que esta  mulher passa amarrada a uma cama. Ela luta pela vida e pela liberdade.

 

Muitas vezes acuso Stephen King de complicar enredos com muitos personagens, neste livro ele mostra que sabe criar enredos com praticamente uma personagem. Aliás, já tinha feito isso com “A garota Que Adorava tom gordon” onde a personagem é uma menina perdida na floresta.

 

É assim mesmo.

 

Saturday, February 14, 2026

Dia longo e surreal

 

O mau tempo que tem vindo a assolar Portugal leva-nos a questionar o que fizemos ou continuamos a fazer ao nosso planeta. Não me lembro de ter assistido a nada assim, embora tenham dito que houve inundações em Coimbra em 1948.

 

Estas longas e angustiantes horas de incerteza começaram na quinta-feira à noite quando me disseram que a Proteção Civil estava a pensar evacuar a Baixa de Coimbra por haver risco de umas cheias centenárias de consequências imprevisíveis. Fui verificar e assisti a uma conferência de imprensa da presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, a dar indicações aos cidadãos das zonas em risco para ficarem em casa e aguardar indicações. Todos os serviços iriam estar fechados para que as pessoas não fossem apanhadas na  rua.

 

O pico das inundações, o primeiro, iria decorrer entre as oito e as nove da manhã. Imediatamente comecei a preparar as coisas, vigiando a rua e estando atenta às notícias. Passando esse período, sem que nada tivesse acontecido, as quinze horas seriam outro período crítico. Entretanto os dirigentes políticos e organismos relacionados com o ambiente e segurança estavam reunidos. Mais longas horas de espera, ouvindo as notícias na televisão, vasculhando as redes sociais e vigiando a rua onde até as obras decorriam com normalidade no prédio em frente. Havia que esperar mais duas penosas horas para ver se a Barragem da Aguieira atingia a quota de água que pudesse ameaçar as populações. Cada vez que chovia com mais intensidade, era um momento de apreensão. Nunca tive tanto medo da chuva.

 

Foi já no final do dia que Ana Abrunhosa tranquilizou os conimbricenses. Já podiam relaxar e dormir descansados.

 

Retomei a minha vida normal. Fui ouvir Futebol. Dormi muito bem essa noite. Estava a precisar.