Diz Freud que os desconhecidos com quem sonhamos são uma
mistura de todas as pessoas que se cruzaram connosco ao longo da nossa vida.
Os protagonistas deste sonho são dois desconhecidos que me
acompanharam no final da jornada onírica numa caminhada alegadamente até casa
dos meus pais. Este sonho é algo recorrente.
Aqui os factos são confusos. Este indivíduo apareceu nas
imediações de minha casa primeiramente á procura do meu vizinho. Acabou a travar conversa com a minha
irmã. De referir que no sonho ainda éramos jovens e vivíamos todos por ali.
Foi uma parca vermelha que despoletou esta situação. Não
sei porquê, a minha irmã tinha trazido
essa parca vestida de casa desse indivíduo. Ele chamava-se Ahmed mas era
português. Que estranho!
Nós acabámos por voltar a casa dele. De referir que ele
tinha carro. Como explicar o que se passou a seguir?
Já era final de tarde e eu resolvi regressar a casa. Volto a
lembrar que fomos para lá de carro. Agora quem vestia a parca vermelha era eu e
estava muito admirada de ver claramente. Nos meus sonhos eu ainda vejo. Talvez
por ser tarde, o tal do Ahmed acompanhou-me. Não estava sozinho. Outra mulher
que eu não conhecia acompanhou-nos. Ela chamava-se Luísa. Conheço muitas Luís as mas nenhuma era aquela.
Pelo caminho fomos conversando. Estava a gostar da
companhia. Inicialmente fiquei de pé atrás com o tal do Ahmed mas depois fui
conhecendo melhor. Era um tipo simpático. A sua amiga também era.
Ele foi contando que, na verdade, nasceu António mas
converteu-se ao islamismo e passou a chamar-se Ahmed. Estava desfeito o
mistério. Ele era bem português.
Houve uma altura em que o Ahmed ficou para traz para urinar
e eu e a Luísa seguimos á frente. Já andávamos perdidos. Eu conhecia o caminho,
e ao mesmo tempo, não conhecia. Eu dizia
que, se cortasse algures, ia dar ao caminho certo mas não era isso que
acontecia.
Estava já a ficar noite e nós sem encontrarmos o
caminho certo.
Estávamos a decidir por onde ir desta vez quando o
despertador tocou.