De volta à escrita desconcertante do jornalista Fernando
Assis Pacheco. Eu nem sabia que ele tinha nascido e passado a infância em Coimbra.
Também foi especial ler este livro por causa disso.
Em forma de crónicas, Assis Pacheco, escreveu estes textos
no jornal “record” por volta de 1972. Pelo que me dá a perceber, ele viveu a
infância nos anos quarenta. É toda uma outra cidade de Coimbra que ele
descreve, com os carris do elétrico. Agora, se ele fosse vivo, presenciava o
canal do metro sem carris. É a loucura!
Todos temos peripécias da nossa infância. Com bolas então eu
também tenho muitas. Acertei com as bolas em antenas de carros quando as bolas
iam no sentido descendente, acertei num ninho de vespas lá em casa, tendo de
fechar a porta á pressa para nenhuma entrar, que elas estavam furiosas…
Há sempre aquela pessoa que não gosta que joguemos a bola.
No caso de Assis Pacheco era o senhor do talho que escondia as bolas. No meu
caso era o meu primo policarpo, mais conhecido por “Pitá”. Ele não gostava de
ver raparigas a jogar a bola e, para azar dele, era o que eu mais gostava de
fazer. Um dia chegou a cortar uma bola de borracha. Depois teve de me dar uma
da minha prima Ângela, sobrinha dele.
Também ainda no nosso tempo havia rebuçados com jogadores de
Futebol, cujo prémio era uma bola. No
nosso caso, os rebuçados tinham figuras de jogadores de plástico em várias
posições de remate. Eram também bons para jogar com berlindes…ou com botões,
como Assis Pacheco fazia também. Naquela altura tinha de se inventar tudo. Não havia
PES nem FIFA.
A bola calhou á minha irmã. era grande e colorida. Claro que
eu fui jogar com ela e ela furou logo nas silvas. A minha irmã ficou desolada. Ficou
uma bola muito mais pequena. Não ficou inutilizada de todo. Eu ainda jogava com
ela.
Brincadeiras com fisgas, a atirar a gatos, era normal nessa
época. Eu é que não acho piada a esse tipo de brincadeiras. A minha variação
disso era fazer pontaria a objetos ou, no nosso caso quando íamos para o campo
com os nossos pais, atirar as pedras para o poço, ouvindo o barulho que elas
faziam a cair na água. Passavam-se assim tardes inteiras. Quanto maiores fossem
as pedras, mais barulho faziam, obviamente.
Outros tempos.