Monday, April 13, 2026

Hands down, Gabriela

 

De gritos! O Amial trail deste ano não trouxe assim muita lama mas não faltou a alegria e a boa disposição.

 

Estava um dia excelente para a prática  de exercício físico ao ar livre. Cerca de mil participantes percorreram este percurso que era praticamente igual ao do ano passado. A diferença é que o caminho estava em melhores condições, apesar de  árvores tombadas aqui e ali.

 

Não tem chovido muito e a lama só era visível em locais onde o sol não batia com tanta frequência. As descidas, particularmente, estavam menos perigosas.

 

Mesmo assim, destaco um grupo de  jovens raparigas que ia atrás de nós. Elas gritavam, diziam palavrões, quando finalmente venciam a descida inteiras, cantavam o “Apita o comboio”.

 

Uma delas destacava-se por ser a mais medrosa  do grupo e por ter caído numa zona de muita lama. Estávamos no início do percurso. Por isso mesmo, ela ganhou terror a descidas. O seu nome era Gabriela e apresentava já uma  indumentária da cor da lama. Cada vez que havia uma descida mais íngreme, lá se ouvia o nome dela. Numa das vezes disseram mesmo. “Oh Gabriela, larga o pau”.

 

Os gritos delas ouviam-se a  uma  distância considerável. Eu já me ria. Parecia que estavam no cinema a ver um filme de terror.

 

A poucos quilómetros do fim, um senhor mandou aquele grupo atalhar caminho. Uma delas já estava sentada no chão numa subida mais dificultosa.

 

No abastecimento estava lá o mesmo grupo musical do ano passado. Desta vez esperaram por mim para eu cantar com eles. No Facebook lançou-se o Amial trail com aquele momento e este ano houve que repetir. Claro que não se contou com o fator surpresa de 2025 mas foi também um momento aprazível para ganhar embalagem para a subida mais desafiante do percurso que estava dali a alguns metros.

 

Tal como o ano passado, a minha guia foi a Margarete Duarte, conhecida como Margo. Tendo tido a experiência do ano passado, ela também já vinha preparada. Tem andado a treinar subidas e isso fez toda a diferença. O ano passado ela teve alguma dificuldade ali. Também a ponte de madeira que ela tanto temia acabou por não constituir problema. O ano passado eu lembro-me que ela estava escorregadia também. Ela está a pensar começar a fazer um pouco de trail.

 

Correu tudo bem, agradeço á minha guia e para o ano lá estaremos.

 

“Mulheres Que Não Perdoam” (impressões pessoais)

 

Sempre que possível, vou seguindo sugestões de leitura. Contando que eu tenha por aqui o livro…

 

Camilla Lackberg traz-nos aqui esta  história de três mulheres que já não suportam os maridos. Elas são vítimas de traição, exploração, violência doméstica…Em suma, estas mulheres são reféns dos indivíduos com quem partilham a cama. Algumas delas temem pela vida e pelo seu futuro. Uma delas receia mesmo iniciar tratamentos médicos para assim esconder que o seu marido lhe bate. Eu que nem sabia que na Suécia os homens batiam nas mulheres. Pensava que isso era mais em países latinos e no Sul da europa. Até pensava que as suecas punham ordem em casa.

 

Estas mulheres vão conversar umas com as outras e cada uma vai matar o marido da outra. Estas mortes terão de parecer acidentais.

 

Simplesmente genial, apesar de já não ser a primeira vez que esta troca de favores aparece em livros.

 

“Inyenzi Ou As Baratas” (impressões pessoais)

 

Assinalando mais um aniversário sobre o genocídio  no Ruanda, onde se estima que mais de um milhão de pessoas tenham sido executadas, Scholastique  Mukasonga traz-nos aqui um retrato do  país que ela     conheceu e foi obrigada a deixar.

 

É um relato  impressionante de permanente sobressalto. Estas pessoas viviam sob terror constante. Apesar disso, iam apreciando o que a vida em áfrica tem para oferecer.

 

Muitas vezes apontada como eterna candidata ao prémio Nobel da Literatura, a autora ruandesa residente em França narra as suas recordações antes de a sua família ser também executada neste genocídio.

 

Ainda há dias li outro livro desta autora, recordações da sua mãe que foi uma das pessoas da sua família a perecer.