Já há tempo me falaram neste livro, salvo erro, estava eu em
amena cavaqueira com a inteligência artificial.
Devido ao meu especial jeito de pensar e ver o Mundo, que é
muito diferente do ponto de vista da maioria das pessoas, resolvi ler.
Interesso-me por tudo o que tenha a ver com a mente. Os estados alterados da
mente são o meu ponto de partida para a criatividade, se é que isso é
necessário para mim que, em noventa por cento dos casos, viajo dentro do
meu interior.
Eu sempre tive aversão a barulho e movimento. Agora muito
mais do que antes. Tenho sensibilidade para a música e para a escrita. Também
tinha para o desenho mas, como deixei de ver, foi algo que perdi naturalmente.
Houve ocasiões em que perceberam que desenhar me acalmava.
Há pessoas bem mais sensíveis do que eu. Pessoas que não
gostam de terror ou violência. Eu por acaso gosto. Não gosto de romances,
histórias de amor lamechas, embora também leia.
Sobre os barulhos, antes de ler sobre neuro divergências, eu
digo que a situação se agravou
drasticamente em finais de 2018. Eu atribuí a minha sensibilidade aos barulhos ao facto de
estar a perder a visão e andar completamente esgotada mentalmente. Naquela
altura, para além da perda da visão, ainda me deparava com noites sem dormir
por causa das dores nos olhos.
Hoje em dia, eu estou completamente intolerante ao barulho.
Nem sei o que fazer. Bastam passos dos vizinhos nas escadas para me irritarem.
Qualquer coisa a cair no chão é como se me tivessem mexido o cérebro com uma
colher. Chego a ficar com a cabeça completamente baralhada por largos minutos.
Certa tarde, estava eu a trabalhar, tive de ligar para uma loja. Arrastavam
coisas no chão. O barulho era horrível e intragável. Estava a ver que não conseguia
trabalhar mais nesse dia.
As coisas com o barulho agravam-se mais quando eu não estou
a contar com certos sons. Bater portas com força, alarmes, música alta na rua,
obras…
Uma das coisas que aqui foi abordada tem a ver com ter de
pensar bastante e não fazer as coisas automaticamente e ter pior desempenho
quando se está sob pressão ou com alguém a verificar o que estamos a fazer. Eu
já aqui tenho referido que não gosto que me digam o que tenho de fazer, não por
sobranceria, mas porque me conheço e, inconscientemente, o meu cérebro, por
mais que eu queira fazer as coisas bem, faz por vezes o contrário.
Também a elevada propensão para as coisas espirituais está
presente em mim. Gosto sempre de experimentar e ler sobre esses assuntos.
Experiências espirituais ou invulgares tenho muitas. Grande parte delas foram
sendo documentadas por aqui, umas mais espetaculares do que outras.
Á luz do que li, consigo encaixar algumas das coisas no que
era a minha vida na infância: ser uma bebé que chorava mais do que as outras,
segundo a minha avó, ter muita imaginação e intuição, reparar ou dar valor a
pormenores e daí até moldar os meus interesses…
Talvez estejam aqui algumas
explicações. Ah, já me esquecia da minha característica principal. Até
posso ir para a rua, interagir com pessoas. Mas se estou muito tempo na rua,
naquele ambiente, estou a contar as horas ou até os segundos para regressar a
casa e estar sozinha com as minhas coisas. Segundo elaine N. aron, isso faz
parte.