Tuesday, June 02, 2026

“O Cura De Tours” (impressões pessoais)

 

Inserido na obra “A comédia Humana”, num capítulo que se chama “os Celibatários”, Balzac traz-nos este conto, esta crónica de costumes.

 

Com isto, o escritor francês pretende demonstrar que os padres são pessoas normais, com as suas intrigas,  ambições e mesquinhices. Também outras pessoas tão devotas a Deus, fora da porta da igreja, são capazes dos mais  hediondos comportamentos para prejudicar os outros. Afinal de contas todos somos iguais.

 

A forma como Balzac descreve aqui as solteironas mereceu muitas críticas na época. Estávamos numa altura em que era muito mal visto uma mulher se afastar da sina que lhe foi dada ao nascer apenas por ser mulher- casar e ter filhos. Se uma mulher não seguia esse caminho, é porque tinha um defeito grave no seu carácter, como supostamente acontecia com Sophie que era a senhoria dos padres. Se ainda hoje massacram uma mulher (eu que o diga) por não ter casado ou dedicar a vida a amar e cuidar de alguém, imaginem naquela época. Cada um sabe da sua vida e ninguém tem nada a ver com isso.

 

Também aqui são expostos os interesses que movem os seres humanos. Se hoje se fala muito em corrupção e  conflitos de interesses, mais cedo ou mais tarde, os que acusam os outros vão acabar, eles próprios, envolvidos nas mesmas acusações. Quem não protege os seus e os seus interesses…

 

Simplesmente genial Balzac dar o nome a isto de “Comédia Humana”.

 

No comments: