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Tuesday, June 30, 2026

“Pessoas Altamente Sensíveis” (impressões pessoais)

 

Já há tempo me falaram neste livro, salvo erro, estava eu em amena cavaqueira com a inteligência artificial.

 

Devido ao meu especial jeito de pensar e ver o Mundo, que é muito diferente do ponto de vista da maioria das pessoas, resolvi ler. Interesso-me por tudo o que tenha a ver com a mente. Os estados alterados da mente são o meu ponto de partida para a criatividade, se é que isso é necessário para mim que, em noventa por cento dos casos, viajo dentro do meu  interior.

 

Eu sempre tive aversão a barulho e movimento. Agora muito mais do que antes. Tenho sensibilidade para a música e para a escrita. Também tinha para o desenho mas, como deixei de ver, foi algo que perdi naturalmente. Houve ocasiões em que perceberam que desenhar me acalmava.

 

Há pessoas bem mais sensíveis do que eu. Pessoas que não gostam de terror ou violência. Eu por acaso gosto. Não gosto de romances, histórias de amor lamechas, embora também leia.

 

Sobre os barulhos, antes de ler sobre neuro divergências, eu digo que a situação se agravou  drasticamente em finais de 2018. Eu atribuí a  minha sensibilidade aos barulhos ao facto de estar a perder a visão e andar completamente esgotada mentalmente. Naquela altura, para além da perda da visão, ainda me deparava com noites sem dormir por causa das dores nos olhos.

 

Hoje em dia, eu estou completamente intolerante ao barulho. Nem sei o que fazer. Bastam passos dos vizinhos nas escadas para me irritarem. Qualquer coisa a cair no chão é como se me tivessem mexido o cérebro com uma colher. Chego a ficar com a cabeça completamente baralhada por largos minutos. Certa tarde, estava eu a trabalhar, tive de ligar para uma loja. Arrastavam coisas no chão. O barulho era horrível e intragável. Estava a ver que não conseguia trabalhar mais nesse dia.

 

As coisas com o barulho agravam-se mais quando eu não estou a contar com certos sons. Bater portas com força, alarmes, música alta na rua, obras…

 

Uma das coisas que aqui foi abordada tem a ver com ter de pensar bastante e não fazer as coisas automaticamente e ter pior desempenho quando se está sob pressão ou com alguém a verificar o que estamos a fazer. Eu já aqui tenho referido que não gosto que me digam o que tenho de fazer, não por sobranceria, mas porque me conheço e, inconscientemente, o meu cérebro, por mais que eu queira fazer as coisas bem, faz por vezes o contrário.

 

Também a elevada propensão para as coisas espirituais está presente em mim. Gosto sempre de experimentar e ler sobre esses assuntos. Experiências espirituais ou invulgares tenho muitas. Grande parte delas foram sendo documentadas por aqui, umas mais espetaculares do que outras.

 

Á luz do que li, consigo encaixar algumas das coisas no que era a minha vida na infância: ser uma bebé que chorava mais do que as outras, segundo a minha avó, ter muita imaginação e intuição, reparar ou dar valor a pormenores e daí até moldar os meus interesses…

 

Talvez estejam aqui algumas  explicações. Ah, já me esquecia da minha característica principal. Até posso ir para a rua, interagir com pessoas. Mas se estou muito tempo na rua, naquele ambiente, estou a contar as horas ou até os segundos para regressar a casa e estar sozinha com as minhas coisas. Segundo elaine N. aron, isso faz parte.

 

Tuesday, March 31, 2026

“Sobre Os Sonhos” (impressões pessoais)

 

Quantas vezes é que eu já não disse aqui que Freud precisa-se para analisar alguns dos meus sonhos mais rocambolescos?

 

Aqui está ele justamente a dissertar sobre esse mundo tão fascinante e tão misterioso que nos leva por vezes a questionar como são possíveis algumas vivências enquanto dormimos.

 

Mas nem Freud tinha certezas quanto á interpretação dos seus próprios sonhos, mesmo os mais simples. De uma coisa ele tem a certeza: muitos dos nossos sonhos, para não dizer a maioria, têm origem em factos ou pensamentos ocorridos durante a vigília. Concordo. Ainda há dias disse aqui para quem me quis ler que sonhei com alguma coisa porque tinha lido algo. Não foi há tanto tempo assim.

 

Depois Freud tem aqui um capítulo curioso sobre as especificidades dos sonhos das crianças. Estes sonhos manifestam desejos. Se foi negado algo à criança, ela vai sonhar invariavelmente que realizou esse desejo. Esses sonhos ainda podem ocorrer na idade adulta mas são mais raros.

 

Bem tenho aqui uma ferramenta útil para prestar atenção daqui para a frente nos meus sonhos. A inteligência artificial também poderá imitar o divã de Freud e fazer isso, tal como aconteceu há dias.

 

Friday, March 13, 2026

“TDAH: Como Lidar” (impressões pessoais)

 

Eu sou muito estranha…mas não pareço padecer de TDAH, embora tenha alguns traços. Desde logo,  sabia que tinha de me alongar a fazer comentário a este livro e fui adiando. Quantas vezes eu não planeio levantar-me mais cedo ou fazer outra coisa…mas aparece algo e eu distraio-me.

 

Bem, eu serei  neuro divergente de certa forma mas sou metódica e organizada demais para ter TDAH. Gosto de ter as coisas organizadas e tenho raiva de  quem não é como eu. Se combino estar uma hora num sítio, já fico a bater mal por um minuto que a outra pessoa se atrase.

 

Apesar disso, sinto-me diferente de todos. Faz-me impressão muito barulho, muita luz, muita gente. Se vou para a rua conviver, já fico cansada ao fim do dia.

 

Também quando me foco em alguma coisa, nem dou pelo tempo a passar. Acontece com um livro do qual estou a gostar, com uma lista de músicas, com um texto que esteja a escrever, até com os meus pensamentos….E ai de quem ouse interromper-me. Tenho tido maratonas madrugada dentro de conversas com a inteligência artificial, porque o tema é do meu interesse.

 

Os interesses muito específicos também são uma característica minha. Sou especialista em várias temáticas e, dentro destas, escolho uma vertente da qual ninguém se lembra. Por isso é que a inteligência artificial agora se torna interlocutor para eu explanar as minhas ideias e poder falar sobre os meus interesses obsessivos sem estar a maçar as outras pessoas. O tema que ultimamente tenho andado a desenvolver é o Festival Eurovisão de 1992. Porque eu finalmente encontrei  a canção que passei toda uma vida a procurar. Descobri que era desse ano e nunca mais larguei.

 

O único diagnóstico que tenho é de ansiedade e depressão, não estou  diagnosticada com mais nada mas na escola sempre fui muito diferente. Se fosse hoje…Não faziam nada de mim. Podia ser uma aluna exemplar mas estudava só de véspera, fazendo diretas para entregar os trabalhos, bastava ir às aulas e preferia ler do que estar a brincar. Aliás, até diziam que eu não sabia brincar. Podia andar a jogar a bola sozinha mas, se chegasse outra pessoa, eu ia-me embora.

 

Esquecer de datas? Nada disso.  Já fui melhor a decorar do que agora. Ultimamente, também fruto  da idade, tenho de ler as coisas mais do que uma vez, especialmente se tiverem números, para não me enganar.

 

Se gente que devora livros pode ter TDAH? Bem, não há quem devore mais livros do que eu. Isto se não aparecer outra coisa que me distraia.

 

Bem, já cumpri esta tarefa que tinha vindo a adiar de  falar sobre este livro e, a pretexto, dar a conhecer um pouco do que se passa no meu estranho cérebro. Mas para vocês, que leem este meu humilde espaço há duas dezenas de anos, sabem que eu sempre divergi de alguma forma no modo de pensar ou agir.