Mais um livro da autoria de Temple grandin, desta vez
destrinçando como funciona realmente o cérebro autista.
A norte-americana oferece-se para participar em tudo o que seja estudos
sobre o autismo que ainda permanece um mistério, pois cada pessoa é diferente e
o cérebro não se comporta da mesma maneira.
Ela aqui vai tendo a ajuda de outro cientista para enumerar o que se vai passando no cérebro e
suas transmissões. A certa altura eu perdi-me. Busco efeitos, não causas.
Apesar disso, temple grandin vai trazendo algumas das suas
dificuldades. Destaco duas que eu partilho. Também eu não consigo estar
sossegada quando pessoas falam num quarto ao lado, numa divisão ao lado ou
mesmo na rua. fico algo desconfortável. Quando chega o mês de maio, fico
apreensiva porque vai haver uma noite em que as pessoas vão enfeitar as ruas de
Coimbra para a “Festa Da Planta E Da Flor”. Aquilo para mim é pior do que a tortura.
Em tempos a minha rua foi sossegada mas agora, cada pessoa que passa, cada
grupo que passa, acorda-me, impedindo-me de dormir. Talvez aqui, á noite, fosse
aconselhado usar protetores de ruído. Não me lembro de uma noite em que não
acordei com gente a passar na rua. mesmo os seus pés a tocarem o chão me
incomodam.
Ela volta a falar das dificuldades que tem no que diz
respeito a atividades físicas. Eu tenho a mesma sensação, embora eu adore
Desporto e, para mim, o desporto seja a melhor terapia. Talvez eu tenha
regredido um pouco por agora não estar no ginásio. Ela relata aquilo que eu me farto de refletir que acontece comigo. Eu posso
andar há anos no Desporto e sinto que nunca evoluí. Por mais que esteja ou não
esteja em forma, não passo de determinados valores na corrida, por exemplo. Chega
lá uma pessoa, deficiente visual como eu, ao fim de duas ou três semanas, já me
consegue igualar ou até ultrapassar. Sinto-me uma fraude, uma perda de tempo.
Sinto que não vale a pena apostar em mim e, se as pessoas me descartam, eu
ainda me sinto pior, pois a prática desportiva é ainda algo que me liga á
sociedade, que faz com que, por exemplo, eu saia de casa e conviva.
Em suma, vou descobrindo pessoas iguais a mim de certa
forma, não me sentindo tão estranha e deslocada.