Vamos a Stephen King e neste mês de agosto calhou a ser este livro que foi escrito enquanto o autor norte-americano recuperava do grave atropelamento que sofreu.
Confesso que este está longe de ser o meu livro favorito de Stephen King. Está muito confuso, frequentemente o leitor perde-se mas trata-se de uma grande história de amizade e inclusão em que quatro adolescentes sem qualquer tipo de deficiência protegem e ficam muito amigos de um menino com trissomia 21. Essa amizade acaba por mudar as suas vidas.
Não é a primeira vez que Stephen King atribui poderes a quem tem uma deficiência intelectual, neurodivergência, alterações cerebrais devido a tumores ou acidentes…a pergunta que se impõe é esta: ele, que também sofreu um acidente, também ficou com algum dom a mais?
Terá sido por causa desta tendência que eu também resolvi criar alguns contos tendo como ponto de partida, de certa forma, algum estado mental que não fosse o consciente ou em vigília. Mas aí eu exploro o medo, o subconsciente, o sonho, o efeito de drogas ou álcool, a premonição (algo que eu estou autorizada a escrever, uma vez que passo por experiências dessas), o desespero…No terror o que está na cabeça das pessoas é ainda mais horrível do que a realidade. E já me esquecia do velhote com demência que estava no lar e que não sabia sequer ir á casa de banho e era o autor dos crimes mais horrendos.
Há uma característica que acho engraçada de Stephen King. É a forma como ele descreve cheiros e principalmente sons. Uma vez andei uma bela temporada a rir porque ele comparou uma camisa de alguém a rasgar-se ao ronronar de um gato. Desta vez ele deu vários exemplos engraçados para descrever as ventosidades largadas por pessoas e animais que estavam infetadas por aquele vírus ou lá o que era que os extraterrestres trouxeram. Já não é a primeira vez que Stephen King descreve o excesso de traques como um sintoma de radiatividade. Não sei onde é que ele leu isso.
Devo dizer que me fartei de rir com estas descrições incríveis de flatulências. Eu só não sei como era o som da buzina da fábrica não sei de onde. Ele disse o nome de uma localidade. Por outra vez comparou um traque de um personagem a um flautim desafinado tocado por uma criança. Outra vez ainda comparou outra ventosidade com o som de uma serra circular. Foi todo o livro assim, arrancou-me umas sonoras gargalhadas.
Apesar de ter achado o livro muito longo e muitas vezes me perder, dou nota positiva a este livro que considero um dos menos conseguidos do autor. Deve-se dar um desconto. Levou com um veículo em cima enquanto caminhava na estrada.
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