Ando mesmo senil. Então não é que me tinha esquecido de fazer aqui comentário a este livro que já tinha lido na semana passada? Só quando ontem coloquei os livros no nosso grupo de leitura para deficientes visuais é que me lembrei. Ainda vem a tempo. Há coisas mais graves na vida.
Ora vamos cá falar de Máfia, um tema que muito aprecio também dos tempos da série “o Corvo” que via religiosamente e que, tendo sido operada ás amígdalas no dia do último episódio de mais uma temporada, ainda consegui assistir na sala do hospital. Naquela altura, estávamos em 1991, não havia box da televisão para andar para trás e muito menos havia Netflix ou Youtube. Eu adorava essa série. Era ação garantida e com muita espetacularidade á mistura. Eram impressionantes as armas deles, capazes de disparar impressionantes rajadas de tiros em poucos segundos, transformando um homem em carne picada. Segundo Roberto Saviano- autor deste livro e voz autorizada para falar da Máfia, a série teve quinze temporadas ou algo assim. Aqui em Portugal julgo que não terá tido tantas. Duas vi eu. Uma protagonizada por um inspetor chamado conrado Cattani (não sei se é assim que se escreve) que morreu sentado na rua crivado de balas e depois com a inspetora que o acompanhava e que se chamava silvia. O seu auxiliar era o Davide. Foi esse último episódio que eu vi no hospital. Não me lembro se ela foi morta pela Máfia. Dessa série lembro-me de um episódio que me deixou dias a refletir. Havia um mafioso, acho que se chamava alberto, tinha uma mulher chamada Gloria. Eles tinham um filho aí com uns dez anos. Acho que a mulher foi pedir proteção aos inspetores. Sei que a mulher e a criança andavam sempre guardados pela Silvia e pelo Davide. Uma vez o grupo mafioso, que já tinha matado o alberto, disparou de um carro em andamento uma rajada de tiros que crivaram a criança de balas. O menino não morreu logo, ficando a agonizar nos braços da mãe que estava completamente fora de si. Os mafiosos tinham ordem para matar a criança e não a mãe. Eu questionava o motivo por que tinham de matar aquele menino. Mais tarde, lendo sobre o assunto, fiquei a perceber que aquele menino ia ser mafioso também como o pai. O título que ele tinha na Máfia passava automaticamente para ele. Quanto a eles terem poupado a mãe, também faz parte das regras da Máfia. Eles não tocam em mulheres. O título e as hierarquias da Máfia não passam pelas mulheres. Por isso a Gloria, que estava junto do filho, foi poupada e o menino foi crivado de balas. Naquela altura eu não percebi isso.
Ao longo de várias semanas, roberto Saviano, em horário nobre colocou a nu as fragilidades de uma Itália governada pelos senhores da Máfia. A Saúde, a recolha de lixo, a construção civil, tudo passa pelas mãos e o interesse dos mafiosos.
A Itália está mergulhada em corrupção, especialmente a Política. Os mafiosos encarregam-se de, em troca de votos neste ou naquele candidato, prometerem melhorar a vida a pessoas pobres e vulneráveis. Em troca, essas pessoas votam no político que serve os interesses desses senhores. Às vezes os mafiosos quase vão buscar essas pessoas ao colo para o local onde há eleições. Distribuem boletins de voto já preenchidos para quem não sabe ler ou não pode votar, vindo essas pessoas a colocar esses boletins nas urnas, levando os vazios aos mafiosos para eles preencherem e darem aos próximos.
A Itália está atulhada de lixo, as casas não estão preparadas para os abalos sísmicos, a Saúde é para quem pode ou para quem está ao lado dos mafiosos…
ele lá sabe do que fala. Tem sido perseguido pela Máfia por se ter infiltrado
nas suas fileiras e ter vindo cá para fora contar os rituais de iniciação e os
seus costumes.
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