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Friday, February 07, 2025

Leo

 

Sonhei que havia provas de Ciclismo em Anadia. Havia equipas internacionais a competir. Quem quisesse também podia correr.

 

Havia uma equipa com calções pretos e camisola magenta. Era como o equipamento da antiga equipa alemã Telekom.

 

Um dos elementos dessa equipa tinha ficado para trás e quem vinha a correr como eu conseguiu-o apanhar.

 

Depois de recuperar do cansaço, esse ciclista que se chamava  Leo acompanhou-me a pé. Umas vezes a correr, umas vezes a andar.

 

A prova passou á porta dos meus pais e toda a gente falava da excelente companhia que tinha arranjado.

 

Alto, robusto, sem pinga de gordura, todo ele músculos e fibras, Leo acompanhou-me por quilómetros, estabelecendo comigo uma  química e uma cumplicidade enorme. Um verdadeiro trabalho de equipa.

 

Acordei ainda com a imagem de nós a percorrermos a Avenida das laranjeiras em Anadia.

 

Friday, July 05, 2024

O talento existe mas dá trabalho procura-lo

 

Ontem o Sport Clube Conimbricense deslocou-se á Base naval do  alfeite onde se encontra a decorrer um campo de férias inclusivo com crianças e jovens com e sem  deficiência visual.

 

Ao longo da manhã, também com a presença de Jorge pina, estes meninos e meninas puderam experimentar algumas modalidades como o  Futebol De Cegos ou o Ciclismo.

 

Podia-se ver a felicidade impagável destas crianças ao perceberem que era possível também elas jogarem, não serem simples adeptos e apaixonados pela modalidade, como reparei que alguns eram, questionando uns aos outros sobre jogadores que estão a participar no Euro  2024. Isto fez-me lembrar de mim quando era mais jovem que também conhecia os jogadores todos.

 

Foi possível ver que, basta os dirigentes que tomam conta das nossas associações quererem, que há muita juventude ávida por praticar Desporto.

 

Os atletas, nomeadamente os deficientes visuais são de uma faixa etária mais alta e urge preparar uma nova geração de desportistas para assim garantir o futuro.

 

Fiquei particularmente espantada com o talento de um menino muito pequenino que, depois de eu lhe ter explicado como conduzia uma bola, fez simplesmente magia, mostrando um talento incrível com um toque de bola digno de craques. Uma pena perder esse menino, já que se sabe, infelizmente, como funcionam as coisas por cá.

 

Uma pena não aproveitar estes jovens ávidos por praticar Desporto, condenando-os ao sedentarismo forçado, não os estimulando, fazendo deles portadores de doenças crónicas, como acontece amiúde por falta de movimento que  depois lhes tira a autonomia.

 

Meus senhores, toca a mexer e a procurar. Vão encontrar talento e vontade. O sorriso destas crianças já vale  terem posto os pés na estrada para os procurarem.

 

Não é difícil.

 

Saturday, June 29, 2024

O tour começa hoje e o meu subconsciente traz-me recordações da estrada

 

Belos tempos, os que me faziam ficar colada á televisão nas grandes voltas velocipédicas a torcer pela minha equipa, a Rabobank.

 

À boa maneira de adepta incondicional, eu berrava, discutia, mandava vir para a frente quem eu visse na cauda do pelotão vestido de laranja, branco e azul. Alguns anos mais tarde vim a perceber que eles iam atrás mas estavam limpos, ao contrário dos que andavam na frente, especialmente Lance Armstrong. O coração daquela equipa era feita de homens íntegros e com valores. A equipa terminou em 2012 por causa do clima de constante suspeição em termos de adulteração de resultados por via de  doping. Ciclistas da Rabobank chegaram a vencer estas voltas na secretaria muitos anos depois. O caso mais gritante foi o do russo Denis menchov que venceu na secretaria uma Vuelta por desclassificação do espanhol roberto Heras que venceu na estrada. Muitos anos depois, foi reconhecida esta vitória.

 

Quando Michael Boogerd e Erik Dekker eram o coração da equipa foi o auge. Eles terminaram as suas carreiras e a equipa praticamente desapareceu. Muitos dos ciclistas transitaram para uma nova formação que é agora uma das melhores equipas do pelotão mundial mas é uma autêntica sociedade das nações. Os ciclistas que eu conhecia já praticamente todos deixaram de correr e assisto mesmo a  filhos destes ciclistas que eu via pequeninos em fotos ao colo dos pais agora andarem também pelas estradas.

 

Sonhei que assistia a uma dessas grandes voltas. O tempo estava de chuva e o  grosso dos ciclistas vestidos de laranja, azul e branco iam atrás. Logo me insurgi contra isso. Não sei quem lá ia. Provavelmente os mesmos que tanta vez mandei vir para a frente, que atrás não era lugar para eles. Normalmente esses ciclistas eram o Bram De Groot (hoje arquiteto), um alemão chamado Grisha, o Maarten Den Bakker, quando não era mesmo o Erik Dekker. Por vezes eles iam buscar água ou alimento para os da frente mas ás vezes era mesmo porque não tinham pernas. Armstrong e companhia, todos cheios de doping e com motor na bicicleta, como foi o caso do ciclista do Texas, seguiam destacados na frente.

 

Houve uma queda coletiva. Um ciclista vestido de verde bateu com força com a cabeça na lomba da estrada. Disseram que era um  espanhol. Eles que são os piores na estrada. Esse ciclista levantou-se do  chão algo tonto e logo foi acometido de náuseas e vómitos. Outros ciclistas pararam para lhe prestar assistência, entre eles, um dos meus. Também tinham a particularidade de serem desportistas com D grande.  São muitos os episódios de desportivismo protagonizados por ciclistas da Rabobank. Lembro-me de um elemento da  Rabobank, justamente numa volta á França, já irremediavelmente para trás, ter praticamente  levado ás costas um ciclista que tinha caído e, veio a saber-se depois, tinha lesões graves. Eles cortaram a meta muito depois abraçados. Aí tive de engolir o protesto por aquele ciclista chegar tão tarde e aplaudir o ato  heroico e de desportivismo que teve. Um enorme orgulho. Outros havia que andavam na frente e até passavam por cima de ciclistas caídos no chão. Lamentável!

 

E lá seguia a prova dos meus sonhos pela estrada fora, apesar da chuva e de metade do pelotão já ter ido ao chão.