Wednesday, August 05, 2026

“A Herança” (impressões pessoais)

 

Aí está o livro que recebeu nota máxima esta semana. Andava há tempo para ler este livro mas só agora o consegui encaixar. Ainda bem que o fiz porque  precisava de dar conta de outros livros maiores, de não ficção e que já estão há anos á espera.

 

Para mim, neste momento, Samantha Hayes é a melhor escritora de Thrillers da  atualidade. Para mim ela é muito melhor do que a Freida. Consegue prender o leitor mesmo até á última página. Não sei se ela será a resposta inglesa á Freida, até porque eu conheço muitas outras escritoras inglesas com a mesma qualidade. A  Alice Feeney, as Claires…na Escócia e na irlanda existem autoras de  thrillers igualmente muito boas.  Esqueci-me da  Paula Hawkins.

 

Falando da Samantha Hayes e deste livro em concreto, esta família mais parece um conjunto de concorrentes da “Casa Dos Segredos”. Toda a gente tem algo a esconder. É mesmo a dinâmica familiar que Samantha Hayes explora. Dentro de uma família aparentemente normal, com as suas coisas, como acontece em qualquer família, pode acontecer algo, normalmente vindo do passado de alguém, para assombrar e influenciar os acontecimentos presentes.

 

No caso deste livro, o ponto de  rotura dá-se com a morte de Ray. É hora de dar a  conhecer o testamento ás filhas. Connie vive a chegada da família com apreensão. Como dizer a uma das suas filhas que não foi contemplada em testamento? A partir daqui, as coisas precipitam-se. Segredos do passado ameaçam irromper. Esta família não será mais a mesma.

 

Muito bom mesmo. Esta escritora esteve presente aqui em Portugal numa das feiras do livro. Tive pena de não a conhecer. É uma das autoras que mais admiro no momento.

 

Tuesday, August 04, 2026

“O Apanhador De Sonhos” (impressões pessoais)

 

Vamos a Stephen King e neste mês de agosto calhou a ser este livro que foi escrito enquanto o autor norte-americano recuperava do grave atropelamento que sofreu.

 

Confesso que este está longe de ser o meu livro favorito de Stephen King. Está muito confuso, frequentemente o leitor perde-se mas trata-se de uma grande história de amizade e inclusão em que quatro adolescentes sem qualquer tipo de deficiência protegem e ficam muito amigos de um menino com trissomia 21. Essa amizade acaba por mudar as suas vidas.

 

Não é a primeira vez que Stephen King atribui poderes a quem tem uma deficiência intelectual, neurodivergência, alterações cerebrais devido a tumores ou acidentes…a pergunta que se impõe é esta: ele, que também sofreu um acidente, também ficou com algum dom a mais?

 

Terá sido por causa desta tendência que eu também resolvi criar alguns contos tendo como ponto de partida, de certa forma, algum estado mental que não fosse o consciente ou em vigília. Mas aí eu exploro o medo, o subconsciente, o sonho, o efeito de drogas ou álcool, a premonição (algo que eu estou autorizada a escrever, uma vez que passo por experiências dessas), o desespero…No terror o que está na cabeça das pessoas é ainda mais horrível do que a realidade. E já me esquecia do velhote com demência que estava no lar e que não sabia sequer ir á casa de banho e era o autor dos crimes mais horrendos.

 

Há uma característica que acho engraçada de Stephen King. É a forma como ele descreve cheiros e principalmente sons. Uma vez andei uma bela temporada a rir porque ele comparou uma camisa de alguém a rasgar-se ao ronronar de um gato. Desta vez ele deu vários exemplos engraçados para descrever as ventosidades largadas por pessoas e animais que estavam infetadas por aquele vírus ou lá o que era que os extraterrestres trouxeram. Já não é a primeira vez que  Stephen King descreve o excesso de traques como um sintoma de radiatividade. Não sei onde é que ele leu isso.

 

Devo dizer que me fartei de rir com estas descrições incríveis  de flatulências. Eu só não sei como era o som da buzina da fábrica não sei de onde. Ele disse o nome de uma localidade. Por outra vez comparou um  traque de um personagem a um flautim desafinado tocado por uma criança. Outra vez ainda comparou outra ventosidade com o som de uma serra circular. Foi todo o livro assim, arrancou-me umas sonoras gargalhadas.

 

Apesar de ter achado o livro muito longo e muitas vezes me perder, dou nota positiva a este livro que considero um dos menos conseguidos do autor. Deve-se dar um desconto. Levou com um veículo em cima enquanto caminhava na estrada.

 

Monday, August 03, 2026

“O Restaurante dos pedidos Trocados” (impressões pessoais)

 

Grande mensagem que nos chega do Japão. Sugestão de leitura para esta semana da Biblioteca Municipal De Coimbra. Seria candidato a destaque no meu canal de Youtube…se entretanto não tivesse dado rating 5 a outro livro já e a semana de leituras ainda mal começou.

 

No japão há o costume de consertar uma peça de porcelana partida com ouro. Assim ela fica mais valiosa. Esse princípio é também aplicado ás pessoas. Quando se fala de pessoas mais velhas e  com demência, isso faz mais sentido. A velha máxima de nada se perde, tudo se transforma.

 

Shiro oguni é realizador de televisão e, certo dia, fez um documentário sobre pessoas com demência. Ele tomou uma refeição confecionada e servida por utentes de uma residência que acolhe pessoas nessa condição. A comida estava deliciosa mas os utentes insistiam que aquilo eram hambúrgueres mas não eram. Então ele teve a ideia de criar um ambiente aberto ao público onde estas pessoas ainda pudessem ser úteis. Claro está que tinha de ter ajuda e proteção, salvaguardando as especificidades destas pessoas.

 

Criou-se então o restaurante dos pedidos trocados. Seria um restaurante comum, com clientes e tudo. Os empregados de mesa eram utentes da residência que anotavam os pedidos. As pessoas que lá iam, já sabiam que aquelas pessoas tinham demência e podiam trocar os pedidos, o que aconteceu algumas vezes. O objetivo não era incentivar o erro propositado, era deixar as pessoas á vontade com a sua limitação, fazendo-as sentir úteis.

 

Também se pretendeu desmistificar a demência, quase sempre associada a idade avançada, algo que pode acontecer a cada um de nós.

 

Ao longo deste livro são contadas histórias de clientes e pessoas com demência que participaram neste projeto. Histórias inspiradoras, enriquecedoras e positivas. Se aproveitarmos o que cada pessoa ainda tem para oferecer sem cobranças, sem responsabilidade, contribuiremos para    uma sociedade mais tolerante, inclusiva e empática.