Tuesday, December 28, 2021

“As pequenas Memórias” (impressões pessoais)

 

José Saramago foi a minha escolha de leitura. Não foi propriamente uma escolha. Foi a Biblioteca de Coimbra que sugeriu esta obra e aproveitei a oportunidade de a ler.

 

É sempre uma honra ler José Saramago. Há quem não goste do seu estilo mas eu adoro. Ele pormenoriza muito as coisas. Há quem diga que ele divaga muito e por isso não é um bom contador de histórias.

 

Nesta obra ele leva-nos a viajar até ás suas origens. Os seus tempos de infância e juventude são aqui brilhantemente narrados neste pequeno livro das suas pequenas memórias.

 

Um livro que se lê bem. Um livro tão português de um autor tão nosso.

 

“Outras Mulheres” (impressões pessoais)

 

Este foi o livro do mês do nosso grupo de leitura.

 

Confesso que este tipo de livros não é muito a minha praia, são livros que não dão luta, não têm ação ou suspense.

 

A homossexualidade vem a pouco e pouco sendo tema na literatura, embora haja um longo caminho a percorrer nessa área. Sobretudo no que diz respeito á homossexualidade feminina ainda é muito o tabu.

 

Este livro mostra-nos o quão grande é o sofrimento de quem é diferente. Como tenho vindo a referir, a homossexualidade não é uma escolha. É algo que nasceu com o indivíduo e muitas pessoas sofrem ainda em silêncio, sacrificando a sua verdadeira felicidade com medo de serem abandonadas por uma sociedade pouco tolerante. Plenitude mental e sexual para essas pessoas não é completa. Existe sempre o vazio, o medo da descriminação e da solidão.

 

Neste caso, Caroline tem dúvidas ainda quanto à sua homossexualidade. Ela tanto se relaciona com homens, como com mulheres.

 

Sentindo-se deprimida e com pensamentos sombrios, ela recorre á ajuda de Ana. Ela apaixona-se por ela, tentando agradar-lhe. Sentindo-se constantemente rejeitada por aqueles a quem ama, Caroline teme agora perder a confiança de Ana que viu dois dos seus filhos morrerem tragicamente.

 

Para além dos dilemas de quem é diferente sem que disso tenha culpa, este livro também nos leva a ver o lado humano dos terapeutas que por vezes possuem dramas e problemas pessoais mais profundos do que alguns dos seus pacientes. Muitos são terapeutas porque algum dia precisaram de ajuda no passado e apaixonaram-se pela profissão. Quantas vezes encontramos por entre crianças que viveram longos internamentos quererem ser médicas ou enfermeiras?

 

Cada vez a sociedade está mais intolerante para quem é diferente. Já conhecemos melhores dias e, por mais que se apele  à inclusão e não discriminação, surgem cada vez mais torrentes de ódio, especialmente através das redes sociais, condenando quem simplesmente cometeu o pecado de ter nascido diferente.

 

Um livro que dá que pensar.

 

Monday, December 27, 2021

Taremi a presidente

 

Estava indignada! Ora eu, que tomara que o Taremi vá para o Estrangeiro porque me custa vê-lo jogar nos rivais, agora corria o risco de o ver ficar ali por muitos e longos anos.

 

A julgar pelos anos que leva o atual presidente á frente de tal coletividade, corria o risco de desencarnar e ainda continuar a ver o meu craque amarrado a essa horrível coletividade. Bem, se calhar, vendo o lado positivo, ainda tornaria aquele clube mais sério, transparente, provido de valores éticos, coisa que atualmente não tem.

 

A história é simples. Um grupo de investidores comprou o falido clube onde infelizmente tenho o desgosto de ver o meu ídolo jogar. Falidos como estão, com brasileiros e nigerianos a baterem-lhes á porta para pagarem o que devem, o remédio é mesmo vender o clube, já que os jogadores saem a custo zero.

 

Apenas e só para me contrariar, o Taremi foi nomeado pelos investidores como presidente do clube.

 

Eu estava indignada. Não é que o Taremi não desse um bom presidente. Era o facto de correr o risco de o ver ali por tempo indeterminado que me estava a indignar.

 

Felizmente por esta altura ele ainda joga e sabe-se que os jogadores vão e os clubes ficam.