Wednesday, June 03, 2020

Regresso da Liga



Quase três meses sem Futebol. Isso é muito para mim. Hoje estou a contar os minutos para viver as emoções da bola a rolar cá no nosso burgo.

Tenho visto alguns jogos do passado na televisão mas nós já sabemos o seu desfecho e assim não tem tanta piada. Esses jogos servem apenas para recordar jogadores excelentes que passaram pelos relvados nacionais e internacionais. De alguns já me tinha esquecido completamente.

Sabe bem recordar de vez em quando mas nada é mais emocionante do que a incerteza do resultado.

Mal posso esperar pelas sete da tarde para ouvir novamente um relato dos nossos jogos.

Não vai haver público nas bancadas mas não faltará o fervor dos adeptos que sofrerão pelas suas cores à distância.

Polémicas aparte, espero que esta ponta final seja emocionante. Como benfiquista, espero que o meu clube faça uma brilhante ponta final e recupere o ponto de desvantagem que tem para o primeiro classificado que entrará já hoje em campo frente ao surpreendente Famalicão. Vai ser um jogo complicado!

Para terminar, faço um reparo ao facto de os clubes com jogadores infetados com Corona Vírus não divulgarem a identidade dos seus atletas. Se por um lado se compreende que se deve salvaguardar a privacidade dos atletas, por outro há que ver o que o Futebol representa. Por exemplo, nas apostas ou nas fantasy leagues temos sempre de apostar nos melhores jogadores. Se apostamos num jogador que não pode jogar por estar infetado e não sabemos, faz uma grande diferença. Penso que deveria ser a FIFA ou a UEFA a intervir nesta situação. Mesmo para as equipas adversárias seria um problema para preparar os jogos. Por acaso o meu clube teve a atitude mais correta e identificou o jogador infetado. Imaginemos que o melhor jogador da equipa que vai jogar connosco se encontra afastado do restante grupo por se encontrar infetado! O treinador afina a estratégia centrada na anulação desse jogador. Toda a semana é analisado o comportamento do jogador em campo ao pormenor. Chegamos à hora do jogo e a estratégia vai toda por água abaixo. Todo o trabalho semanal é deitado fora. Há casos pontuais em que há lesões no aquecimento, doenças súbitas, outro tipo de problemas. Já vi acontecer muitas situações dessas. Neste caso do Corona Vírus, já se sabe que o jogador está indisponível. Não se pode ocultar esta informação do público ou dos adversários. O Futebol movimenta muito dinheiro. Não se compadece com secretismo. Aqui em Portugal, com a suspeição sempre presente, ainda muito menos. Pode-se decidir assim uma classificação final. Quem quer privacidade não pode estar no Futebol, na música, na representação ou numa atividade qualquer de interesse público.

A bola começará a rolar em Portimão. Mal posso esperar!

Tuesday, June 02, 2020

“Dolannes Melody” – Richard Clayderman (Música Com Memórias)



Continuamos por aqui com temas instrumentais. Desta vez avançamos um pouco no tempo e vamos para inícios dos anos noventa- também os meus tempos áureos da rádio, mais precisamente da Emissora Voz da Bairrada de oliveira do Bairro.

Ali trabalhava gente que tinha apreciável estima por certos temas instrumentais, sempre os mesmos.

Foi isso que se perdeu na rádio de hoje. Com as playlists perdeu-se o cunho pessoal de quem está a fazer o programa. Hoje constatamos que, independentemente de quem está a fazer o programa, a seleção musical não varia muito. Perdeu-se um pouco a magia.

Se muitos dos que trabalhavam na E.V.B. eram profissionais, outros eram completamente amadores e faziam algumas horas de rádio apenas por divertimento. Esses então espalhavam magia. É aqui que entra esta música que ficou associada a uma das animadoras que sempre a utilizava nos seus programas. Era uma dessas animadoras que fazia um programa à noite sobre signos. Muitas vezes se distraía e deixava a via do microfone aberta mas isso também fazia parte dessa magia das rádios locais. Quem nunca fez isso? Até os profissionais já com, nome feito na praça pública fazem isso.

Para a história ficam estes tempos felizes em que uma música era sinónimo deste ou aquele locutor no comando da emissão. Não sei o que aconteceu a esta animadora de ocasião. Já lá vai muito tempo. Conheci-a. Faz parte da minha história, pois estava presente quando fiz a minha estreia nestas lides da rádio, no longínquo dia 2 de Janeiro de 1992.

Monday, June 01, 2020

Esperando o Rio Ave em tempo de pandemia



Ainda no seguimento do post anterior, o meu subconsciente resolveu guardar a informação da escrita daquele texto e condimentou-a com os apelos dos jogadores da Primeira Liga que estão a passar no Canal 11 para que os adeptos não se juntem à porta dos recintos desportivos ou dos locais de estágio dos jogadores.

Pois bem, eu sonhei que esperava o Rio Ave…em casa dos meus pais. Os sonhos são mesmo assim!

Tinham vindo jogar perto e o autocarro ficava no pátio. Provavelmente até lá cabe um autocarro, digo eu. A saída de segurança fazia-se pelo escritório. Se calhar foi aberta uma porta para o pátio lá dentro. Agora, com esta pandemia, houve obras em muitos locais. Inclusive o Rio Ave teve de fazer obras no estádio.

Eu via-os passar de longe, respeitando as medidas de distanciamento. Ao mesmo tempo, a vontade de ver de perto o Taremi era muita. Vivia então um dilema mas, para o meu bem e o bem dele, optei por ficar a ver de longe os atletas com fatos de treino verdes a passar.

Alguém me disse que deveria arriscar. Fui um pouco para mais perto mas insistia em guardar distância. Era o melhor para todos.

Um atleta passava junto a mim com uma bola pequena, vermelha e branca…com uns guizos. Parecia uma bola adaptada a cegos. Aproximei-me mais e pedi-lha, sempre guardando distância. Também por causa da pandemia, pedi que ele atirasse a bola ao chão em vez de ma entregar em mãos. Assim fez. Laika- que ainda era viva- logo a apanhou e levou-a nos dentes para debaixo da mesa da casa de forno.

Com todas estas distrações da bola, nem dei por conta da passagem do Taremi. Provavelmente terá passado quando persegui a cadela e a bola até à casa de forno.

Já ninguém passava ali. Ouvia-se o motor do autocarro a trabalhar. Vendo o meu desapontamento, alguém me disse que devia ir para junto do veículo. Eu ia dizendo que não. Era um caso de saúde e de risco para todos.

Estava num dilema. Pensava no que fazer mas o bom-senso e o sentido de responsabilidade acabaria por levar a melhor.

Como dizem os atletas, a melhor forma de apoiar é ficar em casa. Em casa já eu estava, por acaso mas a segunda parte do dever de um agente de saúde pública- que é o que nós todos devemos ser neste momento- é manter a distância para o bem de todos.