Showing posts with label direitos Humanos. Show all posts
Showing posts with label direitos Humanos. Show all posts

Friday, December 20, 2024

“Tortura Branca” (impressões pessoais)

 

É incrível como, em pleno século vinte e um existem seres humanos que, em alguns países, continuam a ver sonegados direitos fundamentais como a liberdade e a dignidade humana.

 

No irão, especialmente as mulheres, são presas em cativeiro sem qualquer julgamento válido só porque usam do direito de vestir o que gostam. Aí, são mantidas em condições desumanas e até humilhantes, sujeitas a maus tratos físicos e psicológicos,  submetidas á tortura branca que pressupõe estar numa cela minúscula distante de tudo e de todos. A privação sensorial é o pior dos castigos para estas vítimas cujos testemunhos fazem parte deste livro.

 

A liberdade é um direito de qualquer Ser Humano e não devia dar azo a que, por ousarem exercer esse direito, os seres humanos sejam privados barbaramente dela.

 

Se nós, portugueses, nos chocamos com o que se passa no Irão e atribuímos o fundamentalismo religioso para tal, fiquem sabendo que já li relatos do tempo do Estado Novo que em nada diferem destes. E aqui não havia propriamente radicalismo religioso. É uma característica muito peculiar dos países que vivem em regimes totalitários.

 

Nos tempos que correm não deveriam já acontecer estas coisas mas ainda continuam a existir. Infelizmente.

 

Thursday, June 30, 2022

“Infiel” (impressões pessoais)

 

Agora uma biografia de uma política e ativista somali dos direitos das mulheres, especialmente das mulheres muçulmanas.

 

Em 2007 tive oportunidade de fazer um curso de verão na cidade de Utrecht na Holanda e  tivemos uma aula só de política. Nessa ocasião foram abordados estes acontecimentos que estão retratados neste livro, nomeadamente os assassinatos de pim Fortuyn e de Theo Van  Gogh. Na altura não sabia que a causa direta destes assassinatos tinha sido a autora deste livro. Pelo menos não fiquei a perceber.

 

Trata-se de uma mulher de coragem, sem medo de dizer o que pensa, mesmo que tais pensamentos sejam arrojados e por vezes perigosos para ela e para quem a rodeia.

 

É incrível o que ela passou para chegar até ali. O que passam muitas mulheres e crianças em países africanos. A desumanidade que é a mutilação genital feminina que ainda hoje se pratica no meio de comunidades africanas que nem o facto de viverem em países ocidentais que condenam tal prática se desencoraja de fazer. Um autêntico atentado à condição humana, especialmente à condição de mulher.

 

Haja mais vozes como estas, sem medo de abalar os alicerces de uma cultura instituída e o Mundo será seguramente melhor.

 

Sunday, April 24, 2022

“Novas Cartas portuguesas” (impressões pessoais)

 

Estamos em vésperas de mais um 25 de abril. Bem apropriada a leitura desta obra tão falada por desafiar convenções e ordens sociais.

 

Este livro veio sem dúvida abalar os alicerces da sociedade por ser tão arrojado e atentar contra a moral, como apregoava a Censura. Este caso ficou conhecido como o “processo Das Três marias” em alusão ao primeiro nome das suas autoras- Maria isabel barreno, maria teresa Horta e Maria Velho Da Costa.

 

Trata-se de uma obra estruturada de uma forma complexa mas o seu conteúdo ousado e arrojado denuncia a condição das mulheres portuguesas que nada mudou ao longo dos séculos. Trata-se de uma espécie de manifesto onde as escritoras dão largas ao seu descontentamento face ás injustiças sociais de que são vítimas as mulheres. Elas expõem de uma forma crua diferentes tipos de injustiças e maus tratos de que padecem as mulheres que nem donas do seu corpo podem ser.

 

Usando os mais variados géneros literários, as autoras usam linguagem e comportamentos vedados então ás mulheres em público, daí este livro ter causado tanta celeuma por cá e ter causado grande agitação no Estrangeiro, nomeadamente em França onde foi amplamente divulgado e causou indignação pela sonegação dos direitos das mulheres no nosso país.

 

Se hoje nos causa indignação como as mulheres são tratadas no Médio oriente, não podemos deixar de pensar que há quarenta e oito anos não era muito diferente por cá e isso nada tem a ver com religiões. Eu já disse aqui que em tempos, se calhar quando ocorriam estas situações por cá, o Irão por exemplo, era uma sociedade mais aberta. Na minha opinião, isto tem mais a ver com a política do que com a religião.

 

Agora podemos ler este documento sem tabus. Felizmente que aconteceu o 25 de abril e estas ideias estúpidas foram completamente abolidas, apesar de ainda acharem resistência em alguns meios. Ninguém vai para a cadeia ou é torturado simplesmente por pensar e lutar pelos seus direitos. Felizmente que tudo isso acabou.