Wednesday, October 27, 2021

“Quântica” (impressões pessoais)

 

Leio agora um livro mais técnico, embora recentemente tenha lido um livro de ficção que foi “A Fórmula De Deus” de José rodrigues Dos Santos sobre esta mesma temática.

 

Ciência e Religião sempre seguiram ao longo da História em pólos opostos. As descobertas científicas sempre colocaram em causa dogmas e verdades irrefutáveis defendidas pela igreja. Agora Ciência e Religião tendem em caminhar juntas na direção de novos mundos, novas descobertas, novas possibilidades.

 

Já aqui falei há não muito tempo sobre estas questões da   existência de Deus que não é de todo aquele que a Bíblia nos apresenta e muito menos é alguém sentado algures no Céu cujos seus apetites e humores regulam a vida na Terra. De facto a ciência não descarta a  existência de Deus ou de outra entidade superior. Apenas simplesmente essa entidade reveste-se de muitas formas e manifestações.

 

Um exemplo da convergência entre ciência e religião é a Física Quântica que vai muito além também da ciência convencional. Novos horizontes foram abertos, novas possibilidades surgiram. A teoria de tudo, a teoria das cordas que defende o universo como uma sinfonia de cordas que tudo rege, a   existência de universos paralelos onde nós possamos estar  simultaneamente. Tudo isto é confuso e ao mesmo tempo deslumbrante.

 

O papel do observador nesta ciência vem trazer um rol de possibilidades. De facto, a nova  ciência defende que podemos ser e não ser, estar e não estar. Existe a possibilidade de transmissão de pensamentos e até se pode recorrer mais tarde ás cirurgias astrais que em algum lugar já se praticam. Tudo isto parecem coisas fantásticas, estavam mais na esfera do paranormal mas agora sabe-se que a ciência está a dar respostas bem concretas a estes fenómenos. Onde dantes prevalecia o mistério, pouco a pouco vem sendo desvendado e isso ajudará todos nós a melhor compreendermos o nosso mundo, outros mundos, quem sabe.

 

Temos pois de estar preparados para aceitar de braços abertos estas novas e complexas descobertas científicas que prometem revolucionar a nossa forma de vermos e interagirmos com o que nos rodeia.

 

“A Vida Mentirosa dos Adultos” (impressões pessoais)

 

De vez em quando, surge um livro de elena Ferrante para ler. Esta senhora italiana é de facto incomparável. As suas personagens, normalmente mulheres, são inolvidáveis.

 

Giovana é uma adolescente que vive em Nápoles com os seus pais, ambos professores. Ela vive rodeada de livros e cultura mas pouco sabe das coisas práticas da vida. Os seus pais ocultam-lhe muitas coisas.

 

Certo dia, ela ouve o seu pai mencionar que ela é cada vez mais parecida com a sua tia Vittoria- uma irmã do seu pai que mora na zona pouco recomendável de Nápoles e que não se dá com o resto da família. Curiosa como todas as raparigas da sua idade, Giovana vai procurar vestígios da presença dessa sua tia em álbuns de família. Intrigada, constata que todas as fotos em que ela aparecia se encontram riscadas. Isso ainda acicata mais a vontade de conhecer essa sua tia.

 

Os pais acabam por concordar que Giovana conheça a tia e vá aos poucos penetrando no seu mundo tão diferente daquele mundo estéril em que é criada. Sua tia é uma pessoa incrivelmente prática, uma mulher muito rude mesmo. Trata-se de alguém sem filtros, sem maneiras, bastante arrogante. É a tia que ensina algumas coisas que os pais jamais ensinariam a Giovana. A sexualidade é uma delas. Habituada a entender o mundo pelos livros, Giovana ouve o mais ordinário calão da boca da sua tia.

 

Ela vai observando os seus pais e outros adultos. Descobre um eventual quadrado amoroso entre os seus pais e o outro casal amigo. Descobre afinal de contas que ser adulto não é propriamente um mar de rosas. A vida dos adultos é uma constante farsa.

 

Com tudo isto, Giovana vive uma existência confusa. Não sabe separar o meio termo entre a vida dos seus pais e a vida da sua excêntrica e grosseira tia.

 

Um livro bastante engraçado bem á moda barulhenta dos italianos.

 

Estranha normalidade

 

Há muito,há precisamente dois anos que não estávamos juntos. Foi muito tempo, digamos que uma vida.

 

Algum dia haveríamos de voltar a uma aparente normalidade que conhecíamos e nem sequer imaginávamos uma realidade diferente onde o contacto humano era proibido.

 

Surgiu no nosso mundo uma pandemia e fez-nos vivenciar situações inimagináveis, com muitas privações, confinamentos e contenções. Foi esta a vida que vivemos. Agora estranho é estarmos todos juntos novamente.

 

Desaprendemos de dançar, de cantar, de conviver. A nossa voz depressa  se desgasta por nos fazermos ouvir num cântico com muita gente. Os nossos pés avançam trôpegos e a medo pelo salão. Os nossos passos desencontram-se. Já não sabemos dançar. A música mais alta ressoa nas nossas cabeças como se fosse o primeiro som de sempre que ouvimos. As vozes humanas e o tinir dos pratos fazem-nos estremecer.

 

O que aconteceu connosco? Estes confinamentos, estas privações tornaram-nos autênticos bichos do mato que só agora saímos da toca e voltámos a sentir  calor humano, o quão agradável é estarmos juntos. O quanto perdemos em mais de dois anos de incertezas.

 

Foi bom voltarmos a esta estranha normalidade, aproveitando tréguas aparentes que a pandemia nos está a dar. Quem sabe quanto tempo mais será preciso para de novo estarmos juntos?