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Wednesday, September 11, 2024

“Morro Da pena Ventosa” (impressões pessoais)

 

Descobrindo um Porto diferente. O Porto de ontem e de hoje. O porto real e o imaginado. Esta é a sugestão de Rui Couceiro- um portuense que fala da sua cidade através deste romance.

 

Elisabete Fragata, do interior de um caixão, escreve as suas memórias dedicadas á pessoa que gostaria de ter sido, á qual deu o nome de Luísa. Digamos que seria um alter ego, um eu imaginado. Uma outra persona para combater na protagonista a solidão. Ela que viveu com a avó que também é o tema central das suas memórias.

 

Entre o que é real e ficção, através das memórias de Elisabete, o autor dá-nos a conhecer o Porto que vai  para além dos guias turísticos. Dá-nos a conhecer a realidade e as preocupações com os habitantes que temem perder as suas casas para o alojamento local de turistas.

 

Também as questões sociais e as preocupações ambientais estão presentes nesta desconcertante obra.

 

Delicioso o pormenor do desaparecimento do rio Douro. Houve uma ocasião em que sonhei que o mar tinha desaparecido. O que seria da cidade do porto sem o Douro? Estaríamos seguramente no fim do Mundo.

 

Este é o segundo romance de Rui Couceiro. Li o outro também e gostei de ambos. Para quem não se lembra, o primeiro romance de Rui  Couceiro chama-se “Baiôa Sem Data para Morrer”.

 

Wednesday, January 31, 2024

“Baiôa Sem Data Para Morrer” (impressões pessoais)

 

De regresso ao que por cá se escreve, é a primeira obra de rui Couceiro que leio. Viajamos até gorda e Feia bem no coração do Alentejo.

 

Neste livro muito bem escrito e que consagra rui couceiro como um exímio contador de  histórias fala-se da desertificação do Interior, de aldeias povoadas por velhos e do êxodo da população mais jovem para as grandes cidades. Numa aldeia alentejana tem-se a sensação de regredirmos no tempo. A forma como o autor descreve as roupas dos personagens é disso exemplo.

 

É a história de alguém que faz o caminho inverso. Vem da cidade para se curar do uso abusivo do  telemóvel. Vai então para uma aldeiazinha que é uma completa pasmaceira. Onde não se passa nada…ou passam-se coisas estranhas.

 

Mal chega a gorda E Feia, o protagonista trava amizade com Joaquim  Baiôa. Ele mostra-lhe estranhos escritos de um médico já falecido que colocou as datas da morte em todos os  habitantes da aldeia, menos em Baiôa. Em muitos acertou mas houve outros que não morreram de morte natural.

 

De uma forma caricaturada, rui Couceiro alerta para o abandono das pessoas de mais idade em pequenas aldeias. Gente que já está morta mesmo antes de ter morrido.

 

Um livro que adorei ler.