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Monday, October 02, 2023

O comboio do meu sonho

 

Ver texto “o comboio continental”

 

Eu só depois de ter passado para as palavras este sonho é que me lembrei que tinha de apanhar o comboio para passar o fim de semana em casa dos meus pais. Até parece que adivinhava que ia haver estrilho envolvendo esse meio de transporte.

 

Fazia muito calor em Coimbra. Subi as escadas da parte  de trás da estação e logo fiquei de frente para a linha 4. Senti imediatamente uma sensação esquisita e logo me lembrei do sonho de há escassos dias. Na altura eu não sabia que o comboio estacionado naquela linha seria o mesmo que me levaria numa viagem atribulada.

 

Já estava perto da bilheteira quando anunciaram que era aquele o comboio que tinha de apanhar. Uma  senhora ajudou-me e, ao subir os degraus da carruagem, voltei a lembrar-me do sonho. Isto não seria nada.

 

No sonho enganava-me no comboio e embarcava numa viagem sem paragem. Pois foi exatamente o contrário que aconteceu. Fiquei exasperada mas não irrompi num pranto histérico como no sonho.

 

A carruagem estava uma   sauna autêntica, o sistema estava avariado e não ia a anunciar as paragens. E agora? Diziam os outros passageiros que no sistema ainda estava escrito “Entroncamento”. Um fenómeno, portanto…

 

E a velocidade vertiginosa a que o comboio seguia? Claro que estou a  ser irónica. Se no meu sonho o comboio ia rápido demais, aqui o problema era exatamente o contrário. Até uma pessoa a pé ao longo da linha conseguia facilmente acompanhar o comboio.

 

Mas o mais impressionante nisto tudo foi a imagem que ficou do sonho em que a porta da carruagem abria por escassos segundos para voltar a fechar. Foi isso mesmo que aconteceu. O mais estranho foi que o comboio nem estava parado em nenhuma estação ou apeadeiro. Parou mesmo no meio da linha e abriu a porta. Que perigo!

 

Com isto tudo, uma viagem que normalmente demora cerca de meia hora acabou por demorar o dobro do tempo.

 

Uma viagem bem animada…

 

Saturday, January 16, 2021

Premonição

 

Ainda estamos nos primeiros dias deste novo ano e já este POST se coloca para ser o POST de 2021 deste meu humilde e singelo espaço.

 

E eu que pensava que o meu sexto sentido, o meu poder premonitório ou lá o que queiram chamar me tinha abandonado, tal como aconteceu com a minha capacidade de ver.

 

Não vejo com os olhos, mas vejo com a mente. Mesmo tratando-se de alguém que nunca vi. Afinal o meu poder premonitório está em boa forma e recomenda-se.

 

Tudo começou no passado Sábado quando o Santa Clara se havia deslocado ao terreno do Boavista, também conhecido por Estádio do Bessa.

 

Como o Boavista e o Moreirense vestem ambos de xadrez e a equipa de Moreira de Cónegos ia jogar com o Santa Clara para a Taça de Portugal, logo a minha mente criou uma imagem bastante nítida entre as duas equipas. Santa Clara de camisolas vermelhas bem brilhantes na mente de alguém que há muito deixou de ter capacidade de ver as cores. Do outro lado estava o Moreirense de calções verdes e camisolas axadrezadas. Ainda me lembro como alinhavam as equipas em termos de equipamentos.

 

O jogo era histórico para os açorianos. Se passassem para os quartos de final da Taça, seria a primeira vez na sua história.

 

E então, enquanto ouvia o relato de um jogo que se aproximava do fim, imaginei esse jogo entre cónegos e açorianos já nos minutos finais. O Jogador Número Setenta do Santa Clara tinha nos pés a responsabilidade de levar o seu clube a feitos nunca antes alcançados. Ele ia marcar um penalti. Se o concretizasse, ficaria com o seu nome na história do clube.

 

O jogo com o Boavista estava a chegar ao fim. Faltava um minuto para terminar o tempo de compensação. O treinador da equipa açoriana, porque o empate já servia, fez entrar o Jogador número Setenta para queimar tempo.

 

Sem disfarçar o sorriso, sempre fui congeminando que no próximo jogo ele iria jogar e marcar o golo da sua vida…e da do clube também.

 

Estávamos nos instantes finais do jogo em Moreira de Cónegos. As equipas estavam empatadas a uma bola e já se pensava no prolongamento. Eu continuava a visualizar as duas equipas em campo. O Jogador Número Setenta do Santa Clara tinha sido titular e estava até a fazer um bom jogo. Eu ia pensando: se o jogo vai a prolongamento e depois a penaltis, sendo ele um especialista, fica para marcar um dos últimos.

 

Mas nem sempre a premonição é uma ciência exata. Faltavam escassos minutos para terminar o jogo. O Jogador Número Setenta do Santa Clara saltou mais alto que o guarda-redes do Moreirense e marcou aquele golo que ficaria para a história do seu clube. Provavelmente foi também o golo da sua vida. O primeiro de um iraniano que se aventurou no futebol português.

 

Não foi de penalti como ouvi durante aquele lapso de clarividência. Foi ele que acabou por marcar aquele golo. Nisso não me enganei.

 

Que seja o primeiro de muitos. Ele merece ter sorte.