É impressionante a
celeridade do Benfica a emitir comunicados a desmentir rumores no interesse em
jogadores, quase sempre oriundos de equipas portuguesas. Na sua esmagadora
maioria, tais atletas alinham há bastantes anos no Futebol português e o seu
comportamento dentro e fora de campo é cordial e em conformidade com aquilo que
devem ser os valores no Desporto e na Sociedade.
Na passada quinta-feira, o Benfica veio a correr desmentir o
interesse no médio do Braga Al Musrati. Mais, alegou que tais notícias contribuíam
para destabilizar o plantel num jogo tão importante.
Pois bem, hoje o Benfica tem igualmente um jogo talvez mais
importante do que o da passada quinta-feira. A entrada na Liga dos Campeões
está em causa. O Braga ameaça fugir.
Surgiu no jornal “record” que na Argentina dão conta do
interesse do Benfica no jogador colombiano Sebastian Villa que alinha no Boca
Juniores. Até aqui tudo bem. Mais uma vez, o Benfica olha para fora e despreza
os jogadores portugueses ou que jogam em Portugal há muitos anos. Nenhuma
novidade neste sentido.
O mais grave é que este jogador colombiano foi acusado pela
antiga companheira de maus tratos físicos e psicológicos que se prolongaram ao
longo de dois anos. A mulher publicou mesmo imagens no Instagram com visíveis
marcas de violência, chocando adeptos do clube que o jogador representa.
Posteriormente, o jogador foi reintegrado, apesar dos
protestos de algumas figuras do clube de Buenos Aires. Apelavam ao afastamento
do jogador, por mais importante que fosse na dinâmica da equipa. Mesmo na
Colômbia, país natal de Villa, não caiu bem o facto de Carlos Queirós (na
altura selecionador daquele país) ter convocado este jogador.
Há uns dias atrás, Villa renovou mesmo contrato com o Boca
Juniores, ficando com uma cláusula milionária. Dizia-se que o Atlético Mineiro
estava interessado também no jogador. Talvez esta recente renovação com
melhoria significativa do salário e aumento da cláusula de rescisão afaste o
Benfica da sua contratação. Não gostaria de ver no meu clube um jogador que,
independentemente da sua culpa, arrasta consigo o espectro de violência
doméstica e de género.
O Benfica é o maior clube nacional. Deve ter respeito pelas
mulheres que semana após semana vibram com os seus feitos e choram com as suas
derrotas. Por consideração a todas as adeptas do clube, nem sequer devia ser
pensado o nome deste atleta para reforçar o seu planteil.
Hoje em dia, o futebol deve ser um modelo social para os
jovens. Independentemente dos negócios obscuros que regem a modalidade, os
jogadores devem ser grandes dentro e fora de campo. De que serve ser bom
jogador, quando o seu comportamento social é reprovável pela sociedade? São estes
os princípios por que se rege o Benfica?
A ser verdade que o Benfica pensa em Sebastian Villa para
reforçar o plantel, como mulher e adepta, só posso repudiar tal atitude. Para
além das habituais manifestações que já existem, caso se confirme a vinda deste
jogador, as mulheres benfiquistas deviam fazer-se ouvir ruidosamente. Não seria
a primeira vez que adeptos de um clube vetaram a vinda de um jogador por este
ter um comportamento social reprovável. Aconteceu em Espanha com um jogador ucraniano
que defendia, alegadamente, ideias neonazis.
Este sim, o Benfica devia imediatamente emitir um comunicado
a desmentir. Para além dos valores sociais que aqui estão em causa, afinal de
contas…hoje há um jogo decisivo contra o Rio Ave.