Sugestão de leitura para iniciar esta semana. A escritora
norte-americana Judy blume escreve esta obra a pensar num público mais jovem,
especialmente feminino.
Margaret não tem religião, ao contrário de todas as pessoas
que conhece. Mesmo assim ela fala com Deus sobre o seu quotidiano de
pré-adolescente. Este livro, contextualizando, foi escrito ainda numa altura em
que as feridas do Holocausto ainda estavam por cicatrizar. A união entre
cristãos e judeus seria problemática para as famílias de ambos os lados. Os
filhos crescem e vivem numa zona cinzenta em termos de religião. As crianças
ficam confusas.
Passando isto para a minha perspetiva e para a minha
experiência da idade da protagonista, quem me dera a mim não ser obrigada a
professar qualquer religião! Eu
detestava ser obrigada a ir à missa ou à catequese. Vou mais longe, a
protagonista fala apenas com Deus e ela é que está certa. Li algures, há muitos
anos atrás, que não é a palavra dita nas igrejas ou lá o que seja que Deus mais
ouve. É a palavra de cada um de nós para ele. Já a semana passada aqui o disse:
Em lado nenhum está escrito que Deus pediu
para se fundarem religiões. Se cada um de nós falar individualmente com Deus à sua maneira, sem
o espartilho desta ou daquela doutrina para colocar entravesnas pessoas, acho
que seremos espiritualmente mais
completos.
Não deixo de realçar algo que me chamou a atenção neste
livro. A menina vai aos locais onde aparentemente devia encontrar Deus- sinagogas, igrejas católicas, igrejas
protestantes…Ela fica desiludida porque não o sente nesses locais. Onde é que
ela sente Deus? No seu quarto, quando fala com ele no final de mais um dia.
Está tudo dito.
Apesar de ser um livro voltado mais para os mais novos, deve
ser lido por gente de todas as idades.