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Monday, June 28, 2021

Olha que hazard

 

Chega ao fim a aventura da Seleção De todos Nós no Euro 2020 em que tinha a árdua tarefa de revalidar o título.

 

Sucumbimos ante uma Bélgica que em nada nos foi superior. Bastou um remate  para os belgas seguirem em frente e marcarem assim encontro com aquela seleção que eu penso que vai ganhar a competição- a Itália.

 

Em jeito de balanço, acho que Fernando Santos cometeu o erro crasso de não rodar a equipa. É certo que estávamos num grupo difícil que não nos permitia sequer respirar mas se convocámos aqueles jogadores é porque depositávamos esperança num plantel equilibrado. Há que lembrar que muitos mais jogadores de qualidade ficaram de fora.

 

A situação tornou-se difícil porque nomeadamente os jogadores que jogaram na première League estavam muito sobrecarregados de jogos. Essa competição é muito exigente e com jogos num curto espaço de tempo, como aliás é o euro. Jogadores que já vinham cansados não tiveram assim tempo para recuperar. Em contrapartida, jogadores em boa forma nem sequer foram chamados a jogar ou jogaram muito pouco.

 

Talvez o extremo conservadorismo de Fernando Santos tenha feito com que alguns jogadores não jogassem o que sabem e não tivessem as melhores condições para explanar o seu futebol.

 

Malas feitas rumo a Lisboa, Fernando Santos promete a vitória no Mundial 2022. Será difícil mas não custa nada sonhar.

 

Wednesday, June 16, 2021

“rafa!!!???”

 

Portugal estreou-se da melhor maneira no Euro 2020. Venceu a Hungria por 0-3 e mostrou que podem contar com a Seleção De todos Nós para lutar pela conquista da prova.

 

Até aos oitenta minutos, o jogo foi sobretudo de paciência. Em alguns momentos, os adeptos desesperavam e a Hungria parecia ganhar confiança a pouco e pouco.

 

Tudo se alterou nos últimos dez minutos. Num forcing final, Portugal conseguiu puxar dos galões de campeão com Cristiano Ronaldo a fazer a diferença.

 

Destaque para Rafa que esteve nos três golos. Aquando da sua entrada, provavelmente não houve um único português que não questionasse esta opção. Afinal de contas há muito talento no nosso banco. Podiam entrar outros jogadores que já jogam além fronteiras, não o Rafa que ainda joga cá.

 

Nada melhor do que nos calarmos quando ele acabou por ser o agitador que estávamos a necessitar para desbloquear o jogo a nosso favor.

 

A imprensa internacional verga-se aos nossos pés e já nos atribui um favoritismo que, apesar de sermos os detentores do trofeu, não nos davam.

 

Estamos aqui! Estamos na luta.

 

Sábado jogaremos com a Alemanha que parece estar um pouco fragilizada mas todo o cuidado é pouco. Alemanha é sempre Alemanha.

 

Quando nos damos conta da finitude da vida

 

O jogo decorria sem grandes sobressaltos. Era a festa do euro no seu auge e nada fazia prever que fossem outras as emoções vividas um pouco por todo o Mundo.

 

Quando Christian Eriksen recebeu um passe de um colega, imediatamente caiu no chão. As descrições que me foram chegando em tudo faziam lembrar o que aconteceu com Miklos Feher em Guimarães em 2004.

 

Desta vez, tendo eu uma  perceção diferente das coisas, imediatamente me arrepiei. Era mais do que aquela emoção que se sente numa situação destas. No meu íntimo, pressentia que o jogador dinamarquês já tinha deixado o mundo dos vivos.

 

De facto, nessa altura, segundo vieram os médicos confirmar, ele esteve mesmo morto. O pronto socorro das equipas médicas conseguiu trazer Eriksen de volta ao mundo dos vivos.

 

É nestas alturas que pensamos na fragilidade humana, na finitude da vida, em como num instante estamos bem, para no outro já cá nem estarmos.

 

Confesso que já tive mais medo da morte do que agora mas não deixa de ser inquietante o quão não estamos preparados para encarar um fenómeno que, afinal de contas, faz parte da vida.

 

Quando nos deparamos com uma situação destas, sentimo-nos pequenos, impotentes, frágeis. Os desígnios da vida tudo podem e subjugam-nos aos seus preceitos.

 

É nestas alturas que refletimos no que estamos a fazer, como ocupamos as nossas vidas, se vale a pena tanta correria, tanto tormento. Ao fim e ao cabo, tudo se pode esvair num abrir e fechar de olhos. Numa simples receção de uma bola. Um ténue momento, uma escassa linha separa a vida da morte e nada podemos fazer quanto a isso.

 

Há que aproveitar a vida, viver cada dia como se fosse o nosso último. Nunca se sabe quando a Velha Ceifeira nos espera á esquina e quando menos esperamos. Eriksen fintou-a, foi a jogada mais importante da sua vida.