Saturday, February 14, 2026

Dia longo e surreal

 

O mau tempo que tem vindo a assolar Portugal leva-nos a questionar o que fizemos ou continuamos a fazer ao nosso planeta. Não me lembro de ter assistido a nada assim, embora tenham dito que houve inundações em Coimbra em 1948.

 

Estas longas e angustiantes horas de incerteza começaram na quinta-feira à noite quando me disseram que a Proteção Civil estava a pensar evacuar a Baixa de Coimbra por haver risco de umas cheias centenárias de consequências imprevisíveis. Fui verificar e assisti a uma conferência de imprensa da presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, a dar indicações aos cidadãos das zonas em risco para ficarem em casa e aguardar indicações. Todos os serviços iriam estar fechados para que as pessoas não fossem apanhadas na  rua.

 

O pico das inundações, o primeiro, iria decorrer entre as oito e as nove da manhã. Imediatamente comecei a preparar as coisas, vigiando a rua e estando atenta às notícias. Passando esse período, sem que nada tivesse acontecido, as quinze horas seriam outro período crítico. Entretanto os dirigentes políticos e organismos relacionados com o ambiente e segurança estavam reunidos. Mais longas horas de espera, ouvindo as notícias na televisão, vasculhando as redes sociais e vigiando a rua onde até as obras decorriam com normalidade no prédio em frente. Havia que esperar mais duas penosas horas para ver se a Barragem da Aguieira atingia a quota de água que pudesse ameaçar as populações. Cada vez que chovia com mais intensidade, era um momento de apreensão. Nunca tive tanto medo da chuva.

 

Foi já no final do dia que Ana Abrunhosa tranquilizou os conimbricenses. Já podiam relaxar e dormir descansados.

 

Retomei a minha vida normal. Fui ouvir Futebol. Dormi muito bem essa noite. Estava a precisar.

 

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